Definitivamente
2012 não é um bom ano para a música pop. Depois de Whitney Houston e Donna
Summer, agora foi Robin Gibb (1949-2012) dos Bee Gees que partiu hoje vitimado
por um câncer.
No
vídeo Robin interpreta um dos maiores sucessos da banda que formou com os irmãos,
Barry Gibb e seu irmão gêmeo Maurice Gibb (1949-2003), Stayin' Alive.
Posso
imaginar a tristeza de Barry, o último Bee Gees vivo e curiosamente o mais
velho dos irmãos. A disco não seria a mesma sem o som do trio que embalou as
noites de sábados na década de 70.
“Prestes a completar 40 anos sem ter realizado nada do que pretendia realizar – sem jamais ter alcançado a criatividade profunda à qual me dediquei todo esse tempo –, me sinto ocupando uma posição menor, débil e obscura, a que cheguei não por destino, mas por culpa minha, como se me tivessem faltado, a certa altura do caminho, o espírito e a coragem necessários para me encaixar com competência nos moldes que iam surgindo. Penso em Leander[1] e em todos os outros. Não é por serem histórias de fracasso; não é isso que assusta. É que esses registros são banais, eles não têm a menor importância; é porque Leander, caminhando no jardim ao entardecer, padecendo de uma paixão violenta, não interessa a ninguém. Não importa. Não importa...”
John Cheever
E lá estava eu no meio da multidão para prestigiar o U2 pela segunda vez na vida. De cara veio uma nítida impressão de grandeza, imponência e limites tecnológicos que parecem nunca intimidar os irlandeses. Esse talvez seja o ponto alto da carreira e da longevidade da turma do U2.
No show as colagens artísticas comuns ao universo da banda, da pintura à arte eletrônica, da cultura do videoclipe a estética holografica, pois no final das contas, o palco e seus telões acoplados são a disseminação desta porção tridimensional da cultura cibernética do presente século.
O show então é uma viagem espacial – desde sua introdução ao som de David Bowie “Space Oddity” (linda/maravilhosa) até o epilogo quando no telão a banda homenageia Elton John e Yuri Gagarin na balada “Rocket Man” – porém é uma jornada nas estrelas sem arredar os pés deste planeta, ou seja, sem um diário estelar.
Há momentos em que nos pegamos enraizados e enfeitiçados de maneira tão profunda que não conseguimos esquecer concretamente da nossa própria existência. E para isso basta olhar para Bono, The Edge, Adam e Larry em ação em canções como “I Will follow”, “Sunday Blody Sunday”, a memorável “I still haven't found What I'm looking for” – quando Bono praticamente não cantou, pois os shows na América do Sul não são feitos por eles (U2), mas sim por nós espectadores, advertiu o cantor.
Enfim, basta recordar que há trinta anos eles já faziam parte da vida de quase todos que estavam naquele estádio, e daí parte a certa melancolia de si olhar no espelho e ter a certeza que o tempo passou, para você e também para o U2.
Em meio a mensagens sociopolíticas de engajamento e ao trivial e previsível jogo de cortejo aos tupiniquins, “eu sou brasileiro e não desisto nunca!”, solta um Bono bastante rouco, com uma voz que em nada faz lembrar o vigor da década de 80. E assim o baixinho foi tocando o show à sua maneira, às vezes no piloto automático para seu próprio conforto e a alegria das gerações mais novas (por vezes mais complacentes, se preferir mais leves a nós quarentões chatos), outras com alguma pálida energia criativa que ainda lhe resta por trás da figura caricata da qual se tornou refém de si mesmo nos últimos anos.
Vieram canções emblemáticas e feitas para grandes arenas como “City Of Blinding Lights”, “Walk On”, “Pride” e outras com adornos de contemporaneidade como “Crazy Tonight” com direito a trechos de “Relax” hit dos anos 80 do Frankie Goes To Hollywood, além de uma participação de Seu Jorge cantando com Bono, (os dois bem desafinados por sinal) na versão bossa-nova de “Model” dos alemães do Kraftwerk.
