quinta-feira, 30 de junho de 2011

Revirando o Baú



Hoje eu lembrei o dia inteiro do Maluco Beleza, Raul Seixas. Quando me deparo com sua história e a sua coragem de ter registrado toda sua vida escrita à mão em folhas de cadernos, “eu sentia que eu estava marcando as minhas pegadas na vida”, dizia ele, então eu penso:

Esse cara era mesmo especial, ou espacial!

O Baú guardando suas reminiscências foi aberto no dia de sua morte, e daí foi revelado entre tantas coisas que o garoto Raul queria ser como Roy Rogers quando crescesse. Ainda na infância esse cometa em estado bruto escreveu em seu caderno:

A vida é um palito de fósforo que
vai se queimando até se apagar
para sempre”.

Vez por outra postarei alguns desses manuscritos aqui no blog, penso ser essa uma homenagem delicada a esse homem que não passou impune por esta vida.

Abaixo o derradeiro registro dessa metamorfose ambulante, veja na íntegra:

A coisa mais gostosa que tem é falar alto sem ninguém pra me ouvir exceto eu mesmo. A minha voz ecoando nos ares da minha solidão enorme. Eu sei que amanhã (dia de show) vou rir do que escrevi. É que a vida é uma coleção de momentos.

Vou esquentar meu peixe, pois a TV tem som e imagem.
Me capta mais que o gravador, que o rádio, que a radiola.

Eu quero assistir televisão mas estou pensando que não vou aguentar. Assistir até tarde. Vou ver o jogo.

Agora!! Estou com a TV ligada, que me anuncia um show.
Sofrendo uma crise de solidão. É horrível.

Aí, a TV me recomenda um filme, Promessa de Sangue, entre as irmãs Galvão.

Eu boto um disco de New Orleans orquestrado e sento no fogão à espera da panela quente. E eu canto no fogão. Eu canto à Beira do Pantanal (do fogão) à espera do rango que eu tô cozinhando.

*Em 20 de Agosto de 1989 - véspera de sua morte!

Trilha Sonora
Artista: Baia
Música: Ouro de Tolo (Show Baú do Raul)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Triste...



Esta é uma canção tão triste
Triste como um final de tarde solitário
Triste como as historias de desespero
Como a falta de um amigo
Em horas difíceis 
Triste como aquela noticia
Que ninguém quer ouvir...

O irlandês Gilbert O' Sullivan colocou esta triste canção no topo das paradas inglesas décadas atrás.

Trilha Sonora
Artista: Gilbert O' Sullivan
Música: Alone Again ( Naturally)

terça-feira, 28 de junho de 2011

Vampiros



Vamos passear por entre as vilas de Nova Iorque e Johanesburgo ao som de algo pendendo entre rock e a juju music africana?

O som do Vampire Weekend perpassa mais ou menos por aí, guardada as devidas e justas proporções. Ganhou o apelido de “Upper West Side Soweto”, por causa dessa mistura pouco usual.

Mas quero falar sobre uma outra sopa de letrinhas:

Bartolomeu Bon – Arquiteto e escritor italiano
Anco Márcio – lendário rei de Roma lá pelos idos de 509 a.c
Cosmè Tura – pintor renascentista
Sexto Empirico – médico e filosofo grego
Pavel Chichikov – fotografo e poeta

O que há de comum entre estes nomes?

É uma ótima questão, mas sem resposta aparente. Ler (no sentido mais amplo, desvendar e compreender as possibilidades da vida) ainda parece ser uma atividade fundamental ao conhecimento, embora no Brasil isso esteja bem longe de ser um objetivo a ser contemplado por nossas politicas educacionais.

É uma pena, erudição não é crime, mas parece incomodar o poder, por sinal meramente proibitivo e punitivo neste continente brasileiro. Já reparou que por aqui só temos o direito de pagar impostos e votar, escolher entre um fantoche e outro? 

Então acho melhor mesmo escutar mais um pouco da musiquinha dos vampiros.

Trilha Sonora
Artista: Vampire Weekend
Música: Cousins

segunda-feira, 27 de junho de 2011

domingo, 26 de junho de 2011

Quanto vale o show?



