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domingo, 28 de junho de 2020

Nina



“Se eu fosse um garoto, não importaria tanto, mas sou uma garota e estou diante do público o tempo todo para que possam zombar e me aprovar ou desaprovar”. Nina Simone

Assisti dia desses o longa sobre Nina Simone, não sei se gostei ou não, enfim isso não importa muito. O talento dessa mulher é o que sempre me fascinou... 

As intrigas sobre o filme, inclusive é o de menos, de brigas e discussões o Brasil está repleto e eu de saco cheio pelos próximos vinte longos anos, Bolsonaro e seus seguidores, todos podres e insanos quase levaram a sensibilidade da minha alma pro espaço...

Nina Simone cantando “Wild Is The Wind” vale muito mais do que qualquer teoria política, aqui é alma, pele, sentimentos, honestidade, dores, angustias e muita luta por sua raça, seu povo, sua verdade.

Sobre a arrebatadora interpretação alguém cunhou muito apropriadamente sobre…

“Tão pessoal e íntima, ela se apega a cada palavra e sua imperfeição proposital e vibrato trêmulo dão a essa música um desespero como nenhum outro. Seu piano floresce embaixo da melodia, fornece a aura de turbilhões emocionais que entram e saem, indo e voltando, crescendo e diminuindo. Uma verdadeira obra de arte de talento virtuoso que só aparece uma vez em uma geração. Senhora Simone, que sua voz e essa música continuem eternamente”.

Liberdade para Nina Simone era não ter medo algum!

Obrigado Nina!

Nina Simone – “Wild Is The Wind”

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Modern Times



“Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. ”


Charles Spencer Chaplin


Na cena final, eles caminham por uma estrada ao amanhecer, em direção a um futuro incerto, mas esperançoso. Quantas vezes em minha vida já me senti andando por essa estrada, mas sempre tenho a nítida certeza, de que sou indigno para tal. Afinal de contas, não sou nem Ellen e tampouco Carlitos...

Smile - Charles Chaplin

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Um deus humanizado


Porque a vida é sim muita dor,
Solidão e algumas
pequenas e esparsas alegrias...

E se você ouvisse alguém dizer que não cometeu suicídio na fase mais sombria de sua vida, apenas porque se estivesse morto não poderia mais beber.

O que você faria?

Bem, eu ficaria quieto, pois cada um sabe o tamanho e a profundidade da sua dor, de suas incapacidades, traumas, impotência frente a problemas e muros que a vida nos impõe diariamente, enfim cada um de nós convive com sua própria tragédia pessoal e, infelizmente não há muito como fugir disso.

A frase em questão foi de Eric Clapton, no auge de sua depressão e alcoolismo. Sim parece difícil acreditar que alguém tão talentoso e sensível artisticamente possa um dia ter dito isso.

Nem tanto, afinal o artista quando sofre parece sofrer mais do que nós, levando a fundo a carga pesada do sofrimento.

Após um hiato de alguns anos sem gravar e nem realizar shows, o guitarrista ressurgiu durante os anos 70 para registrar talvez a melhor fase de sua música. Com o seminal Derek And The Dominos gravou um disco pra lá de bonito, repleto de canções marcantes como a lindíssima Bell Bottom Blues e a antológica e inesquecível Layla.

Anos mais tarde Eric passaria por mais uma tragédia pessoal com a morte prematura de seu então único filho, Conor de quatro anos.

Um pouco dessas referencias e historias estão retratadas no documentário "Life In 12 Bars", sobre a vida pessoal desse gênio das guitarras, que faz questão de não dissociar seu trabalho e talento de seus momentos dolorosos, prestando deste modo um relevante serviço a quem imagine por ventura que a vida de um artista esteja imune a um cotidiano repleto de dissabores, dificuldades e até mesmo trágicas passagens nada glamorosas.

Clapton é humanizado como pouco vezes o cinema conseguiu, gerando sem dúvida uma empatia direta com o público, fãs ou não de sua maravilhosa obra artística.    


Derek And The Dominos - Bell Bottom Blues

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Minha avó é uma Highlander



Passando alguns dias e noites com a minha avó paterna no hospital, nada mais justo a alguém que um dia me acolheu em sua casa com tanto carinho e cuidado.

