Mostrando postagens com marcador caetano veloso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador caetano veloso. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Os Pássaros e os Gibbs


Barry Gibb deve ser um cara um pouco tristonho, por ter presenciado o desaparecimento precoce dos seus três irmãos: Robin, Maurice e Andy, todos talentosíssimos, uma família que partiu da Austrália para ganhar o mundo.

Olhando sua apresentação no famoso Festival Glastonbury deste ano, bate certa nostalgia evidentemente, porém não seria justo com o sobrevivente dos Gibbs - um dos falsetes mais bonitos e afinados da história da música popular - reconhecer sua carreira hoje por este prisma. 

Disse um pouco triste, pois Barry Gibb teve o privilégio de vivenciar todas as fases dos Bee Gees e consequentemente, é testemunha ocular da saga dos Gibbs, isso por si só, torna Barry alguém abençoado e muito feliz!

Como diria um pequeno trecho da canção “O Amor” de Caetano Veloso:

Ressuscita-me
Quero acabar de viver
O que me cabe
Minha vida...
  
Dito isso, só me resta derramar em letras...

Como é bela a vida, quando paramos para olhar os pássaros voando juntos em direção ao calor. 

Barry Gibb, uma voz que ainda nos emociona.


Barry Gibb - Stayin' Alive (Glastonbury 2017)

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Trilhos Urbanos






E essa foi a sequência matadora dessa manhã - ouvindo o Ipod pelos trilhos urbanos ao bordo do metropolitano...

Se existe a esperança nos trilhos? 

Basta olhar os olhos, as feições, as mãos e a alegria quase inerte dos paulistanos.... Mas na sexta-feira, parece que tudo muda, é o dia da ressurreição, da prova cabal de que existe amor em SP... 

É como se olhasse a mesma cena novamente só que agora em outro quadro e, todos estivessem falantes e sorridentes, explodindo alegria como fogos de artifícios.

São os trilhos da esperança...

E como já dizia o poeta:

“Bonde da Trilhos Urbanos vão passando os anos
E eu não te perdi, meu trabalho é te traduzir”.

Ou pelo menos, tentar...

Vitrola: Vários



sábado, 23 de maio de 2015

Errática


Errática
[Letra de Caetano Veloso]

Nesta melodia em que me perco
Quem sabe, talvez um dia
Ainda te encontre minha musa
Confusa

Esta estrada me escorre do peito
E tão sem jeito
Se desenha entre as estrelas da galáxia
Em fúcsia...

Bússolas não há na cor dos versos
Usam como senha tons perversos
Busco a trilha certa, matematicamente
Só sei brincar de cabra-cega
Errática
Chega

Neste descaminho, meu carinho
Te percorre a ausência
Corpo, alma, tudo, nada, musa
Difusa.

O sorriso do gato de Alice se se visse
Não seria menos ou mais intocável
Que o teu véu
Pausa de fração de semifusa
Pode conter tão grande tristeza

Busco o estilo exato
A tática eficaz
Do rock ao jazz
Do lied ao samba
Ao brega
Errática
Chega

Vitrola: Gal Costa – Errática


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sou Poeta




 
Agora vamos alcançar
Tudo o que não
Podemos amar na vida
Com o estrelar
Das noites inumeráveis
 
Ressuscita-me
 Ainda
 Que mais não seja
 Porque sou poeta
 E ansiava o futuro
 
Ressuscita-me
Lutando
Contra as misérias
Do cotidiano
Ressuscita-me por isso
 
Ressuscita-me
Quero acabar de viver
 O que me cabe
 Minha vida…
 
Andando pelos tuneis subterrâneos do metro
nas alamedas dos Jardins
na grande avenida das ilusões
pelas estradas do sertão paulista
ou simplesmente
apenas percorrendo meus sonhos infinitos
essa poesia sempre faz brotar água em meus olhos
e recebo neste instante mágico
uma nítida sensação de que o hoje ainda pode ser melhor do que foi ontem
é um raro momento de otimismo...
Vitrola: Gal Costa - O Amor (Caetano Veloso)

terça-feira, 5 de março de 2013

Ouro de Tolo



Um fulano desses que adora dar conselhos coorporativos (hoje chamam de consultoria) resolve dar dicas de filmes para candidatos a concursos públicos. 

Bem, paciência se o cara até quando esta descansando pensa em seu
oficio, no fim das contas ele apenas gosta mesmo do que faz. 

senão aqui são mesmo as recomendações que sinceramente não irão fazer o candidato, pelo menos descobrir ou vivenciar alguma experiência artística
relevante através do cinema. Filmes não são apenas filmes e pronto.

Ele recomenda filmes que não estão relacionados diretamente a temas de estudos, mas que em sua opinião ‘servem’para motivar o candidato (a maldita mania de achar que tudo precisa servir para algo). E não precisam cara pálida? Acho que não cara torta! 

