A
inspiração de Jamie para esta bela canção não deve ter sido muito diferente da
minha em escrever este post, mas ele é um grande artista e sabe expressar
melhor seus sentimentos, suas criticas, suas ideias.
Talvez
eu não fosse tão bonzinho quanto ele...
If I ruled the world,
Every man would be as free as a bird.
Every voice would be a voice to be heard,
take my word we would treasure each day that occurred
Não
creio que eu deixasse certo tipo de gente cantar livremente como os pássaros, desfrutando da natureza, do que é belo e livre. É preciso desprendimento, equilíbrio, e muito amor para ser Dono do mundo e não
cometer injustiças.
Certo
seria que todos os dias pelo menos durante cinco minutos choveria... água
purifica, limpa, refresca, seduz...
Mas
também nasceriam milhões de rosas de todas as cores em todos os canteiros deste
planeta, do mais simples alcançando os jardins dos palácios de reis e
rainhas... as rosas não falam já dizia Cartola, mas elas simplesmente exalam os
perfumes do amor.
Eis
Jamie exaltando a vida, os sonhos, a vida como ela é, e não é.
Há vozes. Há braços. Há poesia na música de Cullum.
Dias desses passei à tarde na sala escura do cinema. Que delícia!
Assisti dois filmes que ainda não havia curtido na telona.
Hoje falarei de “Gran Torino” (2008) do genial ator e, diretor norte-americano Clint Eastwood. Não perco nenhum de seus filmes desde “The Bridges of Madison County”/As Pontes de Madison (1995), uma pérola da obra de Eastwood.
Neste longa, Clint vive o personagem Walt Kowalski, um polaco-estadunidense veterano da Guerra da Coréia, que tem problemas familiares, realçados após a morte da esposa.
Depois disso ‘Wally’ continua a morar em sua casa, contrariando os desejos dos filhos, que expressam a vontade de que ele vá morar em algum retiro para idosos. A velha questão de como a sociedade ocidental descarta seus anciões.
Kowalski mantém a sua rotina: ele, ex-funcionário da Ford, faz ocasionalmente consertos em residências e suas distrações são saborear uma cerveja na varanda e ir mensalmente ao barbeiro. Não tem amigos nem planos para o futuro.
Sozinho em um bairro do subúrbio de Detroit, nutre antipatia por seus vizinhos asiáticos, xenofobia que ele trouxe da guerra. Kowalski credita aos imigrantes a devastação da economia e do modo de vida estadunidense e não esconde seu desprezo ao ver o filho dirigir uma Toyota, bem como aos vizinhos da casa ao lado da sua.
Sua rotina, no entanto será alterada radicalmente após aproximar-se de dois jovens vizinhos, os irmãos Sue e Thao. Sue lhe introduz à cultura hmong, etnia do Sudeste Asiático da qual faz parte.
Daí em diante assistimos um desdobramento de coragem para retroceder quando descobrimos que estamos errados, fé e fidelidade nos laços de amizade erguidos a partir do autoconhecimento, da abertura a outros olhares e, no prazer em dividir experiências.
Durante a exibição lembrei bastante do meu pai. Compreendi que as dores de uma vida estão enraizadas muitas vezes por falta de um abrigo, de um porto seguro, que a família (que deveria ser esta rocha) em certos momentos desfaz, omite, finge não ver covardemente. A sensação de desamparo deve ser terrível.
“Gran Torino” é um filme comovente, sutil, afetivo, e desafiador para todas as gerações, sobretudo para as mais jovens.
Trilha Sonora Artista: Jamie Cullum Música: Gran Torino