Suas poesias e letras estarão por aqui, guardadas em nossas almas...
VIRGEM
As coisas não precisam de você
Quem disse que eu
Tinha que precisar
As luzes brilham no Vidigal
E não precisam de você
Os Dois Irmãos
Também não precisam
O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Esses nem sabem de você
O farol da Ilha
Só gira agora
Por
Outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse
Outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas
O Hotel Marina quando acende
Não é por nós dois
Nem lembra o nosso amor
Os inocentes do Leblon
Não sabem de você
Nem vão querer saber
E o farol da Ilha
Procura agora
Por outros olhos e armadilhas
Outros olhos e armadilhas
Eu disse outros olhos e armadilhas
Outros olhos (outros olhos)
E armadilhas
As coisas não precisam de você
No final desse breve
relato, vocês verão que o escritor John Steinbeck tinha razão e convicção no
que dizia.
Ando bem de saco cheio do
discurso hipócrita e banal, além da lavagem cerebral que o marketing, a
administração, e os poderosos do mundo atual despejam por aí, sobretudo dentro
das corporações quando falam de mudança, inovação e criatividade.
Balela das grandes!
Você acha mesmo que estes vermes capitalistas estão querendo mudar algo de
verdade? É óbvio que não! Querem apenas manter o poder e claro aumentarem ainda
mais os seus lucros. Para isso precisam da ajuda dos proletários, e como a
maioria não consegue ler o mundo, logo embarcam fácil neste discurso.
A tese
Para Bauman, nos dias
que correm, “a velocidade de movimento, em particular a velocidade para escapar
antes que os pássaros tenham tempo de chegar em casa para se aninharem, é a
mais popular técnica de poder”. (Bauman, 2008, p.20).
A revelação
Nesse sentido, a
“ideologia da criatividade, da inovação e, portanto, da mudança” parece
indicar, em última instância, uma estratégia fantasmática para evitar uma
verdadeira mudança, pois é “bem provável que estejamos em uma época na qual
somos assombrados por outra fantasia ideológica: a fantasia do corpo
inconsistente do capital, que nos leva a uma forma ainda mais astuta de
totalitarismo, já que nos cega para o que permanece idêntico no interior dessa
disseminação de multiplicidade. Pois a inconsistência pode servir para
sustentar uma Ordem que vigora através de sua própria descrença”.
Assisti o belo
espetáculo “Sobre Ratos e Homens” e foi inevitável pensar nessa analogia, pois
apesar das décadas de distância, o mundo como podemos perceber parece ter
mudado de fato, muito pouco. Se você já se esforçou muito por algo e não conseguiu, não tenha dúvida. Isso funciona assim mesmo, a nossa vez nunca chega, pois sempre precisamos mudar para sermos merecedores de algo. Engraçado, pois para alguns privilegiados, isso jamais acontecerá!
“Os projetos melhor
elaborados, sejam de camundongos ou sejam de homens, fracassam muitas vezes e
nos fornecem só tristeza e sofrimento, em vez do prêmio prometido”.
A Cia. Das Letras
acaba de lançar um diário escrito por Renato Russo - “Só Por Hoje e Para Sempre - Diário do
Recomeço”. O livro é composto por escritos de Renato durante sua internação na
Clinica Vila Serena no Rio de janeiro em 1993 e, esses textos são parte integrante do tratamento.
Ali a gente
entende que o ser humano de fato cria as suas mascaras para sobreviver, mas lá
no fundo é possível encontrar a alma, mesmo que doente revelando outros
quadros, ainda intactos.
Renato Russo
estava enfim na busca de sua sanidade, lutando pra valer contra o que lhe
afligia e o perturbava. A coincidência é que eu mesmo adoraria neste instante
encontrar uma espécie de “Vila Serena” para dar um tempo em tudo e cuidar da
minha própria alma, mas que não nasce rico não pode ser dar a esse luxo, então
a “Vila Serena” pode ser um vagão do metro combalido da histérica São Paulo, os
famoso trilhos da esperança...