Quanto vale o trabalho de um empregado doméstico?
Quanto vale o trabalho de uma psicóloga? De um psiquiatra?
Quanto vale o trabalho de um professor?
Quanto vale o trabalho da Maria? Do João? Do Luís? Do Thiago?
Como estabelecer parâmetros para quantificar valores para o trabalho de cada profissional?
Vivemos ainda os escombros da escravidão.
Tudo virou indústria. Você ainda consegue lembrar dos médicos de família? O pior é que as relações foram para o saco... 
Nas escolas: Gestores e clientes...
Indústria da educação? Certas tarefas não combinam com a linha de montagem. O modo artesanal vai se perdendo neste cotidiano...

Trilha Sonora
Artista: Stereophonics
Música: Rewind

sábado, 25 de junho de 2011

Curta... Animação



O nome da animação é “The Lollipop Tale”, mais uma pinçada na rede.
A autoria é de Rita Prata. Bacana! As ideias simples sempre resultam em trabalhos interessantes.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ficcionando



“Todo passado é ficção. Até mesmo a história oficial
Acaba sendo fruto da imaginação de alguém que resolveu
Contá-la.”


Miguel Falabella

E lá vai ele correndo atrás da pipa
quando de repente sopra o vento na direção da rua
a pipa foge ao seu alcance
o carro a 60 km por hora não.

O estampido amedronta quem assiste a horrível cena:
Caído no asfalto
Guilherme apenas olha ao redor
suspira ofegante
parece querer dizer algo
o tempo entretanto conspira contra a vida
não é mais suficiente. 

- Gui, meu Gui o que fizeram contigo meu filho?

São cenas cotidianas
Às vezes apavoram
Noutras estremecem.

Trilha Sonora
Artista: Style Council
Música: HEADSTART FOR HAPPINESS

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Aquecendo



Ed Motta no violão (não é muito comum) atacando um bolero de Rita Lee e Roberto de Carvalho “Caso Sério”. No inverno toda noite bate uma certa vontade de ouvir baladas, parece aquecer algo que lá dentro está meio frio.

Trilha Sonora
Artista: Ed Motta
Música: Caso Sério

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Girando



Sensual na voz e no molejo dessa black music, Corinne é mais que um rostinho bonito. Vou com ela para um giro pela city com direito ao mais recente longa de Woody Allen, "Meia-Noite em Paris" com Owen Wilson e Carla bruni no elenco.

Uau! Que delicia de música...

Trilha Sonora
Artista: Corinne Bailey Rae
Música: Closer

terça-feira, 21 de junho de 2011

Inverno...



Vou pra Porto Alegre tchau...

Eu gosto deste clipe, não é a oitava maravilha do mundo, mas é bem criativo, ponto. A banda é gaúcha e o Rio Grande do Sul deve ter uma agua diferente.

Na madrugada da terça tentando dormir no meio do frio e do ar seco,
O inverno chegou.

Trilha Sonora
Artista: Apanhador só
Música: Um Rei e o Zé

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Più o Meno



"Mais vives e menos sabes
Mais gastas e menos tens.
Mais ou menos, estás aqui.
Na lista também (tu)...
Quem sabe se saíra, a tua sorte.
Quem sabe!
Mais ou menos humanidade
Mais ou menos liberdade.
Que voa, e que não
Que queria...e não pode
Mais ou menos sinceros
Futuros robôs

Não! Mentir-se, não!
Ferir-se, não! Trair-se, não!
Se podes, descobre que, o teu mal,
está dentro de você
Se pudesse chamar amor,
a raiva, que tenho dentro de mim

Pudesse recomeçar,
recomeçaria com você
Recomeçamos!
Recomeçamos!
Tenho uma alma a mais
Mais verdadeira, de mais...
Se fica comigo,
tornarei de ser um rei!
Recomeçamos!
Não! Parar, não!
Fugir, não!
Perder-se, não!

Se ocultássemos os sentimentos,
seria noite, e depois...
Planetas apagados
Estrelas cadentes, nós!
Faça que não seja assim!".

É uma letra sobre o amor
às vezes incompreendido
às vezes não resolvido
às vezes apenas o silêncio,
linda a canção...

