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sábado, 19 de setembro de 2015

To You


Cenas de “Emotional Maturity” (1957) ao som de “I Know It's Over” dos “The Smiths”.

A Você

Estranho! se, ao passar, você me encontrar e desejar falar comigo, por que não falar comigo?
E por que eu não falaria com você?

To You

Stranger! if you, passing, meet me, and desire to speak to me, why should you not speak to me?
And why should I not speak to you?

Walt Whitman


 Vitrola: The Smiths - I Know It's Over

terça-feira, 30 de junho de 2015

Dor Elegante...


Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Paulo Leminski 


Vitrola: Elton John - But Not for Me

domingo, 14 de junho de 2015

A Conspiração do Poeta


Há nessa noite
mais uma estrela no céu
a somar poesia e canções

e a brilhar
brilhar
brilhar...

Nossas vidas não seriam lindas
Sem a tua poesia
Faça então a travessia
Querido Brant
Até um dia.


Vitrola: Milton Nascimento – Travessia

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Palavras Aladas


“Lord, I kneel and offer you my word on a wing…”

Palavras aladas continuarei a persegui-las...  

Crawl

“ Às vezes, entranhando-me num espelho, consigo dar nele duas ou três braçadas sucessivas”.

Luís Miguel Nava.


Vitrola: David Bowie - Word on a Wing

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Nalgum Lugar


Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
Só uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

Nalgum lugar
ele perdido pára e olha para os lados
atrás e à frente
e como em desespero
percebe, induz, concluí:

-Não há nada neste lugar, nada além de mofo e cansativo aroma...

Suas mãos pequenas
acariciam o vácuo do tempo
apenas uma forma de dizer
que hoje está triste
cinza e mudo para o mundo
apesar do colorido arco-íris
da sensível Dorothy...


Vitrola: Zeca Baleiro – Nalgum lugar

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Amor


Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminski


Prefiro a rima!

sábado, 4 de outubro de 2014

Espelho



“Existe o certo, o errado e todo o resto”. Cazuza
Ás vezes em me sinto como um contêiner lotado
 é minha versão contrabando
 uma liquidação de emoções baratas
em outras sou o vazio
 retraído,
 miúdo,
 batendo lata
jamais consigo encontrar equilíbrio
 e nem poderia:
 sou o olho do furacão,
 o epicentro do terremoto,
 um dândi esquizofrênico
não tenho mais a necessidade
 de causar uma impressão duradoura nas pessoas
 fui arremessado para longe
 não sei se caí em pé
 talvez tenha me retorcido
 fraturado a alma
 agora avisto no espelho
 uma sombra opaca
 talvez seja real
 mas acho mesmo
 que ao ascender a luz
 revelarei eu.
Jonathas Nascimento
Vitrola: Nivandro - Eles
 

 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Canção do vento e da minha vida



Desta vez alguns poetas me acompanham para celebrar a data, para me ajudar a tentar entender o que me aconteceu nos últimos 45 anos...
A ação do tempo sempre me mobilizou, encantou e ao mesmo tempo assombrou:
“O tempo traz
o que você não esperou
nem percebeu
que não volta mais
viveu, passou, /morreu”,
diz Guilherme Arantes em uma de suas mais recentes canções.
Existem alguns séculos separando Guilherme, eu e o poeta Manuel Bandeira,
mas quando leio o poema de Bandeira, logo arregalo os olhos, parece-me tão atual!
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
 
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
 
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
 
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
Manuel Bandeira
O vento que varria os meses, e varria o lindo sorrir, varria às vezes a esperança...
É neste instante que o outro poeta do século passado entra em cena e canta com sua dramaticidade ímpar que me encanta, pois sei sim que sou um ser dramático por natureza:
“Please wait
Don't lose Faith”…
Morrissey me presenteia com sua singularidade poética,
e assim recebo os presentes atemporais, as mensagens de fé e esperança em mais um natal Cármico.
Obrigado meus queridos amigos...
Vitrola: Morrissey - I know It's Gonna Happen Someday
 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Anjos...

Quem dera eu fosse um músico
que só tocasse os clássicos,
a platéia chorando
e eu contando os compassos.
Se eu soubesse agora,
como eu soube antes,
a dança alegórica
entre as vogais e as consoantes!

Paulo Leminski

Acabou! A semana pavorosa... Graças!!!

Alanis canta sobre proteção, acho que estou precisando muito...
O vídeo é uma clara alusão ao longa "Asas do Desejo"...

Salve Berlin!

Vitrola: Alanis Morissette - Guardian



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Dizer


Eu divido contigo a minha angustia e o meu pão...

O Galego sabe bem o que diz...


Vitrola: Otto – Otto - O Que Dirá o Mundo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Sinfonia


Eu quero trinta minutos de vida
Gostaria de aprisionar o tempo
e registrar para sempre
a melodia
de amores
Interrompidos
por aquilo que chamamos
Destino.

Eu quero
Este abrupto silêncio
Que agora cala fundo
Enquanto ouço
Ensurdecidamente
A sinfonia
De Morricone.

