quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Mistério e beleza


Não tenho mais medo dos meus próprios erros
O tempo é rigoroso com a incerteza
E a vida deve correr naturalmente
Assim como um rio caudaloso
Ora tranquilo, às vezes atribulado
Não podemos nos acomodar em presunções
E jamais esquecer que a maior virtude de um ser humano deve ser
a simplicidade.

Não existe o fruto sem a semente
Não há luar sem a noite
Não existe alegria se não experimentarmos a dor

Existe sim um amanhecer todos os dias
Um novo sopro de vida diariamente
Esse renovar é necessário

Até chegar o findar dos nossos dias...

E segue o mistério da bela “A Whiter Shade Of Pale”.

A Whiter Shade Of Pale – Procol Harum

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

71



Freddie completaria 71 anos no dia 5 de setembro. 
Justas homenagens a eterna voz do Queen.


Queen - We Are The Champions

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Somos apenas números!

E o do título deste post deixou de existir na última sexta-feira, embora a pessoa ao qual o número faz menção continue bem viva!

Para empresas o que valem são os números e ponto.

Nada mais importa; sentimentos; sua opinião; seus reais talentos; nada supera a importância de bater as famigeradas metas, os números; ou você ajuda a manter os privilégios da maioria, ou então é carta fora do baralho.

Dinheiro é tudo!

Portanto, deixei de existir porque não correspondi aos números.

Engraçado mesmo é que por trás das empresas estão pessoas que de um modo, ou, de outro poderiam mudar a perversa ordem mundial das corporações, o sadismo que legitima todas as formas de lucro acima de tudo, e que transformam quase sempre pessoas de carne e osso em números, quase robôs acéfalos e, o pior de tudo é que a maioria no afã da ‘sobrevida’ repetem esses mantras e sempre olham com reprovação para aqueles que atrevem-se a pensar diferente a mesmice reinante.

E assim caminha a desumanidade dessa sociedade doente e a beira do óbito.

“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui”...

Legião Urbana – Índios

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Réquiem


Sonho

Ela estava com câncer. Sabia que iria morrer. Mas não queria morrer. Era muito cedo. Havia muita coisa a ser vivida. Então, teve um sonho. Era um jantar, muitos amigos reunidos, comendo. Aí um garçom dirigiu-se a ela e segurou a borda do seu prato para tirá-lo. Mas ela não terminara ainda! 

A comida estava gostosa. Seu prato estava cheio. Segurou então o prato para impedir que o garçom o levasse. Ela queria comer tudo o que estava no seu prato, até o fim. Houve um momento imóvel: o garçom, decidido a levar seu prato, e ela, decidida a não deixar que ele o fizesse. Passados alguns segundos nesse impasse, ela olhou para o garçom, sorriu, largou o prato e disse: “Pode levá-lo...”. 

Rubem Alves

E assim minha querida tia, Vera Lúcia partiu na madrugada do último dia 19. Sentirei a sua falta, pois é muito estranho não ver mais quem vimos a vida inteira.

Saudades eterna.


Mozart - Réquiem

sábado, 19 de agosto de 2017

Sobre Ratos e Homens


No final desse breve relato, vocês verão que o escritor John Steinbeck tinha razão e convicção no que dizia.

Ando bem de saco cheio do discurso hipócrita e banal, além da lavagem cerebral que o marketing, a administração, e os poderosos do mundo atual despejam por aí, sobretudo dentro das corporações quando falam de mudança, inovação e criatividade.

Balela das grandes! Você acha mesmo que estes vermes capitalistas estão querendo mudar algo de verdade? É óbvio que não! Querem apenas manter o poder e claro aumentarem ainda mais os seus lucros. Para isso precisam da ajuda dos proletários, e como a maioria não consegue ler o mundo, logo embarcam fácil neste discurso.

A tese

Para Bauman, nos dias que correm, “a velocidade de movimento, em particular a velocidade para escapar antes que os pássaros tenham tempo de chegar em casa para se aninharem, é a mais popular técnica de poder”. (Bauman, 2008, p.20).

A revelação

Nesse sentido, a “ideologia da criatividade, da inovação e, portanto, da mudança” parece indicar, em última instância, uma estratégia fantasmática para evitar uma verdadeira mudança, pois é “bem provável que estejamos em uma época na qual somos assombrados por outra fantasia ideológica: a fantasia do corpo inconsistente do capital, que nos leva a uma forma ainda mais astuta de totalitarismo, já que nos cega para o que permanece idêntico no interior dessa disseminação de multiplicidade. Pois a inconsistência pode servir para sustentar uma Ordem que vigora através de sua própria descrença”.

Assisti o belo espetáculo “Sobre Ratos e Homens” e foi inevitável pensar nessa analogia, pois apesar das décadas de distância, o mundo como podemos perceber parece ter mudado de fato, muito pouco.

Se você já se esforçou muito por algo e não conseguiu, não tenha dúvida. Isso funciona assim mesmo, a nossa vez nunca chega, pois sempre precisamos mudar para sermos merecedores de algo. Engraçado, pois para alguns privilegiados, isso jamais acontecerá!

“Os projetos melhor elaborados, sejam de camundongos ou sejam de homens, fracassam muitas vezes e nos fornecem só tristeza e sofrimento, em vez do prêmio prometido”.

John Steinbeck

Obrigado Lenine e George!

Paul Weller - 'Long Long Road'


sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Luiz Melodia, 66


O céu recebeu hoje novas e belas melodias,
e que Luiz espalhe ainda mais alegria pelas bandas de lá...


