terça-feira, 27 de maio de 2014

O Herói Sai de Cena



Enquanto ouço Mariah cantando um gato mia lá fora. Faz frio em São Paulo,dentro de mim acontece uma geada, nada que combine muito com a letra da canção.É fácil acreditar que sempre teremos um herói dentro de nós nos momentos de infortúnio, tristeza e dificuldades, mas na vida real eu sou obrigado a dizer que o buraco é bem mais fundo e, que muitas vezes o que está dentro de nós são tormentas complexas e não heróis vitoriosos.
E o gato continua exorcizando seus demônios na noite fria e escura da metrópole...
E assim o dito herói sai de cena.
 
Quanto a mim tentarei dormir sem a ajuda do tarja preta.
Vitrola: Mariah Carey - Hero

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Et Si Tu N'Existais Pas



Saudades de Paris...
Então me recordo de Joe Dassin cantarolando:
Et si tu n'existais pas
Dis-moi pourquoi j'existerais
Pour traîner dans un monde sans toi
Sans espoir et sans regret
 
Vou dormir, pois
quem sabe sonho esta noite com a magia da cidade luz.
Vitrola: Et Si Tu N'Existais Pas - Joe Dassin

domingo, 25 de maio de 2014

Eyes


Miseráveis
Esta noite eu abri meus olhos
É que não quero mais sonhar com eles fechados
Vitrola: The Smiths - Heaven Knows I'm Miserable Now

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Anjos...

Quem dera eu fosse um músico
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
a dança alegórica
entre as vogais e as consoantes!

Paulo Leminski

Acabou! A semana pavorosa... Graças!!!

Alanis canta sobre proteção, acho que estou precisando muito...
O vídeo é uma clara alusão ao longa "Asas do Desejo"...

Salve Berlin!

Vitrola: Alanis Morissette - Guardian



domingo, 18 de maio de 2014

A Corrida Perdida



Os dois cientistas da canção foram tragados pela realidade,
sucumbiram frente ao dinheiro e seu questionável poder...
A música resiste.
Vitrola: The Flaming Lips - Race for the Prize

sábado, 17 de maio de 2014

Plural



I feel the sorrow.
Oh, I feel dreams.
Everything is clear in my heart.
I feel life.
Oh, I feel love.
Everything is clear in our world.
 
Dois gênios cantando o amor. Cada qual despindo seus sentimentos de maneira própria, com suas habilidades e técnicas. Isso é tão bom na vida, as diferenças, pois nos tornam mais humanos. Pena existir pessoas que não percebam que na diferença mora o abrigo, o afeto, a riqueza... pena mesmo.
Aqui John arpeja seu piano lentamente cantando o seu amor, nessas horas eu faria como o Odair José que escreveu uma canção intitulada “Eu queria ser John Lennon”, um minuto só.
 
Vitrola: Oh my love - John Lennon


And when I go away
I know my heart can stay with my love
It's understood
It's in the hands of my love
 
Olha Paul e sua bela balada sobre o amor.  Você pode ouvi-la passeando ao lado do rio Tamisa olhando as belezas de Londres, ou mesmo em qualquer rua pacata do globo, o efeito será o mesmo, poderoso.
Vermelho e azul, duas cores, duas histórias, dois mundos, dois... O plural me parece mais interessante, basta olhar um jardim florido e colorido de flores.
 
Vitrola: My Love – Paul McCartney

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Menos Trabalho Meu Povo


Eu trabalho ao lado de alguns Workaholics, é engraçado, pois são pessoas que acreditam piamente que o trabalho irá mesmo melhorar o mundo. O sarcasmo é apenas a minha defesa, e desculpe caros colegas mas não dá pra ser compulsivo com trabalho, isso eu atesto todos as noite quando eu chego em casa e ganho um doce abraço do meu Guguinha.
Pra vocês viciados na adrenalina de receber e dar ordens eu deixo a minha indicação musical do dia... Michael Jackson e Justin Timberlake na linda “Love Never Felt So Good”.
Vitrola: Michael Jackson & Justin Timberlake - Love Never Felt So Good

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A Voz de Karen


Às vezes eu quero ser a voz de Karen Carpenter, principalmente em dias de chuva, mas para o meu infortúnio alguém decretou que não pode chover mais na terra da garoa... Então em dias nublados e tristonhos, quando a gente supõe que a vida poderia ser diferente, a voz de Karen me invade e fica difícil de tentar continuar a me enganar, a jogar a responsabilidade para cima, e de repente eu ouço um não, aquele não marcante, NÃO - pois você é o senhor dos seus atos e ponto.
A satisfação pessoal parece ser tudo na vida, no entanto existe um outro lado da moeda...
A voz... eu ouço vozes, sim eu sou mesmo louco. Não tente pensar que será fácil me enquadrar em qualquer tipo de classificação, eu ouço a voz de Karen Carpenter, quase sempre!
Vitrola: The Carpenters - Rainy Days And Mondays