Acho que conheci a minha vó em 1975, 76, quando ela tinha uns 54 anos, e ao contrário do que aquele fedelho com 6 para 7 anos pensava e achava em seu mágico universo, ela não parecia alguém velha assim!

Era muito comum naqueles anos incríveis, que qualquer adulto com mais de 40 anos aparentasse ser um ancião com muita rodagem e preste a bater as botas, deveras engraçado lembrar disso hoje em dia e, o que será que o meu filho pensa então sobre este ancião de cabelos já bem grisalhos?

Dona Raimunda, carinhosamente chamada de Dona Nenê, havia deixado a sua bela Fortaleza (CE) para encarar duas noites e dois dias de ônibus na estrada, eram os tempos em que a elite nacional
não queria ver todo mundo viajando de avião, bem isso não mudou muito é verdade, pois o Brasil é pródigo em preconceito social e acumulação de renda por uma nefasta minoria.

Enfim, a minha avó sempre fez parte da maioria, tendo uma vida difícil, viúva cedo precisou logo trabalhar muito duro para conseguir sustentar e dar educação aos seus dois filhos, que depois virariam três.

Sua visita aos filhos e netos na metrópole São Paulo, incluía um ritual divertido de pregar peças nos netinhos. Acho que ela se divertia muito, talvez até mais do que os cinco irmãos do clã Nascimento.
Funcionou, pois cá estou eu recordando de suas travessuras.

Olhando para ela agora em um leito hospitalar, consigo perceber que seu codinome sempre fez jus a sua maneira de encarar este mundo, com sua simplicidade e muito bom humor, o que incomodava de certa maneira muitas pessoas que não a conheciam a fundo.

Sua longevidade é ancestral, já que sua tia mais querida, Maria e sua mãe Cecília (um nome lindo) faleceram aos 97 anos. Tive o privilégio de conhecê-las e de vivenciar em loco o último ano da minha bisavó, encontrando-a em sua cama sem respirar numa manhã ensolarada de Setembro de 1989.

Quem quer viver para sempre?, pergunta Freddie nessa que é a canção tema do longa “Highlander – O guerreiro imortal” de 1986, no vídeo em um dos últimos shows de Freddie com o Queen.

Dona Nenê conheceu muitas pessoas neste último século, assistiu a muitos nascerem e perdeu as contas de tantas outras que partiram dessa dimensão. Não deve ser tanto agradável assistir a um desfile só de idas da sua turma inteira e mais um pouco, enquanto seu corpo teima em seguir em frente desafiando o inexorável tempo.

Talvez a sua receita de longevidade tenha vindo de sorrir mesmo quando tudo conspira contra seus desejos e razões, além de certa dose de um bom e retumbante deboche.

Em mais uma internação vai ficando evidente que ela se prepara aos poucos para se desconectar dessa vida, porém sem perder o riso e a leveza de sempre e, não vamos esquecer que ela é uma autêntica guerreira Highlander.

Queen – Who wants to Live forever

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Ser Invisível? Vantagem?


Eu desconfiarei sempre daqueles que torcem o nariz para filmes como “A Vantagem de ser invisível” (The Perks of Being a Wallflower, 2012), direção de Stephen Chbosky, e por uma simples razão: a vida não pode ser resumida a futilidades, embora essa combine com a grande maioria dos seres humanos deste pobre planeta, mas enfim, nunca fui mesmo da turma dos populares em ambiente algum, o que me deixa muito à vontade.

"Nós aceitamos o amor que pensamos merecer".

Esse talvez seja um dos motes da película, e irá sem dúvida mobilizar a sua personagem central - Charlie (Logan Lerman), em sua busca pelo amadurecimento na juventude.

Um garoto que já tão jovem luta contra a depressão e procura sentido para algumas perdas em sua curta vida. Então surgem os amigos inesperados, mas que farão companhia a Charlie durante esse processo, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), um trio em atuação belíssima, diga-se. 

O sentido das descobertas na juventude, o valor real de uma amizade, tudo isso cativa e, nos induz a refletir mais sobre nossos jovens, sobretudo para quem já é pai e mãe.

De bônus ainda recebemos um presente, uma trilha sonora memorável, presente nas principais cenas, e também naquelas que serão esquecidas.
New Order, L7, Cocteau Twins, Sonic Youth, The Smiths, Pavement, e o inesquecível David Bowie com sua não menos eterna “Heroes”.  Fica então a dica!

