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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Antônio , um poeta

 



Antônio Cícero partiu! 

Suas poesias e letras estarão por aqui, guardadas em nossas almas... 


VIRGEM

As coisas não precisam de você Quem disse que eu Tinha que precisar As luzes brilham no Vidigal E não precisam de você Os Dois Irmãos Também não precisam O Hotel Marina quando acende Não é por nós dois Nem lembra o nosso amor Os inocentes do Leblon Esses nem sabem de você O farol da Ilha Só gira agora Por Outros olhos e armadilhas Outros olhos e armadilhas Eu disse Outros olhos e armadilhas Outros olhos (outros olhos) E armadilhas O Hotel Marina quando acende Não é por nós dois Nem lembra o nosso amor Os inocentes do Leblon Não sabem de você Nem vão querer saber E o farol da Ilha Procura agora Por outros olhos e armadilhas Outros olhos e armadilhas Eu disse outros olhos e armadilhas Outros olhos (outros olhos) E armadilhas As coisas não precisam de você

Virgem - Marina Lima/Antônio Cícero

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Just a Normal Day



São Paulo, mais de 11 milhões de pessoas
e eu aqui sozinho neste quarto...

Vou contar enfim neste cantinho da web qual é a minha melhor auto definição:

Eu sou um best seller do fracasso!

Gostaram?

É mais um dia normal lá fora e, se ligar a tv ouvirei apenas notícias de tragédias, da violência das ruas, da corrupção, dos infortúnios alheios...

E daí?

Ninguém afinal está mesmo importando-se com o meu retumbante e solitário, fracasso...

Cantem “meninos”, suas vozes e sua melodia combinam tanto com a minha melancólica tristeza da meia idade.

Boa noite.

Supertramp "Just a Normal Day"



sábado, 19 de agosto de 2017

Sobre Ratos e Homens


No final desse breve relato, vocês verão que o escritor John Steinbeck tinha razão e convicção no que dizia.

Ando bem de saco cheio do discurso hipócrita e banal, além da lavagem cerebral que o marketing, a administração, e os poderosos do mundo atual despejam por aí, sobretudo dentro das corporações quando falam de mudança, inovação e criatividade.

Balela das grandes! Você acha mesmo que estes vermes capitalistas estão querendo mudar algo de verdade? É óbvio que não! Querem apenas manter o poder e claro aumentarem ainda mais os seus lucros. Para isso precisam da ajuda dos proletários, e como a maioria não consegue ler o mundo, logo embarcam fácil neste discurso.

A tese

Para Bauman, nos dias que correm, “a velocidade de movimento, em particular a velocidade para escapar antes que os pássaros tenham tempo de chegar em casa para se aninharem, é a mais popular técnica de poder”. (Bauman, 2008, p.20).

A revelação

Nesse sentido, a “ideologia da criatividade, da inovação e, portanto, da mudança” parece indicar, em última instância, uma estratégia fantasmática para evitar uma verdadeira mudança, pois é “bem provável que estejamos em uma época na qual somos assombrados por outra fantasia ideológica: a fantasia do corpo inconsistente do capital, que nos leva a uma forma ainda mais astuta de totalitarismo, já que nos cega para o que permanece idêntico no interior dessa disseminação de multiplicidade. Pois a inconsistência pode servir para sustentar uma Ordem que vigora através de sua própria descrença”.

Assisti o belo espetáculo “Sobre Ratos e Homens” e foi inevitável pensar nessa analogia, pois apesar das décadas de distância, o mundo como podemos perceber parece ter mudado de fato, muito pouco.

Se você já se esforçou muito por algo e não conseguiu, não tenha dúvida. Isso funciona assim mesmo, a nossa vez nunca chega, pois sempre precisamos mudar para sermos merecedores de algo. Engraçado, pois para alguns privilegiados, isso jamais acontecerá!

“Os projetos melhor elaborados, sejam de camundongos ou sejam de homens, fracassam muitas vezes e nos fornecem só tristeza e sofrimento, em vez do prêmio prometido”.

John Steinbeck

Obrigado Lenine e George!

Paul Weller - 'Long Long Road'


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Deprê...


