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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Indiferença



A cena bucólica não descola da minha mente...

Andando pela Paulista como alguém que paga suas penitencias em pleno rush, percebo ao lado alguém falando ao telefone. O caminho é longo e a minha impressão é que estou em plena sessão de terapia:

-Estamos dormindo em camas e quartos separados, só eu sei como foi difícil este final de semana! Ainda não contei para a mamãe, vai ser duro, mas é vida...

E a cada quadra o drama parece aumentar, tento fugir apressando os passos, mas o semáforo fecha e logo a voz reaparece:

-Não deu certo, apenas isso, não sei explicar, não tentarei agora compreender nada, nós temos um filho e com certeza ele será o mais afetado nisso tudo...

Nem mesmo o barulho dos automóveis, das vozes ecoando pela avenida, nada me impede de ouvir o drama. Enquanto isso olhando a frente assisto ao ballet de pés e pernas apressados configurando uma dança impetuosa de beleza e desprezo.

Então a voz cala-se, não chega ao começo da avenida, tombou no percurso, sucumbiu em meio à indiferença latente das relações humanas do mundo digital, da tecnologia do afastamento, do não envolver-se, do desapego fatal. Foi como ouvir o lamento de um blues, ou a cronica de um bom country. 

Vitrola: Rolling Stones - Far away Eyes

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Jonathas Dylan



Hoje amanheci Dylan, de corpo e alma, Bob Dylan. Provavelmente o músico mais importante do século 20 por sua influência ainda hoje no cenário do que chamamos música pop. Mas o que seria da tal música popular contemporânea sem a existência de Bob Dylan?

Bem... difícil imaginar, mas com certeza os Beatles não teriam uma segunda metade do seu trabalho tão relevante quanto tiveram depois de compreenderem a essência visceral da obra de Dylan, isso é o mínimo que posso dizer.  

Like a Rolling Stone foi lançada em 1965 no álbum “Highway 61 Revisited”, é a canção onde Dylan consegue traduzir muito de sua inquietação artística, deixa fluir toda sua inadequação ao mundo.

Dylan nasceu em Duluth  e cresceu em Hibbing, ambos no estado de Minnesota, e desde cedo percebeu que ali nada, absolutamente nada o agradava. Foi assim que intuitivamente começou a buscar seu lugar neste mundo de deus, e um dia depois de muitas idas e vindas chegou à Nova Iorque. Seus passos foram constantes na busca por espaço para expressar sua visão sobre o que via cotidianamente nos Estados Unidos e no mundo.  

Woody Guthrie, um artista esquecido que usava um violão com a inscrição “Esta máquina mata fascistas” foi a maior inspiração de Dylan em sua carreira e vida. O fato de encontrar Woody internado em um manicômio acentuou ainda mais seus questionamentos sobre o que era normal, certo ou errado na sociedade consumista, elitista e preconceituosa da América branca do século 20.  

Há um ponto que me agrada muito neste artista: sua indagação sobre qual o beneficio que um artista “alegre” traz para a vida real? 

Entenda-se aqui que o alegre sem critérios, sem questionamentos, onde tudo parece maravilhoso sempre – beira a idiotização, a alienação completa do real, logo, esse artista sem critérios não pode ir além da falta de compromisso e, por isso mesmo que Ivetes, Claudinhas, Luans e etc fazem tanto sucesso neste estágio da sociedade da informação e da falta de conhecimento. Pensar é tudo que a maioria das pessoas não quer fazer hoje em dia quando estão fora de suas jornadas trabalhistas, então “ocupam” suas mentes com o nada, aliás ninguém pode no mundo atual ficar sem fazer nada, o ócio virou crime, e pensar na própria vida idem... Você precisa de entretenimento... é a mensagem constante nos meios de comunicação, redes socias e o escambau a quatro. 
  
Por essas e outras hoje e sempre eu sou Bob Dylan, sem me esconder, deixando mesmo que muitas pessoas me achem chato, emburrado, sei lá  o quê! ah! não sou nada disso, apenas não estou aqui a passeio... 

Jonathas Dylan prazer... ao seu dispor!