Trilha Sonora
Artista: Renato Russo
Música: Più o Meno

domingo, 19 de junho de 2011

Menos... mais...



E vamos lá! Depois de um sábado agitado e muito divertido um domingão de sol bonito lá fora. Ontem discotequei na festa da minha vó, me diverti à beça, foi bom!

Agora me embalam nesta atmosfera caseira, Norah e Sean numa levada gostosa, à noite uma pizza com os amigos, menos geralmente é mais, é assim na vida também.

Trilha Sonora
Artista: Norah Jones and Sean Bones
Música: Turn Them

sábado, 18 de junho de 2011

Imortal



É como uma fotografia. Há quatro décadas ela está em minha mente como a Dona Nenê, a vozinha da bagunça, dos sustos pregados, das histórias contadas com detalhes, dos sonhos mirabolantes, dos doces escondidos, aquilo que toda avó adora fazer com seus netos.

Pois é, a minha avó paterna completa 90 anos segunda-feira dia 20. A Festa é hoje, ou melhor, acontece todos os dias desde 20 de junho de 1921. Não conheço muitas pessoas com 90 anos ou mais, e o que posso dizer é que a Dona Raimunda parece feliz apesar de um probleminha aqui e outro ali. Sempre sorri fácil, fala o que pensa, parece brincar com a vida, daí o apelido “Nenê”, uma criança peralta e repleta de suas teimosias.

É sem dúvida um dia especial, para sorrir, refletir, celebrar!

Trilha Sonora
Artista: Freddie Mercury
Música: Immortal

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Império do Sol



O Império do Sol foi dirigido por Steven Spielberg e relata-nos a epopeia de um pequeno rapaz no meio de uma grande guerra. Esse rapaz é Jim Graham, um jovem inglês cujo espirito indomável voa livremente, a  grande altitude, muito acima dos limites de um cruel campo de concentração japonês.

O filme foi baseado no best-seller de J.G. Ballard e constituiu a primeira grande produção dos estúdios de Hollywood realizada na República Popular da China.

O Império do Sol foi agraciado com vários prêmios, por sua linda fotografia e pela excelente interpretação do então pequeno Christian Bale no papel de Jim.

Este sem dúvida foi um dos filmes que marcou minha adolescência. Talvez por sua história tratar de uma criança perdida de seus pais no meio de uma guerra e, para complicar ainda mais um pouco, em um país estrangeiro.

Talvez seja pela razão única de apresentar-nos aquilo que toda criança possuí e nos encanta: a pureza. O filme trata do conflito de Jim com essa pureza, do seu encontro com uma nova e dura realidade, e como este rapaz consegue sobreviver em meio as diversas guerras que a vida lhe impõe de uma hora para outra.

O encontro de Jim com um garoto japonês, ambos separados por uma cerca de arame farpado é emblemático, são cenas antológicas e de rara sensibilidade. Remete-nos a maior maldade de uma guerra que é afetar diretamente os sentimentos, sonhos e esperanças das crianças.

Além de tudo, O Império do Sol ainda nos apresenta uma trilha sonora marcante, belíssima, que emociona crianças e adultos.

Bateu aquela saudade!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Homem de Lugar Nenhum



Mais um trecho de “Yellow Submarine”. Aqui a sequencia da belíssima Nowhere Man, (o homem de lugar nenhum), enfim a canção fala lá no fundo de todos nós, seria uma profecia dos fab four para os tempos atuais?

E lá vai o homem de lugar nenhum, como na celebre cena inicial de “Tempos Modernos” de Chaplin quando o rebanho corre na mesma direção, na metáfora para o Taylorismo, ou se quiser para os tempos tecnológicos em que vivemos. Nossas vidas parecem sempre sem sentido, corre aqui, corre acolá, estudo, trabalho, comprar, comprar, gastar, gastar e continuamos sem respostas para quem somos, para onde vamos e, o que estamos fazendo aqui?

E lá vai o homem de lugar nenhum...

Trilha Sonora
Artista: The Beatles
Música: Nowhere Man

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Running on the spot



“Apesar de empilharmos os blocos de construção
a estrutura nunca parece aumentar
porque continuamos a chutar as fundações
e continuar ociosos enquanto nossas vidas caíam...
acredito na vida e acredito no amor,
mas o mundo em que eu vivo continua tentando provar que estou errado”.