Eu olho o atropelo das pessoas no metrô
E não entendo nada
Pra onde vão com tanta pressa
O que pretendem com esse ritmo
Alcançar o céu?
Rastejarem pelos subterrâneos de SP?
Não sei, sob a ótica da deprê
Não consigo entender quase nada
É só mais um dia
Preciso de uma dose de Lexapro...

A Cia. Das Letras acaba de lançar um diário escrito por Renato Russo  - “Só Por Hoje e Para Sempre - Diário do Recomeço”. O livro é composto por escritos de Renato durante sua internação na Clinica Vila Serena no Rio de janeiro em 1993 e, esses textos  são parte integrante do tratamento.

Ali a gente entende que o ser humano de fato cria as suas mascaras para sobreviver, mas lá no fundo é possível encontrar a alma, mesmo que doente revelando outros quadros, ainda intactos.

Renato Russo estava enfim na busca de sua sanidade, lutando pra valer contra o que lhe afligia e o perturbava. A coincidência é que eu mesmo adoraria neste instante encontrar uma espécie de “Vila Serena” para dar um tempo em tudo e cuidar da minha própria alma, mas que não nasce rico não pode ser dar a esse luxo, então a “Vila Serena” pode ser um vagão do metro combalido da histérica São Paulo, os famoso trilhos da esperança...

A depressão não poupa ninguém, menos ainda quem já possuí um histórico anterior.
O que muda são as percepções com o tempo e, desta vez resolvi não pagar pra ver, fui logo atrás de ajuda, reconhecendo a minha incapacidade de lutar contra esse monstro sozinho, o que já é um alento.

Olhando as letras que Renato compôs logo após seus 29 dias de tratamento, é possível atestar o quanto essa busca lhe fez bem, embora na época uma boa parte da critica tenha torcido o nariz para o conteúdo, mas e daí, cada um sabe onde aperta o calo.

Renato nos anos seguintes a sua internação produziu certamente dois discos emblemáticos e que provam o quanto essa redescoberta lhe proporcionou benefícios:

O belíssimo “The Stonewall Celebration Concert” (1994) é o primeiro disco solo de Renato Russo, gravado entre fevereiro e março de 1994. Interpretado totalmente em inglês, foi uma homenagem aos vinte cinco anos da Rebelião de Stonewall em Nova Iorque. Seus royalties foram doados para a campanha do sociólogo Betinho na campanha contra a fome daquele ano.

Em 1995 ele lança “Equilibrio Distante"  segundo álbum solo cantado em italiano, uma homenagem a sua família, quase um pedido de desculpa pelos anos de terror que suas atitudes causavam ao seio de sua família nuclear.

Sem dúvida que essa leitura trará alguns contrapontos e outros olhares, exatamente em um momento delicado, porém a vida seguirá em frente de um jeito, ou, de outro.


Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais)

Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.

Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez)


Vitrola: Legião Urbana – Vinte e Nove

domingo, 14 de junho de 2015

A Conspiração do Poeta


Há nessa noite
mais uma estrela no céu
a somar poesia e canções

e a brilhar
brilhar
brilhar...

Nossas vidas não seriam lindas
Sem a tua poesia
Faça então a travessia
Querido Brant
Até um dia.


Vitrola: Milton Nascimento – Travessia

domingo, 1 de março de 2015

Fall


Estamos no final de março, e podemos observar lá embaixo sobre a metrópole, que o outono chegou...

Dói um pouco
Depois um pouco menos
Mesmo assim ainda é dor...

No final de tarde Mari suspira enquanto caminha sozinha pela rua. Observa que as flores vão desaparecendo dos canteiros, bem como, das árvores centenárias da grande avenida, ao mesmo tempo em que as folhas secas e avermelhadas vão espalhando-se pelo chão da cidade num colorido que anuncia o início do outono.

É uma tarde cinzenta e de frio, por isso seus passos são curtos e rápidos, há pressa de alcançar a estação mais próxima do metro, e ela ainda espera pelo milagre do efeito das gotas de Buscopan, na esperança que aquela dor chata simplesmente cesse.

