Mostrando postagens com marcador quentin tarantino. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador quentin tarantino. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Django free



Movin’ me down the highway, rollin’ me down the highway/Movin’ ahead so life won’t pass me by.

Eu me sinto assim
dias a fio, noites insones
uma espécie de Django paulistano
vivendo em pleno velho oeste
lutando contra quase tudo e todos
buscando apenas dizer a mim mesmo:

Eu tenho um nome! Me respeitem, pois eu tenho um nome!

Me movendo pelas calçadas, rolando pela metrópole
seguindo em frente pra vida não me ultrapassar...

E como dizia Raul: Quem não tem presente se conforma com o futuro.



Vitrola: Jim Croce - I Got a Name

sábado, 10 de abril de 2010

Os Incendiários




Eu não saberia dizer aonde, quando e o por quê.

Mas lá na telona a cena final de “Bastardos Inglórios” (2009) me fez acreditar que eu adoraria lotar um auditório para uma grande e inesquecível festa. 

Convidaria as pessoas mais desprezíveis deste mundo (aqui cada um de nós possuí a sua própria lista) e daria a elas aquilo que costumam receber em todos os lugares por onde passam: bajulação, muita bajulação...

A noite seria longa, até o ápice: trancaria todas as saídas, não deixaria testemunhas por perto, o que incluí anteriormente, a liberação para que todos os paparaziz adentrassem ao recinto, ao ninho das vespas, cobras, víboras, ou, qualquer coisa que o valha.

Após o soar da terceira sineta – uma penumbra recairia sobre o ninho, uma grande tela desceria do teto, gelo seco perfumaria aquela confraternização cafajeste, adernada por néons, luzes estrábicas, uma noite regada a caviar e muito prosseco.

E então um videoclipe ensandecido ecoaria a frase:

“e depois do começo o que vier vai começar a ser o fim”... inúmeras vezes até o incêndio fatal, grandiloqüente, que até faria Nero sentir uma pontinha de ciúme. 

São os delírios que só alguém como Quentin Tarantino pode deixar-nos de herança após rever “Bastador Inglórios” na quinta-feira passada.

Eu devo ser mesmo um garoto atormentado e sádico – ouvindo The Smiths – e escrevendo sobre Tarantino – ora, mas o que seria da vida sem a contradição?

E aqui entra em cena a razão do plural no título deste post. Dizem que a gente é mais feliz na infância, deve ser mesmo verdade, se não vejamos:

Antonio Carlos Tissot Júnior, para os mais íntimos apenas Júnior, o meu vizinho, amigo, e antes de qualquer coisa, um incendiário talentoso. Júnior foi o cara que colocou caraminholas na cabeça tola de uma criança até então cristã.

Apenas peço, caso haja algum psicólogo lendo este texto que não seja tão rigoroso comigo, já que incendiários na infância quase sempre tornam-se adultos pacatos. Será mesmo? (música de suspense).

Na infância apanhei um bocado, ás vezes por causa das peripécias em conjunto com o Júnior, outras vezes por outros motivos banais.

Adorávamos montar aqueles aviões da Revel, eram tão bonitinhos, mas depois de tudo decalcado, maravilhosamente pintado, vinha aquela vontade insuportável de simular uma grande tragédia, ou, apenas uma cena corriqueira de alguma das tantas guerras que os americanos tanto amam. Ah, lá estava aposto o isqueiro da Dona Ivanir, a mãe do Júnior.

-Fumaça negra... é o aviso...vai explodir....Buuummmm!!!!!

Tudo pelos ares, que delícia!

Acho que o Tarantino também tinha um Júnior em sua vida. Mas ele soube agregar melhor valor a suas memórias de infância.

Nada escapava a fúria infantil, carros bonitões, bonecas das minhas irmãs (xiiii...agora elas descobriram que elas não foram abduzidas), brinquedos do Antônio Augusto irmão mais novo do Júnior, soldadinhos de guerra (eram em geral as nossas principais vitimas), e outras cositas más.  

Recordo-me que houve apenas uma exceção...Por favor psicólogos de plantão não julguem-nos a frio: adivinhem...