I don't wanna stay at your party
I don't wanna talk with your friends
I don't wanna vote for your president
I just wanna be your tugboat captain

It's a place I'd like to be
It's a place I'd like to be
It's a place I'd like to be
It's a place I'd be happy

Galaxie 500 - TugBoat



David Bowie - Heroes

quarta-feira, 24 de maio de 2017

00moore


Roger Moore partiu ontem aos 89 anos. 

Eterno 007. 




Duran Duran - "A View To A Kill"

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Carrossel


Eu olhava aquele carrossel abandonado
Tão belo e inspirador...
Vasculhava então as minhas lembranças
Jogadas na lixeira cerebral há muito tempo atrás ...

Alguém passando por ali parou, olhou e disse em voz alta:

-Que lindo este carrossel! Lembra a minha infância.

Mas, hoje em dia as pessoas querem mesmo é andar na montanha russa, virarem de ponta cabeça e depois vomitarem...

Emoções tão baratas dominam este mundo vil
Onde o singelo cedeu espaço a pirotecnia ilusória...

Parece já estar na hora de restaurar a minha memória
Rode novamente o lindo carrossel!


Half Moon Run – Warmest Regards

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Gene Wilder


Gene Wilder partiu hoje, deixando este plano ainda mais sem graça e com menos humor (se é que isso é possível). Gene foi um ator inesquecível para toda uma geração em papeis como Willy Wonka da primeira versão de "A Fantástica Fábrica de Chocolates", ou mesmo o atrapalhado Theodore Pierce de “A Dama de Vermelho”, apenas para citar duas de suas inúmeras personagens cômicas.

A cena abaixo é nostálgica e permanece lúdica e bela, e a canção virou um hino cult.


Gene Wilder – "Pure Imagination"


segunda-feira, 27 de junho de 2016

As Montanhas de Salzburgo



Quando Julie Elizabeth Andrews surgiu cantando The Sound Of Music pelas belas montanhas de Salzburgo, na Áustria, ninguém imaginaria que 50 anos depois aquelas memoráveis cenas fossem recordadas pela própria indústria cinematográfica.

Esse longa lançado em 1965 continua encantando crianças e adultos, e suas adaptações para o teatro continuam ganhando novas versões a cada nova temporada.


Aqui a justa homenagem durante a cerimônia do Oscar de 2015, que curiosamente foi apresentada pela musa deste blog.

The Sound Of Music - Lady Gaga

domingo, 5 de junho de 2016

Andrew Beckett e Maria Callas - Cenas e Sons de nossas vidas


Cena do longa de Jonathan Demme “Filadélfia” (1993), e música cantada pela voz imortal de Maria Callas, a combinação não poderia dar em outra coisa, a não ser em uma cena memorável. 

Abaixo uma resenha assinada por Bia Abramo em 1994.

"Filadélfia" combate preconceito com didatismo e honestidade
BIA ABRAMO
DA REDAÇÃO


"Filadélfia" não foi levado muito a sério pela crítica quando entrou em circuito comercial. Foi agraciado com adjetivos como convencional e preconceituoso.
O grande mérito do filme tem origem justamente no que foi apontado com seu defeito principal. Jonathan Demme acertou na mosca em fazer um filme "careta", que tem como recurso dramático básico uma das formas mais caras e consagradas do cinema americano –o filme de tribunal. O fato é que "Filadélfia" consegue tratar com justiça e de forma didática um assunto espinhoso.
A luta do advogado homossexual Andrew Beckett (Tom Hanks, Oscar de melhor ator em 93) para provar que foi demitido por ser soropositivo expõe os preconceitos em relação aos gays, mostra o estigma relacionado a Aids e revela as dificuldades que as minorias enfrentam para garantir os seus direitos básicos.

O didatismo –por cálculo ou por limitação estética–, funciona para atrair e seduzir um público avesso ou mesmo simplesmente envergonhado. O segundo lugar na pesquisa Datafolha (veja quadro nesta página) parece confirmar essa hipótese –retirar um vídeo na locadora é um ato mais anônimo do que ir ao cinema para assistir um filme que pode ser considerado "gay" no senso comum.
Outro truque eficiente de Demme foi a escolha de um ator negro (Denzel Washington) para interpretar o advogado de defesa Joe Miller. É de sua boca que saem algumas das frases mais duras (e uma das piadas mais bem-humoradas também) sobre a opção sexual de Beckett. Só um negro –ou seja, também membro de uma minoria– pode ser tão politicamente incorreto no país que inventou as patrulhas da correção.