Ao passar pela porta do “The Mills” uma lanchonete ali do bairro, ela escuta “Georgia On My Mind” de Ray Charles, isso de cara remete suas lembranças ao seu ex-namorado - Akira, que naquela hora provavelmente está bem longe dali, vivenciando seus primeiros dias em Xangai, na China, para onde foi estudar Mandarim.

De qualquer jeito, não serão aquelas gotas do remédio que irão cicatrizar sua angústia por ter recusado seguir com Akira até Xangai, e da mesma maneira que todas as folhas das arvores da cidade cairão ao longo do outono, seu sorriso será escasso e raro durante o restante do ano.

Vitrola: Curtis Fuller - 'Five Spot After Dark'



Vitrola: RAY CHARLES - Georgia On My Mind

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Após o Anoitecer


O escritor japonês Haruki Murakami adora contar seus romances tendo como fundo uma trilha sonora ambientada em gêneros como o jazz, o rock, e muzaks que tocavam em elevadores mundo a fora entre as décadas de 60 a 80.

Em “After Dark” – Após o Anoitecer não é diferente, contando estórias de jovens que perambulam pela noite de Tókio em vez de procurarem suas camas para uma noite de descanso.

Aqui dois momentos musicais dos livros do escritor e corredor japonês natural de Kyoto. Neste caso a coincidência é que essas canções são ouvidas no som ambiente da cadeia de restaurantes de Tokyo intitulada “Dennys”. 

É ali que a jovem Mari irá iniciar a sua notívaga e inesperada aventura.

Vitrola: Burt Bacharach - The April Fools




Vitrola: Go Away Little Girl - Percy Faith

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Palavras Aladas


“Lord, I kneel and offer you my word on a wing…”

Palavras aladas continuarei a persegui-las...  

Crawl

“ Às vezes, entranhando-me num espelho, consigo dar nele duas ou três braçadas sucessivas”.

Luís Miguel Nava.


Vitrola: David Bowie - Word on a Wing

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Charme e Mistério


Aproveitando as férias de fim de ano, um momento bacana para recarregar as baterias já arriadas após um ano produtivo, mas duro e exigente.

Como um passe de mágica me encontrei finalmente com “Maneira de Ser”, o livro de Marina Lima, uma de minhas artistas mais queridas, adoro tudo nela, da sua voz, de suas composições, de suas ideias e entrevistas, a seu corpo, é paixão daquelas... 

E pensar que um dia a pouco tempo atrás durante um evento ela sentou-se bem ao meu lado e eu não percebi, quando dei fé... já era, ela trocou de assento e foi sentar ao lado do Bruno Barreto! Ah! Jonathas... Ah! Jonathas só você mesmo!!!!

Mas saboreando seus escritos vou me deparando com a minha própria vida, pois reflexões não existiriam se não fosse para apropriação indébita mesmo.

Sua timidez, sua angustia desde cedo, sua necessidade de isolamento por vezes, olha Marina eu conheço alguém bem parecido com você, alguém que também poderia ser um artista, talvez não tão talentoso, mas inventivo com certeza.

E assim eu vou curtindo meus primeiros dias de ‘liberdade’ criativa, ouvindo e lendo Marina e fazendo dessa vida algo mais que um sonho irreal, insano, tedioso.

O mundo possuí seu charme, basta a gente olhar os detalhes com olhos aguçados e curiosos, sem preconceito, sem muitos filtros... É isso por enquanto!

“Tudo o que eu quero, sério... É todo esse mistério!”.

Vitrola: Marina Lima – Charme do Mundo



domingo, 3 de novembro de 2013

O Mundo de Lou


Não, não…
não venham me dizer senhores donos do sistema
que este mundo esta cada vez mais cor de rosa,
alegre, com lazer pra dar e vender e pouco, muito pouco a se pensar!

Não,
Lou,
o mundo cinza monocromático ainda existe,
e suas personagens sombrias
nos traziam o contraponto dessa alegria idiotizante, cafona e sem temperos...

De fato o mundo não será perfeito
menos ainda sem as suas letras e a sua voz
grave e aguda,
oscilando o ápice do pico
e o apogeu da realidade mais cruel das noites da metrópole,
daquelas que nenhum telejornal nunca nos mostrará
pois afinal eles não gostam muito das verdades
dessa vida.

