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domingo, 7 de setembro de 2014

Pelas Sombras



Ela que habitava próximo as trevas, nunca suportou a monotonia dos domingos.
Domingo sim e domingo não, aquele era o único dia da semana em que ela não escrevia suas poesias...
O quadro da família feliz reunida à mesa na espera do almoço da semana, da macarronada eterna da matriarca infinita... Era sua cena preferida para dar inicio ao destrato coletivo...
O vinho era o contraponto da reunião ‘feliz’, pois ele liberava o escape, aquelas palavras que ninguém nunca diz sóbrio, careta... de cara.
Naquele domingo em especial, ela se enfurnou em seu pequeno apartamento, cerrou todas as persianas, ascendeu um cigarro, deu seu trago e resolveu dormir... dormir... dormir... ZZZZZZ
Nunca mais acordou.
Seus domingos nunca mais serão os mesmos, e a possibilidade daquela praia ensolarada com seus filhos ao redor jamais haverá novamente.
Foi num domingo sombrio, que ela partiu.
Vitrola: Portishead - Gloomy Sunday

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Happening


Final de tarde. Num balcão empoeirado de um antigo bar ela ouviu uma voz, a mexer e remexer sentimentos com a intensidade de uma garota adolescente. Sozinha sob o olhar petrificado de um barman ela apenas bebia seu drink, deixando claro que aquele era um ritual de retiro de seu espirito e alma. Um abajur à meia-luz, o som da chuva vindo da porta e o poder daquela voz contando uma história que poderia ser a sua.  

Será que ninguém nunca se sentiu assim antes?

Veio um suspiro e o último pedido:

-Mais um drink e a minha conta por gentileza.

Não houve uma lágrima sequer a macular aquele happening, porque uma frase povoava sua mente:

É preciso coragem para dizer não!


Vitrola: Billie Holiday – I get along without you very well.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Notícias do Céu



Hoje eu acordei meio estranho. Desde cedo percebi que algo novo acontecia em minha vida. Abri os olhos e quando dei por mim estava rodeado por Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e Billie Holiday.

-Estou no céu! Morri! Fui pro beleléu! Bati as botas! Subi!

Foram minhas primeiras palavras ao perceber que o trio que me rodeava eram anjos incumbidos de me receber no paraíso. Não fiquei nem um pouco nervoso, nem poderia com essas vozes me seduzindo eu queria era mesmo ficar nas nuvens eternamente.

Então agora mando noticias do céu aos meus amigos que continuam vivos, respirando, sonhando, brigando, correndo atrás de tantos assuntos triviais, que aqui no paraíso a gente sequer lembra que eles, os problemas, existem. Será que existem mesmo?

Não sei meus caros, mas tudo o que eu sempre quis eu acho que agora encontro aqui...

Sou mais afetivo, menos ansioso, me iludo mais facilmente, me sinto leve, enfim, estou apaixonado com minha nova vida! Me descobri no além vida! Não, não vou comungar de palavras positivas impunemente, eu morri, e percebi que o renascer é sempre mais belo que o simples ato de nascer.

Tenho feito tantas coisas diferentes por aqui que mal tenho tempo para chorar as saudades... Sim, porque a saudade existe mesmo depois que você morre, por exemplo, nenhum morto me tente convencer que não sente falta do ar, das ruas, do clima, do aroma e da beleza de Paris, ou quem sabe do visual bucólico do fim de tarde da histórica Olinda e do frenesi imagético de São Paulo às seis da tarde.

É, de louco todo mundo tem um pouco... Já ouvi estra frase aqui em cima!

Mas o que me prende por hora são as vozes angelicais desse trio, e quando acordar, se é que irei despertar novamente na terra, pensarei que tudo isso não passou de um delírio de alguém que ultimamente anda insone.

Por um lado é uma pena, por outro temo que ainda não esteja totalmente preparado para tanta felicidade em um único e singelo instante.

Sarah Vaughan – Misty (Live 1964)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Eterna Lad Day

O aniversário dela foi ontem, mas só lembrei hoje. Lady Day, assim era chamada pelos fãs Billie Holiday (1915-1959), a voz, a alma.

Teve uma vida atribulada, do mesmo modo que sua voz encantou o mundo. Uma estrela que jamais se apagará.