“Não consigo me lembrar QUANDO foi que descobri que gostava de escrever. Não consigo precisar em que momento comecei a atirar palavra para o alto, na esperança de que elas caíssem no lugar certo, invejoso da precisão de Truman Capote, que se autodominava, com toda razão, um Paganini semântico”.
Miguel Falabella
De modo similar (com muito menos talento) não saberia precisar quando e por que comecei e gosto de jogar palavra para o alto. Mas jogo todos os dias. Para onde vão? Não sei, mas estão voando, flanando, esgueirando-se por algum lugar deste imenso planeta.
Essa melodia me faz recordar do alvorecer. Talvez chuvoso, talvez não. Depende, se for na Noruega será x, se for aqui no Brasil y.
Os singelos acordes do violão da dupla King of Convenience hoje estão me aludindo às mãos de “Irina Palm”.
Irina Palm é um filme de Sam Garbarski que conta com a atriz e cantora Marianne Faithfull como protagonista para contar a história de uma viúva (Maggie) na casa dos cinquenta anos disposta a enfrentar todos os desafios possíveis para ajudar o neto a se curar de uma doença rara.
Para contribuir com o filho e a nora ela aceita um trabalho como "recepcionista" em uma boate de strippers ganhando o apelido de Irina Palm. O filme é uma mistura sutil entre drama e comédia, algo entre o real e irreal que rodeia o nosso cotidiano.
Por quem vertem às mãos de Irina? Apenas pelo neto doente?
As dúvidas serão elucidadas pouco a pouco. Um filme belíssimo.
Na efemeridade do mundo tecnológico nos falta tempo até para respirar. É sério, ninguém sabe mais como se respira corretamente!
Gozado, não era para ser o contrário? Deveríamos ter tempo para o tal ócio criativo que Domenico Di Massi defende com maestria, no entanto o que assistimos são uma enxurrada de atitudes banais e apressadas em nome de algo que seja mais palpável - dinheiro diriam uns, felicidade diriam outros.
Tem gente que já acorda ligando a televisão em algum programa do estilo jornalismo ‘mundo cão’ – Vejam as manchetes do dia: Tragédia em Moema, acidente grave na marginal Tietê, Neto mata avô a pauladas sei lá aonde...
Isso não é vida sejamos sinceros pelo menos uma vez em nossa existência. Estamos diariamente condicionados a consumir todo tipo de artimanha que roube-nos o precioso tempo. Talvez por isso mesmo reste pouco espaço para a arte, para o simples ato de pensar a vida, refletir com calma, paciência, daí o senso comum de que a filosofia é algo ruim, “não serve pra nada”, afirmam as cabeças vazias.
No final das contas todo mundo deseja sempre tudo bem mastigadinho, pronto, fácil, indolor, por isso telenovela faz tanto sucesso no Brasil.
Mr Cold prefere os devaneios que ainda são capazes de manter um homem vivo e pujante em sua labuta diária, apesar de toda a tecnologia, que é boa, mas na medida exata.
Nórdicos, vindos da Noruega, o duo King Of Conveniencetraz na em sua bagagem musical, baladas e folks agridoces. Relaxante, melódicas, suaves como a bela “Homesick”.
Dá mesmo para flutuar nos ares, observando a paisagem por entre a asa de um avião, com o sol dizendo: olá!