O mundo é cada vez mais da alegria sem sentido
E isso curiosamente é ruim, chato e aborrecedor.

Lou, meu camarada... boa viagem!

Vitrola: Perfect Day - Lou Reed And Artist


sábado, 9 de março de 2013

Mais Parágrafos



Em meus anos mais juvenis e vulneráveis, meu pai me deu um conselho que jamais esqueci:
- Sempre que você tiver vontade de criticar alguém - disse me ele - lembre-se de que criatura alguma neste mundo teve as vantagens de que você desfrutou.

O GRANDE GATSBY - F. SCOTT FITZGERALD

Vitrola: Ellie Goulding - The Writer

sexta-feira, 8 de março de 2013

Primeiro Parágrafo



Eu tinha 37 anos e estava a bordo de um Boeing 747. A imensa aeronave descia atravessando nuvens carregadas de chuva, preparando-se para aterrissar no aeroporto de Hamburgo. Sob a chuva fina e fria de novembro, tingindo a terra de um tom escuro, tudo se revestia do ar melancólico das paisagens retratadas nas pinturas da escola de Flandres: os operadores de terra em capas impermeáveis, a bandeira no mastro em cima da sóbria construção do aeroporto, um outdoor da BMW. Alemanhã, eis-me de volta, pensei.

NORWEGIAN WOOD - HARUKI MURAKAMI

Vitrola: Laura Nyro- Wedding Bell Blues

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sem Memória



Um homem sem memória é um homem sem passado. Mas um homem que não sabe fantasiar é um homem sem futuro. 

Albert Camus

Prontidão é sempre estar alerta
mesmo que hoje não seja
the last day of the world

Eu sou um estrangeiro decidido
a desvendar e poetizar
o por que do brilho em teu olhar?

Não, não, não!
Jamais haverá consenso entre nós
pois não sou teu
nem tu és minha
logo é fácil perceber
que metade do que esboço, intento e falo
não flui e fica pelo chão.

Não tente teclar aquele piano
nossa música está gasta e muda
o som é de parafina
é um instante desconcertante
o qual lembra-me
daquele silêncio ofegante
do pós ato de amor. 

Vitrola: Lô Borges e Samuel Rosa - Clube da Esquina nº 2

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Julieta Sem Romeu



Já conheci tantos Romeus e tantas Julietas. Alguns foram muito felizes durante certo tempo, terminando suas histórias em péssimo astral, cada qual em seu canto como num ringue de boxe.

Outros tantos, no entanto nunca tiveram uma história feliz para contar, restando-lhes apenas a sofreguidão de noites solitárias e conselhos intermináveis de tios, tias, pais e mães e, até de amigos.

Mas foi outro dia que atravessando aquela avenida que sai do nada e desemboca em pleno centro de Shangri-la que avistei a Julieta mais bela que pude apreciar em toda minha vida...

Num esforço de traquejo e ousadia tentaria dizer a ela:

-Julieta, não espere muito tempo por seu Romeu. Talvez ele, nunca chegue, talvez ele nem exista, mas pense bem, você existe e isso é o que mais importa agora.

Então ouça a canção e relaxe, Romeu pode ser um estado de espirito, ou pode ser a razão inversa de sua ansiosa felicidade.

Vitrola: Dire Straits – Romeo and Juliet

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sociedade da Informação e sem Conteúdo



Houve um tempo (e foi longo) em que as mulheres não podiam ler, eram mantidas analfabetas, então naquela época ler um romance era um ato de rebeldia de insubordinação, de inconformidade com o estado das coisas ditas naturais. Ler representava correr risco de morte!

E pensar que hoje em dia a literatura é muitas vezes deixada para trás. As pessoas preferem o ‘fakebook’, a televisão e suas burrices, ou mesmo preferem apenas jogar uma droga de um videogame, é a dita sociedade da informação, mas poderia ser chamada de sociedade infantiloide. 

Meus cabelos irão crescer novamente em um mês, mas as mesmas pessoas continuarão fugindo de qualquer coisa que seja mais profunda do que uma piscina Regan, porque não podemos parar e pensar, pensar, pensar... é proibido e dói. Com certeza irão gastar seu tempo e dinheiro com a mediocridade, com as asneiras culturais plantadas pela Rede Globo, por Hollywood, etc...