Mr.Paul Weller com sua lendária banda The Jam traduzindo sentimentos que ainda hoje permanecem vivos na eterna juventude dos anos 80, ou ao menos em alguns espécimes imunes ao cinismo reinante do século atual. Mas não, não acreditem que eu sirva de exemplo, ou modelo para qualquer coisa nesta vida, o melhor mesmo é acreditar em utopias...

Trilha Sonora
Artista: The Jam
Música: Running On The Spot

terça-feira, 14 de junho de 2011

Miopia


Recentemente o cantor e compositor Lobão disse com todas as letras que o estágio da atual da nova geração música pop brasileira é bem precário.

“Luan Santana é coisa horrorosa, depõe contra a inteligência/uma cicatriz no cerebelo”, afirmou Lobão. Falou ainda sobre o filho de Fábio Júnior, Fiuk, sobre o Restart, e outras modas que no futuro certamente serão esquecidas.

De certo modo o velho lobo saiu em defesa de contemporâneos seus, como Renato Russo e Cazuza, que   ultimamente tem sido alvos prediletso de criticas mal abalizadas da dita garotada 'antenada' do novo século.  

É o tipo da coisa imbecil, não vale muito a pena retrucar, mas sejamos honestos é imoral dizer que Restart é melhor do que Legião Urbana e Cazuza, fala sério?

Incomoda um pouco o certo comodismos da nossa rapaziada, ninguém parece a fim de pesquisar música, literatura, arte, cinema. A coisa rola meio que assim: Alguém falou que fulano de tal é ótimo artista e, cicrano é péssimo, então todos pensarão do mesmo modo, não vale e parece ser proibido ir conferir e criar a sua própria opinião, abrir novos horizontes, educar o próprio gosto.

É compreensível que hoje em dia a garotada não ouça um disco inteiro, você ouve arquivos e geralmente baixados da internet e com a qualidade sonora bem discutível. No entanto quando converso com meus sobrinhos sobre música percebo que existe abertura para ouvir o novo (no sentido de ser algo ainda não conhecido por eles) isso vale tanto para artistas atuais quanto para os já consagrados. Em geral a recepção é boa, é legal quando eles percebem que existem opções e leques variados e que vão bem além da ditadura da mídia, programas de tv, rádios jovens, propagandas comerciais, etc.

Penso que hoje em dia devido à proliferação em grande escala de informação, tenhamos essa dificuldade de separar artistas com conteúdos estéticos mais densos, de artistas empobrecidos, insossos, inócuos, vazios, sem densidade artística no que diz respeito ao repertório cultural.  Deste modo fica tudo meio que nivelado por baixo, mas essa história pode ser diferente!

Ficou na dúvida? Então ouça “Andrea Doria” composição de Renato Russo e tenha uma pequena amostra dessa diferença. Preste atenção na letra, nas nuanças sonoras, na condução vocal de Renato, enfim, é uma canção emoldurada na literatura, na sensibilidade poética e estilística do seu autor.  

Trilha Sonora
Artista: Legião Urbana
Música: Andrea Doria

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vicent



Vicent (1982) é o primeiro trabalho em stop-motion de Tim Burton. Conta a história de Vincent Malloy, um garoto de 7 anos que quer ser como Vincent Price. A narração é do próprio Price.
Estética, domínio sobre o tema e muita criatividade, Burton já sabia bem por onde seguir na carreira.

domingo, 12 de junho de 2011

As Cores



Talvez sejam as cores, talvez seja a música, ou quem sabe o próprio conto em si. Yellow Submarine (1968) é um primor aos olhos, aos ouvidos e a mente. Resquício de um tempo de transformações, de sentimentos mais livres, de sonhos e esperanças.

Os Beatles não se envolveram muito neste projeto, e devem ter se surpreendido com o resultado. Psicodélico, arejado, um marco para a história da animação, Yellow Submarine sobrevive pois é uma produção atemporal.