A depressão
não poupa ninguém, menos ainda quem já possuí um histórico anterior.
O que muda
são as percepções com o tempo e, desta vez resolvi não pagar pra ver, fui logo
atrás de ajuda, reconhecendo a minha incapacidade de lutar contra esse monstro
sozinho, o que já é um alento.
Olhando as
letras que Renato compôs logo após seus 29 dias de tratamento, é possível
atestar o quanto essa busca lhe fez bem, embora na época uma boa parte da
critica tenha torcido o nariz para o conteúdo, mas e daí, cada um sabe onde
aperta o calo.
Renato nos anos
seguintes a sua internação produziu certamente dois discos emblemáticos e que
provam o quanto essa redescoberta lhe proporcionou benefícios:
O belíssimo “The
Stonewall Celebration Concert” (1994) é o primeiro disco solo de Renato Russo,
gravado entre fevereiro e março de 1994. Interpretado totalmente em inglês, foi
uma homenagem aos vinte cinco anos da Rebelião de Stonewall em Nova Iorque.
Seus royalties foram doados para a campanha do sociólogo Betinho na campanha
contra a fome daquele ano.
Em 1995 ele
lança “Equilibrio Distante" segundo álbum
solo cantado em italiano, uma homenagem a sua família, quase um pedido de
desculpa pelos anos de terror que suas atitudes causavam ao seio de sua família
nuclear.
Sem dúvida
que essa leitura trará alguns contrapontos e outros olhares, exatamente em um
momento delicado, porém a vida seguirá em frente de um jeito, ou, de outro.
Estamos no final de março, e podemos observar lá embaixo sobre a metrópole, que o outono chegou...
Dói um pouco
Depois um pouco menos
Mesmo assim ainda é dor...
No final de tarde Mari suspira enquanto caminha sozinha pela
rua. Observa que as flores vão desaparecendo dos canteiros, bem como, das
árvores centenárias da grande avenida, ao mesmo tempo em que as folhas secas e
avermelhadas vão espalhando-se pelo chão da cidade num colorido que anuncia o início
do outono.
É uma tarde cinzenta e de frio, por isso seus passos são
curtos e rápidos, há pressa de alcançar a estação mais próxima do metro, e ela ainda
espera pelo milagre do efeito das gotas de Buscopan, na esperança que aquela
dor chata simplesmente cesse.
Ao passar pela porta do “The Mills” uma lanchonete ali do
bairro, ela escuta “Georgia On My Mind” de Ray Charles, isso de cara remete
suas lembranças ao seu ex-namorado - Akira, que naquela hora provavelmente está
bem longe dali, vivenciando seus primeiros dias em Xangai, na China, para onde
foi estudar Mandarim.
De qualquer jeito,
não serão aquelas gotas do remédio que irão cicatrizar sua angústia por ter
recusado seguir com Akira até Xangai, e da mesma maneira que todas as folhas
das arvores da cidade cairão ao longo do outono, seu sorriso será escasso e
raro durante o restante do ano.
O escritor japonês Haruki Murakami
adora contar seus romances tendo como fundo uma trilha sonora ambientada em gêneros
como o jazz, o rock, e muzaks que tocavam em elevadores mundo a fora entre as décadas
de 60 a 80.
Em “After Dark” – Após o Anoitecer
não é diferente, contando estórias de jovens que perambulam pela noite de Tókio
em vez de procurarem suas camas para uma noite de descanso.
Aqui dois momentos musicais dos
livros do escritor e corredor japonês natural de Kyoto. Neste caso a coincidência
é que essas canções são ouvidas no som ambiente da cadeia de restaurantes de
Tokyo intitulada “Dennys”.
É ali que a jovem Mari irá iniciar a sua notívaga e
inesperada aventura.