Aqui algumas de suas predileções:

•       Homens de honra
•       Rocky
•       Menina de ouro
•       Invictus

O professor indica assistir a filmes pelo menos uma vez por semana, de
preferência durante os finais de semana. “Aproveita-se para estudar e
passar um tempo com a família”, diz.

Só faltou algum filme sobre lutador de MMA, ou, jogador de futebol que
era pobrezinho e um dia enriqueceu financeiramente, mesmo não aprendendo nada de libertador sobre a vida.

Penso apenas que as pessoas buscam uma oportunidade de trabalho, algumas aspiram muito mais é claro, mas a maioria precisa mesmo apenas de um emprego que lhes dê o sustento. Logo, ficar teorizando sobre o tema é perda de tempo, justamente o mesmo que eu perdi escrevendo essas mal traçadas linhas.

Azar o meu!

Vitrola: Ouro de Tolo – Caetano Veloso

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Trem das Cores



Amanheci zen e quero voar de asa delta…

Sempre desconfiei de algo estranho no jeito peculiar de Caetano cantar. Finalmente a ficha caiu lendo algumas pesquisas de pessoas, que assim como eu, adoram investir seu tempo ouvindo e lendo sobre música.

Ele, Caetano Veloso, canta de uma maneira árabe... observem... é sim, nosso Caetano canta como os árabes! Pronto descobri a América!

Claro que não, essa observação já foi feita por estudiosos da nossa música a zilhões de anos, apenas acho bonito essa coisa da nossa cultura de fato ser multifacetada, muitas cores, um trem das cores, aliás, amo esta canção e não sei nem o porquê e, nem preciso.

Caetano foi um escudeiro fiel durante minha jornada de estudos universitários, depois o rejeitei por suas polemicas verbais, politicas, tantas vezes banais, outras até interessantes, devo me redimir. Quer saber? Caetano você é um grande artista, não deixarei nunca mais as suas canções distantes da minha vitrola. Pelo “nosso” passado, paz e amor!

Ah! No assobio eu saio voando sobre o Rio de Janeiro e suas belezas inenarráveis...

Bom dia universo!

Vitrola: Caetano Veloso – Trem das Cores

sábado, 11 de agosto de 2012

Oscilante



Estou oscilando
sou a Cordilheira do Himalaia
Por vezes lá em cima
eufórico, alegre e, leve
em outras lá embaixo
melancólico como um bom blues.
eu oscilo
mas não perco a fé.

Na vitrola: Caetano Veloso – Sozinho

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Mais Viva do Que Nunca



O que dizer sobre Angela?
Transpira emoção em cada nota, a cada silencio, é a voz escancarada de alguém que foi surrada em praça pública e sobreviveu. Inspirou entre outros pervertidos o amigo Cazuza.

Dá gosto assistir Angela em sua apoteose, sua reviravolta pessoal, exatamente quando muitos já a tinham enterrado como indigente. Ledo engano... Equivoco total.

Trilha Sonora
Artista: Angela Ro Ro
Música: Escândalo

domingo, 28 de agosto de 2011

O Leãozinho



Zach Condon da banda Beirut já cantava “Leãozinho” em 2008 e agora em 2011 registrou definitivamente a música na coletânea Red Hot + Rio 2, disco tributo à Tropicália. É uma cover bacana, despojada, sem muito afetação da canção que Caetano fez em homenagem ao contrabaixista Dadi Carvalho.

Uma bonita e justa homenagem ao nosso baiano.

Trilha Sonora
Artista: Beirut
Música: Leãozinho (Red Hot + Rio 2)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Ternura



“Onde queres ternura
eu sou tesão...”

Caetano Veloso

E eu vou assistindo os meus dias a passar
tal qual o espectador que assiste um filme
e que não deseja ver o seu final


Be Strong now


Trilha Sonora
Artista: James Iha
Música: Be Strong Now

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O Haiti



“Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho nas árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar dos nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los”.

Estes são os últimos versos do discurso que a médica sanitarista e pediatra Zilda Arns Neumann, 75, fazia em Porto Príncipe na última terça-feira, quando a cidade desmoronou.

Dona Zilda, como era carinhosamente chamada, morreu trabalhando no que acreditava ser a sua multiplicação dos pães. E era.

À frente da Pastoral da Criança conseguiu difundir pelo Brasil e por diversos países da América Latina atos simples como, lavar as mãos e tomar banho. Multiplicou assim o que anda escasso mundo afora: o amor.

Difícil não ficar profundamente triste e, até sentir certa revolta, quando um ser humano como Dona Zilda Arns deixa o mundo e o país órfãos de cidadãos fluentes e tão firmes de caráter. E quando a gente lê o noticiário político e, já sem estômago, vê noticias sobre os Arrudas e Sarneys da vida, uma ponta de raiva bate em nossos corações. Mas este tipo de sentimento não combinava com Zilda e com nenhum ser humano imbuído de uma missão real de transformação neste mundo.

Só não devemos esquecer que uma boa parte da desgraça que grassa socialmente o Haiti, também habita inúmeros recantos deste solo brasileiro. E a pergunta continua sendo a mesma: até quando suportaremos calados a tudo isso?