Talvez o único momento que tenha fugido ao script certinho do show foi a inserção no setlist de “Zooropa” que há anos não era executada pela banda ao vivo. Essa é uma canção profética que permeia como a tecnologia e o consumismo vão rondando e engolindo multidões ao redor do planeta, curiosamente parece servir como antítese para o próprio show do U2 em 2011.
Depois de duas horas e pouco de show chega a hora do adeus com “Moment of Surrender”, e à minha frente eu antevejo um Bono que poderia ser eu mesmo em meus momentos de instabilidade temendo sair do palco e encarar a própria imagem em seu camarim. Por isso tudo não consegui evitar a lembrança das lentes perturbadoras do escritor John Cheever (citação acima).
Meia-noite no Morumbi, luzes acessas, é hora de encarar a multidão nas ruas, só que eu não sou o Bono, por isso mesmo demorei um pouquinho pra chegar em casa e olhar o espelho.
Era 1984, em Tokyo, Paul Weller e sua trupe atacando com “My Ever Changing Moods”. Estou em 2011 e ouço com sabor os metais desse hit, então é som na caixa.
Trilha Sonora
Artista: The Style Council
Música: My Ever Changing Moods
Folga! O meu trabalho me permite longos dias de labuta e bons períodos de descanso concentrado. Em ‘Bailão do Ruivão’ o cantor e compositor Nando Reis passeia por um cancioneiro de lembranças afetivas, como em “You and I” clássico de Rick James.
Talvez Sting faça o mesmo ao tocar seu violão na bela Fragile. De volta à estrada curti cenas que fizeram falta nos últimos meses e, até recordei de um trecho de um poema meu:
...São sonhos
Avistar crianças correndo livres pelas ruas
Girando como um carrossel no meio da Praça
Jogando bola descalças no asfalto duro
Imaginando ser aquele
Um jogo no Maracanã
Em uma noite decisiva
Veem de lá também o som agudo de violinos chorando
"Mama" Cass Elliot, nome artístico de Ellen Naomi Cohen (Baltimore, 19 de setembro de 1941 - Londres, 29 de julho de 1974).
Reza a lenda que Mama Cass morreu em dos seus dias mais felizes, mas isso não importa muito. Sua voz e sua carreira artística foram bem mais relevantes, fosse ao lado do grupo The Mamas & The Pappas, ou em sua curta e bem-sucedida carreira solo.
Mama Cass possuía aquele brilho nos olhos que os jovens apaixonados pela vida nunca perdem.
Eu fecho os meus olhos e vejo Suzanne Vega cantando Luka. Uma história de surras, torturas, violência em pleno seio familiar. Suzanne Vega alcançou o estrelato com esta canção de melodia doce e, letra melancólica e ácida sobre espaçamento infantil. Muita gente nem percebeu e achava que se tratava de uma canção romântica. Isso é bem genial nela, bingo!
Corria o ano de 1987, já faz um certo tempo é verdade, mas a canção sobreviveu ao tempo, e Suzanne continua sendo uma grande artista.
Quando criança, Sonan Yuki Vladisk, sonhava em pilotar aviões. Depois de levar uma vida com os pés fincados na esbórnia um dia ele teve um encontro místico que alterou sua rota pecaminosa.
Ouvindo vozes polifônicas e descobrindo vultos ao redor, Sonan deixou de perambular pelo mundo para refugiar-se em um monastério no Sri Lanka. Acordava cedo, meditava por horas a fio sobre o Karma dos pecados cometidos outrora. Era uma vida bem mansa diga-se de passagem...
E foi assim até uma noite fria de dezembro de 2005. Em uma visita ao templo de sua ordem em Londres, Sonan conheceu uma garota de nome Amy...
Daí por diante você pode até imaginar que ele e Amy engataram um lindo romance e viveram felizes para sempre... porém esta história é bem bizarra e merece um final trágico.
Amy atualmente é conhecida por seu sobrenome ‘Winehouse’ enquanto nosso herói Sonan... Bem, Sonan retornou ao monastério e decepou a cabeça dos trinta integrantes de sua ordem no Sri Lanka durante uma sessão de jejum. Depois disso alistou-se na al-Qaeda, aprendeu a pilotar aviões de verdade e pensa seriamente em viver no Brasil, quem sabe no Rio de Janeiro...