Aproveitando
as férias de fim de ano, um momento bacana para recarregar as baterias já
arriadas após um ano produtivo, mas duro e exigente.
Como
um passe de mágica me encontrei finalmente com “Maneira de Ser”, o livro de Marina
Lima, uma de minhas artistas mais queridas, adoro tudo nela, da sua voz, de
suas composições, de suas ideias e entrevistas, a seu corpo, é paixão
daquelas...
E pensar que um dia a pouco tempo atrás durante um evento ela
sentou-se bem ao meu lado e eu não percebi, quando dei fé... já era, ela trocou
de assento e foi sentar ao lado do Bruno Barreto! Ah! Jonathas... Ah! Jonathas só você mesmo!!!!
Mas
saboreando seus escritos vou me deparando com a minha própria vida, pois
reflexões não existiriam se não fosse para apropriação indébita mesmo.
Sua
timidez, sua angustia desde cedo, sua necessidade de isolamento por vezes, olha
Marina eu conheço alguém bem parecido com você, alguém que também poderia ser
um artista, talvez não tão talentoso, mas inventivo com certeza.
E
assim eu vou curtindo meus primeiros dias de ‘liberdade’ criativa, ouvindo e
lendo Marina e fazendo dessa vida algo mais que um sonho irreal, insano, tedioso.
O
mundo possuí seu charme, basta a gente olhar os detalhes com olhos aguçados e
curiosos, sem preconceito, sem muitos filtros... É isso por enquanto!
“Tudo o que eu quero, sério... É todo esse mistério!”.
Em
meus anos mais juvenis e vulneráveis, meu pai me deu um conselho que jamais
esqueci:
-
Sempre que você tiver vontade de criticar alguém - disse me ele - lembre-se de
que criatura alguma neste mundo teve as vantagens de que você desfrutou.
Eu
tinha 37 anos e estava a bordo de um Boeing 747. A imensa aeronave descia
atravessando nuvens carregadas de chuva, preparando-se para aterrissar no
aeroporto de Hamburgo. Sob a chuva fina e fria de novembro, tingindo a terra de
um tom escuro, tudo se revestia do ar melancólico das paisagens retratadas nas
pinturas da escola de Flandres: os operadores de terra em capas impermeáveis, a
bandeira no mastro em cima da sóbria construção do aeroporto, um outdoor da
BMW. Alemanhã, eis-me de volta, pensei.
Já
conheci tantos Romeus e tantas Julietas. Alguns foram muito felizes durante
certo tempo, terminando suas histórias em péssimo astral, cada qual em seu
canto como num ringue de boxe.
Outros
tantos, no entanto nunca tiveram uma história feliz para contar, restando-lhes
apenas a sofreguidão de noites solitárias e conselhos intermináveis de tios,
tias, pais e mães e, até de amigos.
Mas
foi outro dia que atravessando aquela avenida que sai do nada e desemboca em
pleno centro de Shangri-la que avistei a Julieta mais bela que pude apreciar em
toda minha vida...
Num
esforço de traquejo e ousadia tentaria dizer a ela:
-Julieta,
não espere muito tempo por seu Romeu. Talvez ele, nunca chegue, talvez ele nem
exista, mas pense bem, você existe e isso é o que mais importa agora.
Então
ouça a canção e relaxe, Romeu pode ser um estado de espirito, ou pode ser a
razão inversa de sua ansiosa felicidade.
Houve
um tempo (e foi longo) em que as mulheres não podiam ler, eram mantidas
analfabetas, então naquela época ler um romance era um ato de rebeldia de
insubordinação, de inconformidade com o estado das coisas ditas naturais. Ler
representava correr risco de morte!
E
pensar que hoje em dia a literatura é muitas vezes deixada para trás. As
pessoas preferem o ‘fakebook’, a televisão e suas burrices, ou mesmo preferem
apenas jogar uma droga de um videogame, é a dita sociedade da informação, mas
poderia ser chamada de sociedade infantiloide.