Vitrola: Ennio Morricone - Deborah's Theme

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Razão de Ser


Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Paulo Leminski


Vitrola: Vanguart – O Que a Gente Podia Ser

domingo, 3 de novembro de 2013

Assim Falou Paulo...


Um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegasse atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra

Paulo Leminski


Vitrola: Coldplay – Fix You

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Paradiso Love


Será loucura?
já não ouço mais nada além
desse som
dessa música perturbadora
que insiste em me pegar
pelo braço
à meia luz desta noite
ardente
em paz

Ela está tão longe
está tão perto
é grandiloquente
invade os meus poros
me abraça
inunda a minha alma
o meu espirito
arrebata qualquer tristeza
põe no lugar as minhas
pequenas ideias
tinge toda geografia
ao meu redor

estou no chão?
no bosque?
na sala escura?
no divã?
em órbita?
na Lua?
em Marte?
no Gólgota?

não...
definitivamente
não...

A música
parece divina (é)
a própria voz do Deus
é o sonho
é o céu
e eu sinto amor
sinto fé
sinto...
sinto...

sinto que já não sou eu
sou apenas música
e lágrimas

Se alguém pode ouvir a luz
como expressão maior da poesia cósmica
talvez seja isso aqui
essa sinfonia intangível
inexplicável

ouça...
ouça...
apenas ouça
no contraditório
silêncio

Vitrola: Morricone: Gabriel's Oboe (The Mission)/Cinema Paradiso


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Éden


Era vingativa
Arrastava-se como cobra
Num deserto inconsolável
Ofereceu-me um mundo
De belas paisagens
Hesitei
Depois acreditei no amor
Na fé
Na vida
Caímos juntos
Do éden fomos explusos
Agora veja só:

Somos um fim sem começo
O doce azedo
A fruta podre
O filho sem a mãe

A decadência em estado bruto...

Vitrola: Adele – Rolling In The Deep

domingo, 2 de junho de 2013

Espelho



“Existe o certo, o errado e todo o resto”.
Cazuza

Ás vezes em me sinto como um contêine lotado
é minha versão contrabando
uma liquidação de emoções baratas

em outras sou o vazio
retraído,
miúdo,
batendo lata

jamais consigo encontrar equilíbrio
e nem poderia:
sou o olho do furacão,
o epicentro do terremoto,
um dândi esquizofrênico

não tenho mais a necessidade
de causar uma impressão duradoura nas pessoas
fui arremessado para longe
não sei se caí em pé
talvez tenha me retorcido
fraturado a alma

agora avisto no espelho
uma sombra opaca
talvez seja real
mas acho mesmo
que ao ascender a luz
revelarei eu

Vitrola: Suede - Stay Together

domingo, 26 de maio de 2013

Pra Onde Vão Nossas Lágrimas?


Chorar é lindo, pois cada lágrima na face
são palavras ditas de um sentimento calado.

Pessoas que mais amamos, são as que mais magoamos
porque queremos que sejam perfeitas,
e esquecemos que são apenas seres humanos.

Nunca diga que esqueceu alguma pessoa, ou um amor.
Diga apenas que consegue falar neles sem chorar,
porque qualquer amor por mais simples que seja,
será sempre inesquecível...

As lágrimas não doem...
O que dói são os motivos que as fazem caírem!
Não deixe de acreditar no amor,
mas certifique-se de estar entregando seu coração
para alguém que dê valor

aos mesmos sentimentos que você dá,
manifeste suas ideias e planos,
para saber se vocês combinam,
e certifique-se de que quando estão juntos
aquele abraço vale mais que qualquer palavra...

Mario Quintana

Vitrola: Ron Sexsmith – FOOL PROOF


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Parâmetro



Deus é mais belo que eu.
E não é jovem.
Isto sim, é consolo.

Adélia Prado em Parâmetro

Vitrola: Crowded House - Don't Dream It's Over

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Bloodflowers



Robert Smith comete uma de suas melhores letras…
A sombria e linda “Bloodflowers”.

"this dream never ends" you said
"this feel never goes
the time will never come to slip away"
"this wave never breaks" you said
"this sun never sets again
these flowers will never fade"
"this world never stops" you said
"this wonder never leaves
the time will never come to say goodbye"
"this tide never turns" you said
"this night never falls again
these flowers will never die"

never die
never die
these flowers will never die

"this dream always ends" i said
"this feeling always goes
the time always comes to slip away"
"this wave always breaks" i said
"this sun always sets again
and these flowers will always fade"
"this world always stops" i said
"this wonder always leaves
the time always comes to say goodbye"
"this tide always turns" i said
"this night always falls again
and these flowers will always die"

always die
always die
these flowers will always die

between you and me
it's hard to ever really know
who to trust
how to think
what to believe
between me and you
it's hard to ever really know
who to choose
how to feel
what to do

never fade
never die
you give me flowers of love

always fade
always die
i let fall flowers of blood

Vitrola: The Cure – Bloodflowers

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

LUA ADVERSA



Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles

Vitrola: Spirit – Taurus