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domingo, 8 de maio de 2016

Das Cinco às Sete


Houve um dia
Aconteceu uma vez
Sabe aquele encontro acidental
Daqueles que assistimos no cinema
Às vezes entregues e embasbacados
Noutras incrédulos e duros na queda:

-Isso é apenas poesia
-É arte somente
-é um charme discreto para tapiar a vida...

Sim existe esse dia
O do acaso
Desses encontros às cegas
Do romance trôpego
Irreal, sedutor
Do imprevisível amor
Do inevitável destino:

Ele avista ela
Seus olhos se cruzam pela primeira vez
Então ele atravessa a rua
E tudo acontece
A vida gera um novo milagre
Uma espécie de magia
Um ponto de partida

E ouvimos então a melodia de Mahler
Que nos enche de esperança
Marejando os olhos e a alma
Nos fazendo sonhar frente a grande tela
Desejando aquilo para a nossa
Tão miúda e frágil vida cotidiana

Sofrida
Sem fé
Sem paz
Sem graça...

Mas não, isso é o cinema
É a ilusão simbólica 
Uma hora tudo acaba
E a nossa vida recomeça de onde paramos

sem encontros das 5 às 7
sem emoções
sem o afeto
sem as palavras
sem vislumbres do céu

Mas sempre tem o porém
O real não dito
O olhar que não foi perdido
O pequeno gesto da criança
O sorrir sem medo
Mostrando os dentes
Desafiando essa vida sem filtros
Com a mesma gana
De quem
Só come uma vez no dia
pois é assim que prosseguimos carregando aquele olhar

Aquele encontro
Aquele acaso
Aquele amor
Pra sempre

Aqui dentro
No silêncio de uma madrugada
Antes que o sol desperte
E ascenda em nossos olhos
o próximo amanhecer.

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Apenas Dor


A aurora quase triunfal
Um dia após a batalha
Como sorrir após a vitória
Enquanto caminho por um campo
Passando por sobre homens mortos
Imaginando que suas famílias agora
Estão despedaçadas
Então
Não existe a vitória
Apenas a dor...

A Sinfonia n°2 de, Gustav Mahler, intitulada – Ressurreição - é uma jóia rara. Nela Mahler Faz uso de grande orquestra, inclusive de músicos nos bastidores, fora do palco, algo não usual.

Nesta sinfonia, a escrita contrapontística de Mahler é um fato que nos prende, hipnotiza. Muitas vezes, o compositor pensa de forma polifônica e é possível seguir a linha de cada conjunto de instrumentos: cada linha é independente, tem um sentido e é indispensável para o todo.

Aqui um pequeno trecho da sinfonia regida pelo Maestro Leonard Bernstein.

Nunca ouvi nada antes mais próximo do que seja uma ressurreição. Malher conseguiu intuir, trouxe uma mensagem poderosa, magnífica sobre o poder da vida e o desespero da ausência dela.

A condução de Leonard Bernstein também é rica, digna da mais pura lágrima, talvez a melhor tradução ao sublime espetáculo da ressurreição de Gustav Mahler.

Vitrola: Bernstein conducting Mahler's 2nd



domingo, 5 de junho de 2011

Animal Tropical



“Só nós, os monges de hoje, sabemos a verdade, mas às vezes dizer a verdade significa acabar na fogueira”.

Anotações para “O nome da Rosa” Umberto Eco

“O essencial para o homem é a liberdade. Interior e exterior. Atrever-se a ser você mesmo em qualquer circunstancia e lugar. A liberdade é como felicidade: não chega nunca. Nunca se completa. É só um caminho”.

Essa é uma frase forte, pelo menos para mim. O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez constrói um romance cru em “Animal Tropical” e nele eu mergulhei sem saber ao certo se cravaria a minha testa em uma pedra, ou me afogaria em aguas profundas.

Falar sobre liberdade é respirar fundo e saber que você ainda está vivo, e bem vivo.

Não me queira prender, porque sou um animal indomável!

Acho que esta seria uma frase que eu alardearia a qualquer insano que por ventura pense que eu sou alguém fácil de lhe dar. Ah! Muito engraçado: por que o mundo inteiro é tão dócil e eu não?

“Eu quis o perigo e até sangrei sozinho”.

“A única coisa que posso fazer sempre, em Estocomo, em Havana, onde for, é construir meu próprio espaço”, isso é lindo!

É a minha verdade, minha clareza, meu grito de alerta, meu hino de liberdade, em suma sou eu, a minha vida. O que mais dói no exercício da liberdade são os sentimentos, e talvez por isso eu já sinta e aviste as labaredas da fogueira.

