Mostrando postagens com marcador manoel carlos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador manoel carlos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

150mg de afeto



Eu não quero ver você cuspindo ódio
Eu não quero ver você fumando ópio, pra sarar a dor
Eu não quero ver você chorar veneno
Não quero beber o teu café pequeno
Eu não quero isso seja lá o que isso for

Final de tarde nas ruas do Itaim Bibi. Carros bacanas circulam por entre casas e prédios, restaurantes e, hotéis de luxo. Tudo soa meio blasé pelas bandas do Itaim.

E quem são as pessoas que passeiam no Itaim?

Só sei que não são de outro mundo.

Um sorriso atraente, um olhar penetrante – azul da cor do mar – impossível resistir, e negar uma observação mais detalhada, apenas ‘pleno exercício de direito’ diriam alguns advogados.

Pelos cantos assisto ao desfile de meninos e meninas poeticamente perfeitos.

E como é linda a juventude!

Ouço da boca de alguém acostumada a lhe dar com a ponta oposta da pirâmide etária, o que torna a frase solta mais valiosa.

Na balada da hora, liberto pelo tempo e espaço ‘soft’ do Itaim, quase sem querer ouço uma conversa ríspida via celular entre um Apolo e seu pai Zeus:

-O senhor nunca me deixa falar, externar, aquilo que penso e sinto. Você me expulsou da sua casa, agora também vai me expurgar da sua vida? Eu ainda sou o seu filho, será que você se esqueceu disso?

A tristeza de Apolo comove, ele parece apenas reivindicar com aquela vontade de viver tão pertinente aos jovens, um canal mais eficaz e sincero de comunicação. É como se ele quisesse dizer: O que eu quero é honestidade Zeus!

Pai e mãe separados – qual a casa que esse mancebo chamará de lar?

Manoel Carlos diria que o Itaim é uma sucursal do Leblon – de fato daria um bom enredo de novela.

A noite cai e as luzes dos carros borram a minha visão junto com a chuva que cai sobre o Itaim, talvez as lágrimas do nosso Apolo, incompreendido e, empurrado tão cedo para a lacuna vazia do desamparo familiar, cada vez mais comum nessa sociedade viciada no consumo.

No final das contas quero intuir que Apolo fala através da sua rebeldia:

-Por favor, me deem pelo menos 150mg de afeto incondicional! Pai Zeus não me expulse do Olimpo, eu quero me apaixonar novamente por você!

-Apenas uma pílula de afeto, é tudo o que eu te peço!