sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Valsa Para Lua



Andava trôpego
Feito um notívago
Sozinho à beira-mar
Zunia um vento traiçoeiro
Intrépido ancião
De amores impossíveis

Suas mãos tremulas traziam flores artificiais
Enquanto seu peito carregava o amor de uma mulher
Flutuando acesso na madrugada fria
Ao ponto exato de acalentar a triste dor

Ouviu a valsa
Sonhou com a lua
Transpôs aquela melodia
Na fina areia praiana
Um rabisco
Nada mais
Traços de um rosto aflito
Desfigurado e
Sem afeto

Então dançou lúcido
Abraçado ao oceano
Sob a luz
Incontrolável
Da crescente lua
No avesso do dia
Envolto pelos tons sombrios
A valsa
Encantada
Que dissipa o pavor
Da incompreensão
Da boca que fere a alma
Quando diz:
Não!

As flores imersas
Em súbita maré
A carregar... carregar...
Lentamente...
Vagarosa...

O brilho dos seus olhos
As forças do seu corpo
A beleza do seu amor
Em direção às profundezas
Do lugar onde habita
A solidão dos poetas
Disfarçada
Em pequenos trechos
De notas musicais
Marteladas por um piano
Torpe,
Singelo,
Capataz da noite fria
Que
Beija
Acaricia
Comunga e
Tripudia
O fortuito encontro
Entre a magnitude lunar
E o rodopiar da valsa...
...Feroz...
...Urgente...
Como quem relutante
Trancafia a emoção
Num quarto acanhado
Escuro
Esquecido
Vazio
Longe o bastante da lua
Perto demais
Do frágil coração.


By Jonathas Nascimento ®  
By Jonathas Nascimento ®
Direitos autorais reservados lei 9.610 de 19/02/98


Trilha Sonora
Artista: Vítor Araújo
Música: Valsa Para a Lua

2 comentários:

Junkie Careta disse...

Meu amigo querido decididamente decidiu soltar a veia poética e ser o homem de mim faces! Multi-tudo!
Seu amigo retorna com o blog Junkie Careta e te convida para dar uma checada quando tiver um tempinho e deixar o seu comentário inteligente. No post, falo sobre o ser mais maravilhoso da face da terra, segundo uma famosa publicação Inglesa e também endossada por esse anônimo blogueiro metido a colunista cultural.

Grande abraço

Jonathas Nascimento disse...

Nivandro,

Só pode ser o Morrisey...

Abraços,