Trilha Sonora
Artista: Mahler/Regência: Leonard Bernstein
Música: Symphony No. 5,Adagietto

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Rei de Havana visita Veneza



“Só nós, os monges de hoje, sabemos a verdade, mas às vezes dizer a verdade significa acabar na fogueira”.

Anotações para “O nome da Rosa” Umberto Eco

“O essencial para o homem é a liberdade. Interior e exterior. Atrever-se a ser você mesmo em qualquer circunstancia e lugar. A liberdade é como felicidade: não chega nunca. Nunca se completa. É só um caminho”.

Essa é uma frase forte, pelo menos para mim. O escritor cubano Pedro Juan Gutiérrez constrói um romance cru em “Animal Tropical” e nele eu mergulhei sem saber ao certo se cravaria a minha testa em uma pedra, ou me afogaria em aguas profundas.

Falar sobre liberdade é respirar fundo e saber que você ainda está vivo, e bem vivo.

Não me queira prender, porque sou um animal indomável!

Acho que esta seria uma frase que eu alardearia a qualquer insano que por ventura pense que eu sou alguém fácil de lhe dar. Ah! Muito engraçado: por que o mundo inteiro é tão dócil e eu não?

“Eu quis o perigo e até sangrei sozinho”.

“A única coisa que posso fazer sempre, em Estocomo, em Havana, onde for, é construir meu próprio espaço”, isso é lindo!

É a minha verdade, minha clareza, meu grito de alerta, meu hino de liberdade, em suma sou eu, a minha vida. O que mais dói no exercício da liberdade são os sentimentos, e talvez por isso eu já sinta e aviste as labaredas da fogueira. 

Trilha Sonora
Artista: Mahler/Regência: Leonard Bernstein
Música: Symphony No. 5,Adagietto

domingo, 11 de abril de 2010

Som e Fúria



Parece o mar
Em suas ondas oscilantes
Da calmaria à tempestade
Em poucos segundos
Da serenidade à loucura
Som e fúria
Paixão,
Acalanto e desespero
Morte e vida.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Sublime



Parece o mar
Em suas ondas oscilantes
Da calmaria à tempestade
Em poucos segundos
Da serenidade à loucura
Som e fúria
Paixão,
Acalanto e desespero
Morte e vida.

A Sinfonia n°2 de, Gustav Mahler, intitulada – Ressurreição - é uma jóia rara. Nela Mahler Faz uso de grande orquestra, inclusive de músicos nos bastidores, fora do palco, algo não usual.

Nesta sinfonia, a escrita contrapontística de Mahler é um fato que nos prende, hipnotiza. Muitas vezes, o compositor pensa de forma polifônica e é possível seguir a linha de cada conjunto de instrumentos: cada linha é independente, tem um sentido e é indispensável para o todo.

Aqui um pequeno trecho da sinfonia regida pelo Maestro Leonard Bernstein.

Nunca ouvi nada antes mais próximo do que seja uma ressurreição. Malher conseguiu intuir, trouxe uma mensagem poderosa, magnífica sobre o poder da vida e o desespero da ausência dela.

A condução de Leonard Bernstein também é rica, digna da mais pura lágrima, talvez a melhor tradução ao sublime espetáculo da ressurreição de Gustav Mahler.

sábado, 7 de novembro de 2009

Um Apátrida



Gustavo era um homem modesto, um menino adorável. Cresceu assistindo no seio familiar uma guerra quase surda entre os pais.

Água e fogo, doçura e teimosia, viés de um mesmo laço.

Ouvia de longe os sons da banda do quartel militar da esquina, foi o seu primeiro contato com o onírico.

Quando jovem descobriu que não pertencia a lugar algum, apátrida, assim sentia-se no mundo.

Aos poucos percebeu que o caminho estava mesmo ali, na música, que curiosamente seu pai (fogo) lhe incentivara a trilhar.

Conheceu a cidade das catedrais e tantas outras, mas foi na bela Viena que debutou a brilhar em uma carreira profissional. Escreveu sinfonias atemporais e, com elas derrubou antigas fronteiras, abrindo espaço para um novo tempo.

Mas um coração não vive apenas de partituras, então o amor o visitou numa tarde de primavera. Dele duas sementes brotaram e, infelizmente uma sucumbiu anos mais tarde revelando a ele a outra face da dor.

Perambulou por aí, não havia mesmo limites para sua musicalidade – foi quando compreendeu porque na América ‘a época da inocência’ exalava ódio em espécie.

Voltou para casa (mesmo sendo um apátrida) todos temos um lar. Preparou-se para o inadiável encontro final, escrevendo como nunca obras recheadas de humanidade.

Foi quando em 1911 tornou-se definitivamente imortal.