Falcon! Ele mesmo, o boneco que na virada dos anos setenta para os oitenta era a coqueluche entre a molecada, o nosso herói barbado e suas mil e uma faces. Falcon escapou ileso, nunca cogitamos fazer dele uma espécie de Joana D’Arc da Coronel Augusto Machado, nome da rua que morávamos.

Depois de tanto tempo reencontrei o Júnior no casamento da sua linda prima, a Daniela.

Ele também casado e sem filhos parecia feliz, embora já tivesse passado dos trinta assim como eu. Conversamos bastante, lembramos das traquinagens, dos outros colegas, falamos da vida, fiquei muito feliz por seu avô materno ainda estar vivo e saudável, e de repente por alguns minutos compreendi que os elos mais sólidos são formados exatamente em meios às diferenças.

Isso já faz tempo, sinto saudades daquilo que somente a memória pode nos conservar intacta.

Eu não saberia dizer aonde, quando e o porquê, mas nos meus sonhos o incêndio ainda não cessou.

Trilha Sonora
Artista: The Smiths
Música: The Boy With The Thorn In His Side

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Bastardos Não Inglórios



Tarantino é o cara! Em “Bastardos Inglórios” ele retorna á sua grande forma. Não falo aqui de cinema ‘fast food’, trata-se de culinária nobre.

Subverter a história com agá é coisa para poucos – e aí entra em cena Quentin Tarantino “brincando” com detalhes que nos assombram.

Três estórias que quando se esbarram brilham, ou melhor, explodem em um apoteótico desenlace final.

Esqueça o politicamente correto, ele não faz parte da cartilha de Tarantino – e quem nunca desejou um segundo sequer na vida em queimar o seu pior inimigo?

Mas não se trata disso.

Bastardos Inglórios resgata o próprio cinema – o jeito de se fazer um cinema acessível sem que se caia na tentação da receita pronta fácil dos blockbusters. Com maestria sua obra resgata a linguagem, o sonho, a fantasia, o humor negro refinado. Se faltava algo épico na telona em 2009, Tarantino a preencheu!

Se a vida imita a arte, sob o ponto de vista de Tarantino ela sempre será divertida.

Ao menos para nós espectadores.

Trilha Sonora
Artista: KRAFTWERK
Música: THE MODEL

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Encontro

Hoje estréia o novo filme de Tarantino, “Bastardos Inglórios”, e daí? O que isso tem a ver com a belíssima versão de “Se Eu Quiser Falar com Deus” do Gil, na voz do Pedro Mariano?

Provavelmente nada, ou, quem sabe tudo!

Ao piano César Camargo Mariano passeia com destreza pelas notas enquanto seu filho, Pedro, exala emoção pelos poros. Afinal, foi com esta canção que tudo começou, diz Pedro.

Bonito ver a reverência com que Pedro trata o pai chamando-o carinhosamente de maestro, o que César é de fato.

Reverência emoldurada também na interpretação frase a frase: “se eu quiser falar com Deus/tenho que ficar a sós/tenho que apagar a luz/tenho que calar a voz/tenho que encontrar a paz/tenho que folgar os nós/dos sapatos, da gravata/dos desejos, dos receios”, e a emoção vai subindo, e o silêncio se faz mudo no Canecão.
Eu me lembro muito bem a primeira vez que ouvi Gil cantando essa música, o quanto este trecho mexeu comigo, “tenho que ter mãos vazias/ter a alma e o corpo nus/se eu quiser falar com Deus/tenho que aceitar a dor”, e depois a pá de cal nos versos seguintes:

Tenho que me ver tristonho

Tenho que me achar medonho

E apesar de um mal tamanho

Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus

Tenho que me aventurar

Tenho que subir aos céus

Sem cordas pra segurar

Tenho que dizer adeus

Dar as costas, caminhar

Decidido, pela estrada

Que ao findar vai dar em nada

Nada, nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Nada, nada, nada, nada

Do que eu pensava encontrar”.

Aí a gente para, olha, se vira, deixa o César fazer o último arpejo ao paino, pra depois chorar junto com o Pedro.

Encontrar Deus não é coisa fácil e, talvez, Tarantino saiba fazer isso melhor do que eu.

Talvez...