The
U.S. vs. John Lennon é um documentário que mostra o lado ativista do casal John
Lennon e Yoko Ono. Nesse documentário existem imagens do músico juntando milhares de
pessoas para protestar contra a Guerra do Vietnã e, ainda uma suposta tentativa
do governo do escroto Richard Nixon de espionar Lennon e calá-lo a qualquer
preço.
O embate do casal Lennon e Yoko contra a Guerra do Vietnã obviamente incomodou
toda a indústria armamentista americana e seus defensores. Aqui fica claro uma coisa: Alguns artistas são apenas artistas, outros transcendem e colocam seus nomes no seleto rol de seres humanos que enxergam para além do vil metal e seu conforto, sua conformação social, lutam por ideias e sonhos que não são apenas seus.
Perto
do final ouve-se a bela “How”, uma canção de Lennon que sempre apreciei, mas só
agora pude compreender o seu real enredo. A morte de John Lennon deixou este
planeta menos sábio, por isso mesmo acho que cada lágrima vertida durante este
ótimo documentário foi válida.
Ontem à noite eu sonhei com John Lennon. No sonho Lennon me dizia angustiado:
-Parem com as armas! Parem com a destruição do planeta! O que vocês estão fazendo com este lindo planeta meu jovem?
Eu tentava dialogar com o beatle sobre a dificuldade de se conter a indústria armamentista americana; da impossibilidade de se frear o discurso truculento e expansionista de Mr. Bush. Lennon então se virou em minha direção e indagou:
- Quem é esse Mr. Bush?
De pronto respondi:
-Lennon, ele é o atual presidente dos EUA!
-Você tem certeza?
-Infelizmente sim!
-Me fale mais das ações dele enquanto presidente da América.
Foi aí que meio cabisbaixo John sacou o seu violão e tentou tocar Imagine, mas aborrecido preferiu parar logo nos primeiros versos.
-Não consigo! Fica melhor ao piano, mas o meu teclado celestial ficou preso na alfândega terrestre! Caramba, o mundo anda complicado hein meu jovem?
Foi quando percebi que estávamos sentados em algum lugar de Nova York, quando de repente surpreso Lennon bradou:
-Mas onde estão as Torres Gêmeas meu caro? Derrubaram elas para construir um parque? Puxa, isso é muito bacana! Ainda temos esperança para mudar este mundo meu rapaz!
Sem querer desapontá-lo pedi para que ele me ouvisse por alguns instantes:
Foram cincos longos minutos onde apenas o informei das transformações dos últimos 27 anos (Lennon morreu assassinado em 8 de dezembro de 1980).
Enigmático, um tanto pálido e bem triste o lendário músico apenas sorriu e disse:
- “Os anos passaram tão depressa! Uma coisa eu entendi. Estou apenas aprendendo a distinguir as árvores da lenha. Eu sei o que vem aí”.
Sem pestanejar e lamentando que ali em frente ao Edificio Dakota apenas eu podia escuta-lo, Lennon ao violão cantou a sua mais famosa canção:
“Imagine que não existe paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
E acima apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje
Imagine não existir países
Não é difícil de fazê-lo
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz
Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só
Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse
Sem necessidades e fome
Uma irmandade humana
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo
Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só”.
Ao final ele me deu um aperto de mão cortês, fitou os olhos naquela calçada de tristes lembranças suspirou e disse:
- “Há lugares dos quais vou me lembrar por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado. Alguns para sempre, e não para melhor.
Alguns se foram e outros permanecem. Todos esses lugares tiveram seus momentos com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar. Alguns estão mortos e outros estão vivendo. Em minha vida, já amei todos eles”.
É hora de ir! Pelo que vejo tenho muitos outros sonhos para visitar, fique em paz simpático brasileirinho e leve consigo duas coisas que acho que continuam valendo para este planeta chamado terra:
“Fico orgulhoso de ser o palhaço neste mundo em que as pessoas ditas sérias estão matando e destruindo nas guerras como a do Vietnã (Iraque/terrorismo)"
“Quando fizeres algo nobre e belo e ninguém notar, não fique triste. Pois o sol toda manhã faz um lindo espetáculo e no entanto, a maioria da platéia ainda dorme...”.
Quando acordei tive a sensação clara que no mundo conturbado onde vivemos, a diferença entre os Lennons e os Hitlers residem tão somente na fé! A fé que move e transforma vidas; e a descrença que corroí e destrói a natureza e o próprio homem! Talvez isso...
Desejo sonhar esta noite, com pais que amam seus filhos; com filhos que amam e respeitam seus pais. Não gostaria mais de ouvir noticias trágicas de pessoas que jogaram uma criança do sexto andar. Nem de bandidos que arrastaram no asfalto um menino preso a um carro.
Tampouco de homens que amarram bombas junto ao próprio corpo para em sacrificio ‘santo’ levarem consigo tantos inocentes.
"Todos nós temos nossas máquinas de tempo. Algumas nos levam de volta, elas são chamadas recordações. Algumas nos levam adiante, elas são chamadas sonhos." (Jeremy Irons). *
Todas as citações exceto * pertencem a letras e declarações de John Winston Lennon, (1940 – 1980).
Escrevi este texto há alguns anos atrás. Penso que por ser tão ingênuo chega a ser belo, então resolvi posta-lo neste espaço.
Sean Lennon é um artista consistente. Fã confesso da musicalidade brasileira e do emprego da tecnologia na música atual, o cantor passeia entre o folk e, o pop-rock sempre com pitadas comedidas de aparato eletrônico.
“Dead Meat" é uma canção acústica doce extraída do seu mais recente álbum, "Friendly Fire" (2006). O registro acima é uma apresentação do músico norte-americano no Programa “Late Show” de David Letterman.
Além de bela, a canção traz uma pequena orquestra acompanhando Sean, o piano é singelo e confere a canção um ar frágil, sutil e, sensível.
O bom humor do moço também chama a atenção na parte final de sua participação no “Late Show” quando é indagado sobre o ‘sentido’ da letra de “Dead Meat”.