Azar! Vamos dançar enquanto o mundo não acaba de vez!

Vitrola: Mumford and Sons - The Cave

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dance, dance, dance



“Acordo. Onde estou? Reflito. Não só reflito, como também me questiono: - Onde estou? – No entanto, esta pergunta não tem nenhum sentido, pois sei exatamente qual é a resposta. Aqui é a minha vida. O cotidiano da minha existência. Algo subordinado à existência real denominada eu. Aqui é um lugar em que, tendo eu aprovado ou não certas ocorrências, fatos e circunstâncias, elas se tornaram parte de minha existência...”.

Em Dance, Dance, Dance (1988) Haruki Murakami descreve uma aventura criativa “pop kafkiano” ambientada em um hotel estranho e, onde a relação entre suas personagens (também estranhas) é entremeada com o universo do rock e da música pop do século 20. De Paul Mauriat à Duran Duran, passando por Dylan, Clapton, Bowie, Human League, etc.

O leitor vaga pelos corredores, quartos, recepção e outros recantos do Hotel dos Golfinhos numa engenhosa e cativante estória que aos olhos do leitor sugere rotinas, dados e pinceladas do cotidiano nosso de cada dia, seja Londres, Tóquio, BH, sampa ou Bombaim.

Como vivo entre um hotel e outro, tendo a estrada como ponte entre universos distintos, me agrada muito a percepção sutil e humorada do escritor maratonista.

O escritor japonês é um dos meus favoritos por identificação e admiração pessoal. “Tenho três coisas que me ajudam...

-um gato, música e livros. (isso é singelo). Belo!

Além do mais o cara ainda é maratonista, eu também corro, não maratonas, mas gosto de ouvir o meu corpo em ação.


Na vitrola: Bob Dylan - It's all over now baby blue

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sem Surpresas



Era uma sexta-feira daquelas em que clamamos a todos os santos pela providencial chegada da segunda-feira.

Afrouxei a gravata e adentrei no elevador sem muita pressa. Ganhei o rumo da rua – um solitário sonhador em meio ao rush da Avenida Paulista, mais um na multidão, perdido na procissão dos pecadores da seis da tarde com um nó enorme preso na garganta.

Um vento frio vindo a leste batia contra o meu rosto e a garoa caía formando um balé esfumaçado junto às luzes na fria noite paulistana, enquanto meu mp3 executava “No Surprises” do Radiohead.

A cena parecia melancólica – ainda mais com o eco das buzinas de carros e motos no sentido da Consolação, mas não existe consolo algum no anonimato solitário da metrópole.

Era tudo que eu buscava naquela noite, um antidoto contra a indiferença, ante a monotonia cotidiana de nossos pequenos e colossais dilemas existenciais.

Radiohead - No Surprises

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Natureza Selvagem



"Era o modo de lutar dos lobos: atacar e recuar. Mas havia mais do que isso. Trinta ou quarenta huskies correram para o local e rodearam os lutadores em um círculo silencioso e atento. Buck não compreendia o tamanho do silêncio nem o o jeito ávido com que estavam lambendo os beiços."

Lidar com as dores, os percalços e a hostilidade do mundo. Ás vezes somos o personagem inesquecível de Jack London, Buck de o Chamado Selvagem. Noutras podemos ser James Taylor abrindo suas feridas e pequeno motim contra Deus ou a natureza, porque afinal de contas a morte afeta nossa racionalidade mais fria e desmorona qualquer tentativa de não ser humano.

Fogo e chuva, Buck e James, luz e noite, amor e ódio...

É a eterna luta com nossa natureza... humana.

James Taylor - Fire and Rain

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Não Ando Só



“O homem é um cadáver adiado”.

Fernando Pessoa

"O ser humano inventou a linguagem para satisfazer a sua profunda necessidade de se queixar."

Lily Tolina

"As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades."

Millôr Fernandes

"Quem não vê bem uma palavra, não pode ver bem uma alma".

Fernando Pessoa

Bon Iver - Skinny Love