Luiz Melodia – Pérola Negra, Juventude Transviada e Negro Gato

terça-feira, 1 de agosto de 2017

For All We Know


So baby, love me, love me tonight
Tomorrow was made for some
Oh, but tomorrow
But tomorrow may never, never come
For all we know
Yes, tomorrow may never, never come
For all we know

Certamente às seis da manhã, saberemos se houve, ou não, um amanhã para nós. Depois de anos a fio distantes, sem ao menos um aceno de vida, descobrimos enfim, ainda que tarde, que o amor vence todas as barreiras, mesmo que para isso se faça necessário fingir não sentir tanta tristeza diariamente.

Descortinar
a manhã que pela janela nos avisa
mesmo não acreditando
sim hoje é um novo dia...
  

Alicia Keys - For All We Know

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A Face de Deus


Seminal banda punk brasileira, Inocentes é uma das joias preciosas da música oitentista produzida no país. Batendo de frente contra todo esquema do coronelato da música brasileira, Clemente e cia produziram música vinda da periferia de São Paulo, dos cantos que não eram catalogados, que não tinham um endereçamento postal, vindos das sombras, de onde os olhos das universidades, dos partidos políticos, e da grande mídia faziam vistas grossas.  

A face de Deus

Eu vi a face de Deus
Pichada no muro
Lá longe, na cidade
No seu beco mais escuro
Onde as crianças tomam drogas
Os bêbados se arrastam
Onde Judas perdeu as botas
Onde apagaram o dedo-duro

Eu vi a face de Deus
Pichada no muro
Eu vi

Vi salmos estilhaçados
Que nem caco de vidro
Corações pisoteados
Chorando, pedindo abrigo
Vi cães sufocados
Na câmara de gás
Vi padres assassinados
Por abençoarem Barrabás

Eu vi a face de Deus
Pichada no muro
Ah, eu vi, eu vi
A face de Deus, eu vi

Vi Cristo no pau de arara
Ficou três dias de bico calado
Maria sorriu felizes
Com seu sorriso desdentado
Vi a casa de Noé
Alagada num dilúvio
Eu vi os doze apóstolos
Brigando num trem de subúrbio

Eu vi a face de Deus
Pichada no muro
Eu vi

Eu vi o Menino Jesus
Abandonado numa esquina
Francisco de Assis
Passando cocaína
Vi anjos espatifados
Por não saberem voar
Vi crentes no inferno
Por não aprenderem a rezar

Eu vi a face de Deus
Pichada no muro
Eu vi
Ah! eu vi, eu vi, ah! se vi
A face de Deus, eu vi

Eu vi

Inocentes – A Face de Deus

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Chato FC


E no meio daquele show algumas pessoas nem olhavam para o palco e eu pensava: mas que diabos esses idiotas estão fazendo aqui? Pagaram um show de Moz para ficar olhando a porra de um celular e jogando conversa mole fora enquanto rola uma fascinante apresentação?

Então no refrão Moz solta sua voz e canta:

Este mundo está cheio
Completamente cheio de gente muito chata
E eu devo ser um
Porque nunca ninguém se vira para mim e diz
'Me tome em seus braços
Me tome em seus braços
E me ame'

Enquanto isso na plateia eu apenas assisto e imagino o quanto muita gente me acha um chato tão grande quanto ele...

Na parte seguinte da música Moz e eu nos vingamos de quem é chato de verdade:

O que realmente existe
Por trás das restrições da minha mente?
Poderia ser o mar?
Com o Destino me ultrajando de volta?
Não, são apenas mais pop stars de boca fechada
Mais substanciosos que merda de porco
Nada a transmitir
Eles têm tanto medo de mostrar inteligência
Isso poderia embaçar suas adoráveis carreiras

Este mundo
Eu estou assustado
É projetado para gente muito chata
Eu não sou um
Eu não sou um
Você não entende
Você não entende
E ainda assim você pode
Me tomar em seus braços e me amar
Me amar
E me amar

Me tome em seus braços e me ame
Me ame, me ame
Me tome em seus braços e me ame
Me tome em seus braços e me ame
Você faria
Você faria
O que você gostaria?
Oh oh oh oh oh

Quando termina o show eu já não me lembro mais das trezentas e cinquenta e quatro personas que conheço e são insuportáveis, pois
naquele misero instante em minha cabeça ecoam as canções do cara mais chato do rock, o meu querido Morrissey.

Sou mesmo chato, e daí? Será que apenas eu e Moz estamos certos?
E afinal de contas...

O que realmente existe
Por trás das restrições da minha mente?
Poderia ser o mar?

Bem, isso vocês todos ficarão tentando imaginar e adivinhar.


Morrissey - The World Is Full Of Crashing Bores

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Máquina do Tempo



Finjo não saber que o tempo passa logo
Finjo pra tentar conter a minha dor
Finjo não notar, mas toda noite choro
Choro de saudade do que já se foi

Ah, que bom seria se o tempo voltasse
Pra fazer tudo de novo, meu amor!
É como se a vida nunca acabasse
Reviver os passos seja como for

Lembrar do que foi bom
Mas também quero tropeçar nas mesmas pedras do caminho
Refazer a mesma rota que meu coração traçou

Deixa eu voltar, quero voltar,
Entrar na máquina do tempo é só ilusão, eu sei
Quero voltar, quero viver o mesmo sonho
E de novo encontrar você

*E que em meio as tempestades eu ainda consiga encontrar
eu mesmo
simplesmente como sempre fui...

Flávio Venturini – Máquina do Tempo