Nesse mundo
tecnológico do século 21 as pessoas sempre estão correndo atrás do ‘prejuízo’.
O lançamento “revolucionário” de ontem, já caducou hoje! Acho incrível a
relação da maioria das pessoas (pelo menos das quais eu conheço) com essa corrida
fadada sempre ao infortúnio, ao já era, ao impossível ser hoje, apenas e tão somente hoje, sem a doentia ansiedade pelo amanhã.
Outro dia
alguém me disse que o Brasil precisa ser que nem os Estados Unidos mais
consumista, pois lá todo mundo consome muito e a sociedade é mais democrática.
Ok, mas o
problema é que a maioria da nação apoia o conservadorismo, o anacronismo de um sistema puído, gasto, carcomido, e que apenas preserva o status quo
reinante desde Cabral por essas terras, não vejo ninguém engajado na
distribuição de renda, por exemplo, apenas para citar um tema necessário e
relevante fora do top trends das redes sociais, ou das pautas viciadas dos noticiários
dos telejornais.
A mesma
pessoa que deseja mais consumo, não partilha da ideia de uma distribuição mais
justa das riquezas do país para uma camada maior de nossa população, ao
contrário, suas atitudes sociais e politicas são sempre excludentes, logo o
consumo continuará sendo para poucos afortunados, sabichões, a vanguarda
caquética da nação.
Por outro
lado a mídia capenga dissemina para as massas somente fenômenos, jamais em
tempo algum aprofunda alguma discussão, afinal é assim que a Rede Globo
continuará ditando o que deseja, e escondendo o que não deseja informar aos
seus consumidores.
O mesmo
defensor do consumismo desenfreado, é aquele que culpa apenas o governo atual
pela criminalidade nas grandes cidades do país e, não perde a oportunidade de
dizer em alto em bom som:
-Isso não
acontece nos Estados Unidos! Não acontece na Europa! Só acontece aqui no
Brasil!
Que espanto
não!
Acontece sim
meu caro, mas bem menos, pois lá ouve em algum momento da história lutas
sociais, guerras civis, que possibilitaram uma igualdade maior aos povos
daquelas terras, não foi nada conquistado em clima de paz, como apregoam muitos
por aqui. O problema por lá é outro, não queira ser, por exemplo, um imigrante africano na França, ou mesmo um brasileiro na Espanha.
No final das
contas a quem interessa a tal paz que a capa da revista "Isto é" dessa semana defende? Aos de sempre é evidente. Nesse sentido sou um árduo defensor da
guerra, do debate, de se por em xeque modelos que já caducaram e que apenas
aumentaram o fosso social deste país...
Ouvi Chico
César cantando esse quase repente, colocando o dedo na ferida, apertando
bastante até sangrar...
A vida no
Brasil vai muito além das lentes coloridas das novelas, telejornais e afins.
Canta Chico,
muita gente precisa ouvir, mesmo que seja apenas para chamá-lo de comunista de última hora.
Vitrola:
Chico César – Reis do Agronegócio
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