Trilha Sonora
Artista: Cateano Veloso
Música: Haiti

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Carolina



Lá fora, amor, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu
Eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela e só Carolina não viu.

Chico Buarque

Quando finda a risonha inocência infantil
Irrompe no horizonte a força motriz da juventude:
Sonhos – delírios – paixões avassaladoras

É como ascender um sol em cada esquina
Um raio de luz
Galopante
Desenfreado
Sem limites
Transbordando insatisfação
Desejo
Vida

Quando se encerra o doce ciclo juvenil
Brota no homem o amargo sabor
Do ceticismo
Da dúvida
Da ausência da fé
Então somos compelidos
Envoltos
Por uma sombra traiçoeira
Que esmaga-nos
Sem dó ou piedade
Cerrando os nossos olhos para a fantasia
Mirando apenas a torpe razão

Então sabemos:
O sonho acabou.

Eis Carolina em sua janela
Olhando para o tempo passar
Com seus olhos
Pávidos a prender
A última lágrima de sua vida.

Trilha Sonora
Artista: Caetano Veloso
Música: Carolina

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Tristes Trópicos



“Aqui tudo parece que ainda é construção mas já é ruína”.

Em sua primeira visita ao Brasil para fundação da USP, Lévi-Strauss relatou:

"Ao ver aqueles professores miseravelmente pagos, obrigados, para comer, a fazer obscuros trabalhos, senti orgulho de pertencer a um país de velha cultura, onde o exercício de uma profissão liberal era cercado de garantias e de prestígio".

O antropólogo francês nascido na Bélgica deixou-nos no último dia 30 de outubro, seu legado ficará entre nós por muito tempo, mas não o suficente para vermos um país diferente daquele que com espanto ele espiou nos anos 30 do século passado.

Caetano Veloso é um apaixonado pelos estudos de Lévi-Strauss, apesar do pessimismo  intelectual do antropólogo em relação ao Brasil.

Foi assim que Caetano citou direta e indiretamente fragmentos da obra de Strauss em letras de suas canções. Aqui dois belos exemplares da inspiração do longevo antropólogo francês sobre o nosso baiano.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Patético



Sinais dos tempos: Universitária é hostilizada por usar minissaia em faculdade de São Paulo. Seria jocoso se não fosse verdade!

Algumas perguntas ficam no ar (se não despencarem é claro) após episódio tão bizarro.

- O que passa pela cabeça desta molecada?

Engraçado. Ganhar mesada do papai pode. Gastar a mesada com drogas e bebidas pode. Andar feito louco pelo trânsito das grandes cidades pode. Espancar e queimar mendigos, prostitutas e, quem mais cruzar pelo caminho também pode. Mas não pode uma garota usar uma minissaia na faculdade que agride a “moral” da juventude universitária?

Pera aí! Tem alguma coisa muito errada nisso tudo. Ou vivemos em um mundo achincalhado mesmo, ou, as coisas estão todas realmente fora do lugar.

Por hora acho melhor ouvir o Teenage Fanclub que pelo menos não agredia ninguém por usar uma roupa X ou Y.

Sinceramente é o fim da picada! Ou, será o começo?

E o Caetano tinha mesmo razão:

"Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado? São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem?"

E o pior de tudo é que hoje eles nem querem mais tomar o poder. Patético não?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nada Mudou



Glauber Rocha gravou em curta-metragem a posse de José Sarney no governo do Maranhão em 1966.

Engraçado como as cenas de pobreza, abandono, miséria, continuaram se perpetuando ano após ano desde então.

Ironicamente esta é a face mais degradante dessa história.

Tudo o que o governador eleito promete em sua posse foi exatamente aquilo que nunca fez. Em resumo, cinquenta anos passados em branco, o que me faz recordar da letra de Podre Poderes de Caetano Veloso:

“Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...”

E coloca zil anos nisso!

domingo, 26 de abril de 2009

Imagem Refletida




"O tempo é um rato roedor das cousas, que as diminuí ou altera no sentido de lhes dar outro aspeto."
Machado de Assis


De relance, por entre o espelho, pela primeira vez em minha vida eu antevi o caos que denominamos de tempo. Daí a referência acima do longa, “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

Ali à minha espreita o ciclo natural da vida: pai e filho num quase close, em um plano retilíneo nem aberto e, nem fechado.

O espelho de um hospital pode revelar o quanto de humano existe, ou não, dentro de cada um de nós: “eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista/o tempo não pára no entanto ele nunca envelhece”.

E nessa analogia entre tempo, caos, vida e morte, estamos nós, aqui e agora.

“Algumas pessoas nascem para se sentarem à beira do rio. Algumas são atingidas por raios. Algumas tem ouvido para a música. Algumas são artistas. Algumas nadam. Algumas percebem os botões. Algumas conhecem Shakespeare. Algumas são mães. E algumas pessoas... dançam”.

Se ontem fui carregado no colo, talvez agora seja a hora de dar suporte a quem outrora me conduzia.