terça-feira, 13 de maio de 2014

País Maquiado


Em tempos de Copa do Mundo, a gente ouve muita asneira via meios de comunicação e, o marketing é muito pouco criativo em se tratando de copa do mundo no Brasil.
Uma enxurrada de slogans que atiçam a pachecada:
-Somos um só – Rede Globo
Se somos um só então eu quero a parte que me cabe em espécie... Uma mentira daquelas de corar... Somos vários países dentro de um – isso sim é mais realista.
-A Pátria de Chuteiras – Governo Federal
Já fomos. O País perdeu a identidade com a Seleção Brasileira e, o futebol já não é mais a única paixão do nosso povo. Penso que hoje em dia somos o país da corrupção, mas é claro que isso é negativo, portanto não gera marketing.
Bem, tantas outras babaquices serão ditas até o dia 13 de julho, enquanto isso ficaremos suspensos no ar a espera das próximas noticias de escândalos, roubos e pouca criatividade dos nossos políticos para continuarem a meter a mão em nossa grana. Dureza não?
Vitrola: Phoenix - Trying To Be Cool

sábado, 10 de maio de 2014

Don't You Remember Para os Fracos...



Continuo escutando uma voz
ainda sinto muita tristeza em dias como os de ontem
um fiasco atrás do outro,
uma cilada interminável
uma vontade imensa de fuga
um sentimento estranho
tristeza mesmo... no duro.
Ouço todos os dias por muitos lugares
que a tristeza é para os fracos
que os fortes sorriem,
sorriem sempre para a vida...
será que eles não apenas mostram os seus dentes?
 E foi assim que recordei de George
dizendo-me que as lágrimas podem ser reconfortantes
no trajeto em torno do hyde park e do kensington gardens,
e o quanto ainda desejo conhecer estes caminhos e tantos outros,
mas por ora continuo vagando as quatro estações pela grande e infinita
avenida das ilusões, dia sim e dia sim,
e neles Adele é sempre minha companhia.
Vitrola: Adele Don't You Remember- Later with Jools Holland Live 2011

Alguma Prova




“É só mais um dia de sol
 E ninguém quer saber
 Se eu tenho alguma queixa
 Em todo lugar existe alguém
 Querendo o que não tem
 Toda hora alguém perde a cabeça
 Esqueça...”.
Mas uma das canções de Marina,
Mais um daqueles dias em que me sinto
como o tal ponto fora da curva.
Que merda!
Lamento,
mas é assim...
Vitrola: Marina Lima – Alguma Prova

 

 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Still Life


Na sua antiga vitrola um som quase penoso ainda ecoava, em frases a enredar a vida sob prisma melancólico.
Aquele era um cantor que jamais cantarolou muitas alegrias, o carnaval ali sempre foi outro.
EXISTEM MARÉS E EXISTE A LUA.
Vitrola: Suede - Still Life

domingo, 4 de maio de 2014

A Bela



Lembrando de quem importa em vez de falar de cínicos mediáticos que adoram capas de revistas e manchetes em rede sociais...
Audrey Hepburn, 85º aniversário – 4 de maio de 2014.
Vitrola: The Beatles – A Day in The Life

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Poema Para Gustavo




Se você partir nesta noite

ninguém mais me fará companhia

estarei sozinho de você.

 
Se os pássaros levantarem em revoada

provavelmente estarei sozinho na próxima alvorada,

e estarei  solitário de natureza.

 
Existem as manhãs frias

assim como distantes são as pessoas

que não nos amam e por isso mesmo

importam-se pouco com o brilho lindo do nosso olhar.

Vitrola: Nei Lisboa – Everybody's Talking

quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 Anos



Essa é uma data muito comentada, pois há vinte anos morria na Itália o tricampeão mundial de F1 Ayrton Senna da Silva.

Muito já foi dito e ainda será sobre aquele fim de semana triste de 1994 e, de tantas coisas lidas, uma em particular me chamou a atenção hoje, porque é um texto que gostaria de ter escrito.
 
O texto do jornalista Flávio Gomes intitula-se “Memórias de uns dias de maio”, e abaixo reproduzo a parte da qual penso que Flávio extrai o lado mais humano de uma história tão triste. Flávio Gomes naqueles dias era jornalista da Folha de São Paulo e da Rádio Joven Pan de São Paulo, ele cobria toda a temporada da F1 já havia alguns anos.
Por sorte, Flávio conhecia uma médica que provavelmente trabalhava no mesmo hospital para onde Ayrton havia sido levado naquele domingo, digo por sorte, porque a médica italiana em questão era uma antiga namorada sua de adolescência na cidade de Campinas.
 