Vitrola: Boby Dylan – Like Rolling Stone

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Natureza Selvagem



"Era o modo de lutar dos lobos: atacar e recuar. Mas havia mais do que isso. Trinta ou quarenta huskies correram para o local e rodearam os lutadores em um círculo silencioso e atento. Buck não compreendia o tamanho do silêncio nem o o jeito ávido com que estavam lambendo os beiços."

Lidar com as dores, os percalços e a hostilidade do mundo. Ás vezes somos o personagem inesquecível de Jack London, Buck de o Chamado Selvagem. Noutras podemos ser James Taylor abrindo suas feridas e pequeno motim contra Deus ou a natureza, porque afinal de contas a morte afeta nossa racionalidade mais fria e desmorona qualquer tentativa de não ser humano.

Fogo e chuva, Buck e James, luz e noite, amor e ódio...

É a eterna luta com nossa natureza... humana.

James Taylor - Fire and Rain

terça-feira, 1 de maio de 2012

Abandono



Eu juro que nem sempre que juro estou mentindo.
Mas o fato é que vezenquando as imagens me veem sem controle à essa mente incessante.
O abandono é um ato cruel, revela que nós humanos somos quase sempre desumanos. Essa noite irei pegar as minhas malas, partirei dos meus próprios pensamentos e direi adeus aos meus abandonos. Será que você já disse mais adeus do que eu nesta breve vida?
Queria tanto ter coragem para dizer mais olá! como vai você? entre na minha vida! Estou aqui sem defesas, sem subterfúgios, este sou eu às quatro da manhã. É, tanta sinceridade soaria como suicídio social! Será mesmo?
Então eu sonho que quando chegar este dia estarei passeando por wonderland ouvindo a canção de John Denver e fingindo que não chorei ao lembrar de tantos amigos que já partiram.
O abandono somos eu e você, longe, distante, reclusos, vivendo a não vida.   

John Denver – Leaving On A Jet Plane 







quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Tarde de Primavera Com Norah Jones



No último domingo o show de Norah Jones foi um bálsamo para os ouvidos mais exigentes. A ‘pequena notável’ é uma moça muito simpática, até certo ponto tímida sobre o palco, mas canta como poucas.

O céu carrancudo de São Paulo até deu uma trégua quando Norah apareceu no palco vestindo um mini vestido vermelho e um par de botas marrom. Sua banda é impecável, do rock ao pop, do country ao jazz com direito a toques da tradicional ‘Asa Branca’ de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Tudo meticuloso e com um sabor irresistível de alegria.

Foi um show memorável, apesar da ‘turma’ que foi ao show errado quase ter estragado o clima pacifico da ocasião. A tarde de primavera foi regada a bons sons e, a doçura encantadora de Norah Jones.

Trilha Sonora
Artista: Norah Jones
Música: Man Of The Hour

domingo, 5 de setembro de 2010

Lucinda Williams



Vamos falar de perdas?
Vamos contar os mortos?

Talvez Lucinda Williams seja daquelas artistas que existem para lembrar-nos que para além de qualquer dor existem remédios, caminhos, sutilezas a serem descobertas, apreciadas em nossas vidas.

E lá vai ela com sua voz arrastada soletrando angustias, dor, solidão, mas acima de tudo exalando o perfume da vida.

Trilha Sonora
Artista: Lucinda Williams
Música: World Without Tears (live)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Crepúsculo




A canção “Hurt” do Nine Inch Nail's foi regravada por Johnny Cash em seu derradeiro álbum, “American IV: The Man Comes Around” lançado em 2002.

“Hurt” é o canto do cisne desse homem que em vida lidou com a dor, os vícios, os amores, remando quase sempre contra a maré.

O lamento amargo da canção dá a medida exata do remorso e da falta de sentido em relação à morte, sentimentos que Cash não escondeu no final de sua vida, principalmente, após a perda da sua amada, June, seis meses antes da sua despedida deste planeta ocorrida em setembro de 2003.

O vídeo e a sua interpretação para “Hurt” são comoventes.

A música country nunca mais foi a mesma após Johnny Cash.