Uma ficção ao som de Terence Trent D'arby só poderia mesmo ser algo assim, meio sem pé nem cabeça. Melhor consertar: Totalmente out!
Adentrou ao bar cabisbaixo por volta das onze da noite. Era uma segunda-feira fria – um convite a sombria solidão. Foi ao balcão e pediu um Bourbon, teria que ser duplo...
Fugiu-lhe a memória alguns traços da face do ser amado, mas restava-lhe ainda um detalhe da silhueta esvoaçante presa à meia-luz daquele boteco esfumaçado e empoeirado.
Pagou a conta e partiu. Sumiu pelas ruas do centro tal qual perdera sua chance de encontrar alguém.
Carregou consigo a frase: Tente novamente, o que lhe gelava a alma assim como o frio daquela madrugada.
Não fisicamente, mas certamente de maneira espiritual. Quantas delas seguiram as artes após este encontro com a legenda Burt Bacharach? Isso não importa tanto, o mais importante é que suas vidas fatalmente foram transformadas de algum modo pela inspiração artística do maestro, compositor e pianista norte-americano.
O mundo é um circulo, a vida é cíclica, Bacharach é um gênio da raça e ponto.
Ontem falei de Cyndi Lauper, hoje falarei de uma discípula sua: Lady Gaga.
Polêmica, de visual extravagante, autora de canções de apelo dançante, Lady Gaga soube compor
uma personagem bem atual, entenda, século 21. Mas em seu conteúdo estão presentes acessórios culturais de muitas épocas diferentes. Música retro, mezzo anos 70, mezzo 80, moda, visual fashion, sensualidade, picardia e, bom humor.
Dizer que Gaga não possui talento seria leviano com a própria história da música pop. A garota sabe todos os comandos da galeria pop, desde o sobrenome inspirado na canção Radio Gaga do Queen até seus vídeos bem produzidos, divertidos e com uma certa pitada da perfeição de Michael Jackson, alcançando os flertes com uma outra loira do pop: Madonna.
Paparazzi é uma canção que já nasce clássica dentro do universo pop: refrão adesivado e melódico, daqueles que grudam que nem carrapato. A moça parece saber bem do que fala, e mais do que isso, criou um estilo personalizado. O estilo Gaga está aí, são ensaios de uma nova era.
Corria loucamente pela calçada. Eram quase oito horas de uma manhã nublada, fria e sisuda. Atravessou às ruas do bairro até alcançar o belo bosque da vila. Do outro lado da cidade alguém discou o número do seu celular à espera de que aquele telefonema pudesse alterar o rumo de sua vida.
Uma voz em off surge na história:
-Nessas horas eu sempre me recordo destes acordes, desta melodia tristonha que faz um dia de frio parecer o fim de uma vida.
Então ela atendeu o celular abruptamente respirando ofegante tamanha a presa com que caminhava:
(ela) -Oi...o que você quer? Porque insiste em me procurar? Eu já não te disse tudo o que deveria, e não deveria dizer a você ontem à noite?
Silêncio do outro lado... uma sensação de um vazio sem fim...
(ele)-Não...Quem não disse tudo o que deveria ser dito fui eu...
(ela)-Eu não estou interessada em nenhuma teoria...
(ele)-Ok. Você fica parecida com o Belchior quando faz de nossa briga um discurso retórico poético...
(ela)-Eu não suporto o Belchior, você sabe bem disso!
(ele)-Humm, pelo menos agora você foi um pouco mais espontânea...
A voz de entonação grave em off retoma à cena:
-Não adianta.... A discussão a qual assistimos de camarote não conduzirá este casal a lugar algum, a não ser a cama de um, ou, a do outro.
E assim sobem os créditos deste curta metragem de terceira, ao som da poesia de Moz.
Trilha Sonora
Artista: Morrissey
Música: Last Night I Dreamt That Somebody Loved Me