A história do filme se passa na cidade de Pepperland, quando os "Maldosos Azuis" (Blue Meanies) atacam a cidade para acabar com o amor, a música e as cores. É quando os Beatles entram em ação a bordo do submarino amarelo para acabar com eles.

sábado, 11 de junho de 2011

Não ao tempo



Vou rebelar-me
contra o tempo
sem as obsessões
do longo caminho
porque
há um porto seguro
todos nós temos um
por lá então
finco meus pés
em dias nublados
sem brilho
e também quando radio luz
e abro um sol
com o meu sorriso
eu digo não ao tempo
digo sim a vida
a tudo que sou
e posso ser
não é pouco
nem é muito
mas com certeza
sou eu
me traduzindo
pelo labirinto
do enigmático
caminho

Trilha Sonora
Artista: Magno Mello
Música: Não ao Tempo

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Everything is



Tudo ao menos
seria leve
como a canção de Kevin
bastaria te olhar
por uma vida inteira
desejar-te
até cansar
a alma
mas não canso
assim tão fácil
pois amar é belo
mesmo quando não enxergo
nenhuma luz
à minha frente

Trilha Sonora
Artista: KEVIN JOHANSEN
Música: EVERYTHING IS

quinta-feira, 9 de junho de 2011

The Strokes



Acordes decrescentes na madrugada...
Uma das grandes bandas dos anos 2000
The Strokes...

Para quem gosta de uma boa harmonia,
Poderia ser samba
Mas é rock’n’roll!

Trilha Sonora
Artista: The Strokes
Música: Reptilia

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Paciência e Solidão



“A vida é tão rara”, disse o Lenine. A vida é muitas vezes a dor aguda da solidão, disse o Toni Venturi em seu mais recente longa, “Estamos Juntos”.

Trilha Sonora
Artista: Lenine
Música: Paciência

terça-feira, 7 de junho de 2011

Natal em Junho



Faltam mais de seis meses para o natal, agora é que estamos alcançando o inverno latino. Dias desses eu passei de carro com a minha avó pela antiga Rua Primeira. Fazia muito tempo, quase trinta anos que não atravessava aquela rua da minha infância. Foi emocionante, ver uma a uma as mesmas casas do meus amigos, lembrar das pessoas que por ali viveram, muitas já não estão mais aqui neste plano. Fixei com carinho a casa onde guardei as lembranças da minha infância, foi lá que descobri a força da música em minha vida, entendi outras coisas mais complicadas e brinquei muito.

De quebra posso dizer que os natais naquela casa foram inesquecíveis, embora todo natal seja no fundo muito triste, porque o seu sentido parece diluído no consumismo desenfreado.

Coldplay na agulha para o frescor das minhas lembranças.

Trilha Sonora
Artista: Coldplay - Christmas Lights
Música: Christmas Lights

segunda-feira, 6 de junho de 2011

domingo, 5 de junho de 2011

Animal Tropical



“Só nós, os monges de hoje, sabemos a verdade, mas às vezes dizer a verdade significa acabar na fogueira”.

Anotações para “O nome da Rosa” Umberto Eco

“O essencial para o homem é a liberdade. Interior e exterior. Atrever-se a ser você mesmo em qualquer circunstancia e lugar. A liberdade é como felicidade: não chega nunca. Nunca se completa. É só um caminho”.

Essa é uma frase forte, pelo menos para mim. O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez constrói um romance cru em “Animal Tropical” e nele eu mergulhei sem saber ao certo se cravaria a minha testa em uma pedra, ou me afogaria em aguas profundas.

Falar sobre liberdade é respirar fundo e saber que você ainda está vivo, e bem vivo.

Não me queira prender, porque sou um animal indomável!

Acho que esta seria uma frase que eu alardearia a qualquer insano que por ventura pense que eu sou alguém fácil de lhe dar. Ah! Muito engraçado: por que o mundo inteiro é tão dócil e eu não?

“Eu quis o perigo e até sangrei sozinho”.

“A única coisa que posso fazer sempre, em Estocomo, em Havana, onde for, é construir meu próprio espaço”, isso é lindo!

É a minha verdade, minha clareza, meu grito de alerta, meu hino de liberdade, em suma sou eu, a minha vida. O que mais dói no exercício da liberdade são os sentimentos, e talvez por isso eu já sinta e aviste as labaredas da fogueira.