A médica Maria Cristina Gervasi de fato trabalhava no IML de Bolonha, local para onde o corpo de Senna e também do austríaco Roland Ratzenberger, morto em um acidente em Ímola no sábado, 30 de abril durante os treinos de classificação para o GP de San Marino, foram levados após atestadas as mortes.   
 “Encontrei a Cristina algumas vezes depois daqueles primeiros dias de maio de 1994. Já não lembro bem quando. Três ou quatro anos depois, talvez. Jantamos uma noite em Bolonha, num belo restaurante numa colina, e em outra oportunidade visitei-a em Casalecchio, onde fiquei comovido com um cantinho de sua casa onde havia na parede uma placa de carro com o escudo da Portuguesa, algumas fotos nossas em porta-retratos e pequenas lembranças de nosso namoro adolescente.
Nos falamos de vez em quando pelo Facebook. Ela se casou novamente e divide o tempo entre a Itália e Zurique, de onde vem seu marido. Acabou de ter um bebê e está feliz da vida. Esta semana, entrei em contato para lembrarmos aqueles dias de 20 anos atrás.
Não foi uma conversa triste e melancólica. Médicos sabem lidar melhor com certas coisas como a morte. Me escreveu:
 
Trabalhar como médico legista lhe permite ver a vida a partir de um ponto de vista diferente. Ou, talvez, você pode apenas ver a sua vida… Corremos atrás de nossos sonhos e ilusões, corremos de manhã à noite, e quantas vezes nos perguntamos que o fazemos? No final, tudo é o resultado de nossas escolhas. Há os que escolhem uma vida de rotina, tranquila, e há aqueles que arriscam suas vidas, e fazem isso de modo bem consciente. E um dia o final da corrida vem, vem para cada um de nós.
Os mortos são todos iguais, não há mortes de série A ou de série B. Dois jovens saíram daqui há 20 anos com seus sonhos e suas esperanças, tirando as esperanças e sonhos de milhões de pessoas. Era o que tínhamos aqui no dia 1° de maio, no Instituto de Medicina Legal de Bolonha, onde eu cursava o último ano de especialização em medicina forense.
Não sou daquelas que seguem os eventos esportivos, por isso não sabia direito o que estava acontecendo quando me vi presa no trânsito da Via Irnerius, incapaz de chegar ao Instituto. 
 
Depois de muito tempo consegui alcançar o portão vigiado pela polícia, que só me deixou entrar quando mostrei minha identidade. Estacionei o carro no lugar de costume, em um pequeno recesso logo atrás do portão de entrada.
Notei os rostos consternados e as lágrimas de dor. Me lembro, na entrada para o necrotério, de várias pessoas que falavam com uma cadência e uma musicalidade que me trouxeram lembranças doces e nostálgicas da minha juventude. Eles falavam português e tinham a bandeira do Brasil nas mãos.
A entrada foi inundada com flores, flores em todos os lugares, nunca vi tantas flores juntas, bilhetes, mensagens… Nesse dia, as atividades normais do Instituto foram suspensas e ficamos na varanda observando esse estranho fenômeno que se desenvolvia sob nossos olhos.
Os dois jovens pilotos estavam na ante-sala da câmara frigorífica, e pareciam dormir. Senna tinha uma ferida costurada na parte frontal da base do couro cabeludo, mas seu rosto estava sereno e já não apresentava muito inchaço. Ratzenberger era de uma beleza típica do Tirol Austríaco. Um belo rapaz. Senna, o grande campeão. Ratzenberger, o piloto que fazia apenas sua terceira corrida. Ambos apaixonados pela mesma coisa, ambos rapazes que fizeram do risco e da velocidade suas vidas, e que estavam ali na nossa frente para mostrar como a existência é efêmera, a realidade concreta da transitoriedade da vida.
Com alguns colegas , oramos por suas almas, que agora corriam em direção a outros objetivos e para os seus entes queridos que precisassem de ajuda e conforto. Pegamos algumas rosas e colocamos nas mãos dos jovens pilotos antes do fechamento dos caixões. A rua estava cheia de pessoas que se amontoavam nos portões. E de jornalistas à espera de notícias. Mas não havia muito o que dizer.
Senna saiu em primeiro lugar, e centenas de pessoas com gritos e aplausos acompanharam o caixão saindo do beco atrás do Instituto. Aplaudiam um grande campeão que perdera a vida na Tamburello, deixando um enorme vazio nos corações de fãs em todo o mundo. No dia seguinte, saiu Ratzenberger. Em silêncio, sem aplausos, lágrimas ou câmeras de TV. Membros de sua família chegaram e nós, do Instituto, o aplaudimos. Aplaudimos o rapaz corajoso que perdeu a vida na busca de um sonho que nunca alcançou. Aplaudimos com todo vigor aquele cuja fama não tinha despertado o clamor do povo.
Os mortos estão mortos, e eles são todos iguais. Não há desculpas e/ou atenuantes para aqueles que “esqueceram” muito rapidamente que por aquela corrida, naquele circuito, dois jovens rapazes haviam perdido suas vidas. E que estavam viajando juntos na sua última corrida para a linha de chegada.
Reunimos todos os buquês, colocamos tudo em vários carros e levamos para o cemitério da cidade, que foi inundado de cores, doando uma beleza fúlgida e fugaz, como fora a vida daqueles jovens pilotos, a túmulos desbotados e esquecidos por suas famílias e amigos. Nesse dia, aqueles mortos puderam rever as cores da vida e o fascínio da natureza, num sofrido contraponto à realidade da morte e da dor”.
A descrição da doutora Cristina é bela e humanística, uma das coisas mais lindas das quais já li sobre a vida, e claro, sobre a morte.
Vitrola: Coldplay – Fix You (Live 2012 from Paris)