Meus
cabelos irão crescer novamente em um mês, mas as mesmas pessoas continuarão fugindo de qualquer coisa que seja mais profunda do que uma piscina Regan,
porque não podemos parar e pensar, pensar, pensar... é proibido e dói. Com certeza
irão gastar seu tempo e dinheiro com a mediocridade, com as asneiras culturais
plantadas pela Rede Globo, por Hollywood, etc...
Azar!
Vamos dançar enquanto o mundo não acaba de vez!
“Acordo.
Onde estou? Reflito. Não só reflito, como também me questiono: - Onde estou? –
No entanto, esta pergunta não tem nenhum sentido, pois sei exatamente qual é a
resposta. Aqui é a minha vida. O cotidiano da minha existência. Algo
subordinado à existência real denominada eu. Aqui é um lugar em que, tendo eu
aprovado ou não certas ocorrências, fatos e circunstâncias, elas se tornaram
parte de minha existência...”.
Em
Dance, Dance, Dance (1988) Haruki Murakami descreve uma aventura criativa “pop
kafkiano” ambientada em um hotel estranho e, onde a relação entre suas personagens
(também estranhas) é entremeada com o universo do rock e da música pop do
século 20. De Paul
Mauriat à Duran Duran, passando por Dylan, Clapton, Bowie, Human League, etc.
O
leitor vaga pelos corredores, quartos, recepção e outros recantos do Hotel dos
Golfinhos numa engenhosa e cativante estória que aos olhos do leitor sugere
rotinas, dados e pinceladas do cotidiano nosso de cada dia, seja Londres, Tóquio, BH,
sampa ou Bombaim.
Como
vivo entre um hotel e outro, tendo a estrada como ponte entre universos
distintos, me agrada muito a percepção sutil e humorada do escritor
maratonista.
O
escritor japonês é um dos meus favoritos por identificação e admiração pessoal.
“Tenho três coisas que me ajudam...
-um
gato, música e livros. (isso é singelo). Belo!
Além
do mais o cara ainda é maratonista, eu também corro, não maratonas, mas gosto
de ouvir o meu corpo em ação.
Na vitrola: Bob Dylan - It's all over now baby blue
Era
uma sexta-feira daquelas em que clamamos a todos os santos pela providencial chegada
da segunda-feira.
Afrouxei
a gravata e adentrei no elevador sem muita pressa. Ganhei o rumo da rua – um
solitário sonhador em meio ao rush da Avenida Paulista, mais um na multidão,
perdido na procissão dos pecadores da seis da tarde com um nó enorme preso na garganta.
Um
vento frio vindo a leste batia contra o meu rosto e a garoa caía formando um
balé esfumaçado junto às luzes na fria noite paulistana, enquanto meu mp3
executava “No Surprises” do Radiohead.
A
cena parecia melancólica – ainda mais com o eco das buzinas de carros e motos
no sentido da Consolação, mas não existe consolo algum no anonimato solitário
da metrópole.
Era
tudo que eu buscava naquela noite, um antidoto contra a indiferença, ante a
monotonia cotidiana de nossos pequenos e colossais dilemas existenciais.
"Era
o modo de lutar dos lobos: atacar e recuar. Mas havia mais do que isso. Trinta
ou quarenta huskies correram para o local e rodearam os lutadores em um círculo
silencioso e atento. Buck não compreendia o tamanho do silêncio nem o o jeito
ávido com que estavam lambendo os beiços."
Lidar
com as dores, os percalços e a hostilidade do mundo. Ás vezes somos o
personagem inesquecível de Jack London, Buck de o Chamado Selvagem. Noutras
podemos ser James Taylor abrindo suas feridas e pequeno motim contra Deus ou a
natureza, porque afinal de contas a morte afeta nossa racionalidade mais fria e
desmorona qualquer tentativa de não ser humano.
Fogo
e chuva, Buck e James, luz e noite, amor e ódio...