desenhado,
tatuado e inserido na minha face, no meu espirito.
Eu
penso que comigo nasceu o cinza do outono
A
chuva do inverno parisiense, a paisagem desolada do jardim de Luxemburgo às 8
da manhã.
E
foi daqui de dentro que brotaram a garoa e os ventos gélidos à margem do Sena
em plena segunda-feira à noite,
Eu
me sinto tal um barco pairando pela noite do rio
Sem
destino e sem obrigação de ser colorido.
Não
faz mal
amanhã
é outro dia,
provavelmente
igual ao de hoje
cinza...
não tem jeito...
eu
sou cinza!
E
daí?
Alguém
encontrou aquelas canetinhas coloridas das décadas de 70 e 80 por aí?
Eu
gastei todas as tintas na minha infância, se alguém acha-las, por favor, me
empreste, é que eu queria apenas desenhar uma casinha, uma arvore e uma pessoa
com um bocadinho de cor.
Então é outra sexta-feira e minhas memórias voaram até Whitney Houston. Me veio à cabeça essa canção, bonita, de batida marcante, e a voz agora ausente da cantora presente.
Como já se não bastasse ser atropelado pelos endinheirados e seus carros horrorosos e beberrões de gasolina nas ruas e calçadas do país, agora teremos que ficar olhando para dos dois lados na praia. E pior, as crianças como a pequena Grazielly Almeida Lames, não terão mais o direito de conhecer o mar, de ter um contato saudável com a natureza em paz.
Democracia para quem? Pergunto eu. Alguma coisa está muito errado nisso tudo.
A força do dinheiro não deveria substituir o direito das pessoas de qualquer classe social de ir a uma praia e curtir um dia de folga.
Para completar os covardes, o filho (na minha opinião uma outra vítima) e os pais (os reais responsáveis), fugiram de helicóptero do condomínio para ricos (geralmente idiotas que não respeitam ninguém) de Bertioga onde estavam passando o carnaval.
Semana passada houve um grande estardalhaço pelo julgamento de Lindenberg Alves (um rapaz pobre diga-se), o assassino de Eloá Pimentel, até a juíza do caso pegou carona nos holofotes da mídia para aparecer mais do que deveria. (ridícula)
Duvido muito que neste caso da inocente Grazielly haja tal comoção midiática. Enfim é o Brasil, e não venham me dizer que não sou brasileiro, sou sim infelizmente e, por isso mesmo tenho o direito de expressar a minha inquietude com o que vejo diariamente.
O que quero é apenas paz, respeito e dignidade a todos sem que a grana tenha um peso indevido sobre tudo isso.
Às vezes a vida é irremediavelmente cruel, e o fim pode ser trágico, melancólico, ou simplesmente, cruel mesmo.
Fiquei sabendo apenas na hora do almoço e preferia continuar sem a terrível noticia.
Whitney Houston embarcou sem destino, foi embora aos 48 anos, depois de passar o que enfrentou nesta vida, seu corpo sucumbiu ao estresse frenético, à gangorra implacável do show bussiness. Enfim ninguém é de aço, nem mesmo o super-homem. Nem mesmo eu, ou você aí do outro lado, a vida nos pesa, nos cobra de diversas maneiras, dia após dia.
Pensar no seu desaparecimento é algo devastador para quem vive a desvendar os meandros da música, da pop art.
A única fonte de consolo nisso tudo é tão somente ouvir sua voz ecoando aqui nos meus ouvidos, como fiz ontem logo cedo enquanto me dirigia para um curso de fotografia, e justamente ouvindo a trilha sonora do seu filme de maior sucesso, “The Bodyguard” (1992), uma infeliz coincidência certamente.
Whitney preciso apenas corrigir: você não está sem destino, “você está voando para os braços do Pai!”.
Um dos grandes sucessos de Whitney Houston "I Have Nothing", que fez parte da trilha sonora do filme O Guarda-Costas (1992), o qual protagonizou junto com Kevin Costner. A balada também foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original.
Do fundo do baú...
Trilha Sonora Artista:Whitney Houston Música: I Have Nothing
Eu confesso: adoro histórias redentoras! Essa moça merece menção honrosa depois de tudo pelo que passou em sua vida.
Whitney Houston, 46, é mais uma sobrevivente entre nós e, não está mais perdida na ilha de “lost”, venceu com muita garra e amor próprio.
Sua carreira parecia decididamente sepultada, sua vida pessoal deteriorada, tudo após anos de intenso sucesso. Aí veio a decadência, o poço das drogas, a escassez de grana, faltaram-lhe os “amigos” que a rodearam enquanto ainda havia a tal fama. Bem, essa história todo mundo já conhece.
Penso um pouco em como é difícil inverter o sentimento de dúvida que depois de um fracasso paira sobre nós. Ninguém mais acredita em você e, geralmente você mesmo é o primeiro a questionar sua capacidade. Por isso, superação é algo que conquistamos com fé e muita luta diária.
E Whitney está de volta com disco novo, vida nova, ótimas canções pop como "Million Dollar Bill", um pop disco dançante, um refrão saboroso, enfim uma delícia sonora.
Para abrir a sexta-feira com cara de alegria, vida. E como diz um amigo meu ‘muito otimista’: só faltam três dias para segunda-feira! Então aproveitem bem o final de semana.