Trilha Sonora
Artista: Mahler/Regência: Leonard Bernstein
Música: Symphony No. 5,Adagietto

sábado, 4 de junho de 2011

Comentário sobre Carlitos



Modern Times (1936) cena final e, ponto.
Não saberia descrever a singeleza tocante e arrebatadora desta cena em minha vida. Apenas contemplo a magia do cinema e a humanidade de Carlitos.

Charles Chaplin não foi um gênio impunemente, aliás, ninguém é gênio ao acaso.

Quando filmou “Tempos Modernos” em 1936, Chaplin criticava o modo de vida industrial. Da repetição robótica da linha de montagem, à falta de sensibilidade dos patrões no trato com seus operários, Chaplin costurou um filme em que seu principal personagem, Carlitos, vivia peripécias em torno da neurótica vida de um operário.

Carlitos é excêntrico e, portanto jamais se curvaria ao jogo capitalista/industrial, então termina sendo engolido literalmente pelas máquinas da indústria em que trabalha, numa das cenas mais belas do cinema do século XX.

Ao final depois de idas e vindas, sofrimentos, trapalhadas mil, o vagabundo está em uma estrada junto ao amor de sua vida. Ambos estão tristes, mas o excêntrico não se curvará a aparente derrota.

De mãos dadas a amada caminha pela estrada sorrindo ao som da maravilhosa canção “Smile”. É um fim emblemático para o filme e para a trajetória de Carlitos, visto que este foi o último filme do eterno vagabundo. A cena é pura poesia, o fim perfeito para uma personagem que não casaria mais com o jogo politico e tampouco teria estomago para suportar a barbárie da segunda grande guerra.

Carlitos não merecia mais viver neste mundo sem pureza, gestos desinteressados, então, Chaplin aposenta sua maior personagem.

Mas hoje vale a pena questionar a respeito da vida tecnológica, pós-industrial, tal qual Chaplin no século passado:

Será que a nossa vida está se resumindo em estudar para ser ‘alguém’, trabalhar para ganhar muito dinheiro, acumular e comprar, comprar e comprar?

Aí que Saudades de Carlitos!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Acontecimentos



Eu espero acontecimentos
só que quando anoitece
é festa no outro apartamento...

“Climax” é o nome do novo disco de Marina lima, 54. O álbum marca suas primeiras parcerias com Adriana Calcanhotto, Edgard Scandurra, Karina Buhr e Samuel Rosa (Skank).

Esse é um trabalho que reflete o momento de mudanças na vida da cantora carioca, a troca de cidade – Rio por São Paulo – e seu primeiro trabalho sem contar com as letras do irmão Antônio Cicero.

“Cicero e eu passamos por muitas fases. Somos irmãos de sangue por parte de pai e mãe. Somos parceiros desde que eu tinha 15 anos e ele, 25. Fizemos canções juntos morando na mesma casa, quando eu era adolescente. Depois, fomos parceiros morando em casas separadas. Cicero e eu perdemos o nosso pai. E, muito recentemente, perdemos nosso irmão do meio”, disse a cantora em entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo.

Trilha Sonora
Artista: Marina Lima
Música: Acontecimentos

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Coronéis Primatas



Têm gente querendo apagar a história para justificar o presente. (entenda aqui) 
O país perde uma grande chance de mudar, crescer, arejar, e mandar um bocado de parasitas pra casa, ou melhor, pra cuidar de suas terras a perder de vista e deixar o osso de lado. Como dizia o Henfil, “que país foi este?”. 

Trilha Sonora
Artista: Titãs
Música: Homem Primata

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Viver



Vamos falar de amenidades?
jogar conversa fora a tarde inteira
Vamos passear sem compromisso?
sem tédio a dois
sem solidão
sem falsas pretensões

Vamos fingir que hoje é domingo?
ficar na cama o dia inteiro
olhar os felinos espreguiçando-se
assistir aquele filme da Scarlett
ouvir uma música do Brett
comer uma massa deliciosa

Vamos fazer um trato?

Vamos viver!

Trilha Sonora
Artista: The Pretenders
Música: Don't Get Me Wrong