Claro que exibir uma pessoa (neste caso, o ator-símbolo do homem comum americano) definhando de uma doença tão devastadora como a Aids proporciona terreno fértil para pieguice e Demme não faz esforço combate isso. Mas é menos importante do que a honestidade de mostrar.
Detalhe: a trilha sonora, com "Streets of Philadelphia", de Bruce Springsteen (Oscar de canção), e por uma belíssima música de Neil Young é de primeira.

Filme: Filadélfia
Produção: EUA, 1993
Direção: Jonathan Demme
Elenco: Tom Hanks, Denzel Washington, Jason Robards

Vitrola: Maria Callas - La Mamma Morta (Philadelphia - 1993)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Feito Estrelas Perdidas


Ela tentou não pensar nas estrelas
sim, naquelas estrelinhas perdidas pelo espaço
a vagar sem destino
tal qual ela naquele vagão insalubre
 do metrô às seis da manhã
O que mais fez então foi cantarolar bem baixinho
em sincronia com seu par de fones de ouvido...

But are we all lost stars
Trying to light up the dark


Vitrola: Adam Levine – Lost Stars

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sofia



Ele descobriu algo de novo: o amor. Aos treze anos pela primeira vez sentia aquilo que faz a vida valer a pena.

Como um passe de mágica experimentou o aroma da fragrância do Jasmim e, percebeu que era o mesmo que exalava no caminho para a casa de sua Julieta. Mas Julieta na verdade chamava-se Sofia e, era uma jovem vinda de outra cidade para passar as férias daquele verão.

Era um verão escaldante, sol a pino, temperaturas causticantes. Tudo corria como outrora até que numa bela tarde seus olhos conheceram aquela garota loira, de olhos levemente esverdeados, esguia, com sardas, extremamente charmosa, corpo desenhado e de lábios bem carnudos. Seria a bela da tarde de Buñuel?

Essa foi a primeira imagem de Sofia que ele congelou em sua retina.

Ele não sabia muito bem como dizer – ou se – era realmente necessário converter aquela sensação trepidante em palavras. Seria possível traduzir um sentimento avassalador?

Passou os primeiros dias travando um embate surdo consigo mesmo. Seu maior adversário: a sua própria timidez.

No fundo sabia que era correspondido, pois o olhar perdido e, o sorriso radiante de Sofia não disfarçava que ali entre ambos havia um desejo mútuo.

Passaram três semanas em uma casa de veraneio junto a uma multidão de jovens e adultos. Naquela atmosfera às vezes febril era certo encontrá-los próximos fosse brincando, jogando conversa fora ou, até mesmo brigando por pequenas tolices da idade. A provocação e a sedução eram recíprocas.

Acordavam cedo e logo estavam seguindo o trajeto entre a casa e a praia. Os dois transformavam aquele trivial instante em uma espécie de jornada, uma autêntica exploração sensorial.

Durante as noites na hora de dormir a luz que irradiava da rua, iluminava os olhos dos dois apaixonados. Em seus sonhos aquele era o momento perfeito, quem sabe ali o primeiro e eterno beijo de amor.

As férias terminaram e Sofia retornou para sua cidade. A distância motivava aquele romance velado não consumado (será mesmo?).

Foram cartas e mais cartas meses a fio – enquanto “a realidade mais delicada e mais difícil, menos visível a olho nu” batia à porta dos dois jovens enamorados.

Assim como uma tela de Cézanne perdida em algum sótão empoeirado e ordinário, onde sua beleza não podia ser apreciada, o tempo tratou de estancar aquela irresistível aventura.

Após anos sem noticias ele a reencontrou em uma viagem a sua cidade. Sofia estava casada e era mãe de três filhos.

Observou que a sua juventude continuava quase intacta, e por alguns instantes não hesitou em colocar-se no lugar do seu marido, mas preferiu guardar as boas recordações de uma década e meia atrás.

Sofia era a lembrança mais gratificante de um verão em sua juventude, talvez o melhor verão da sua vida.

Trilha Sonora
Artista: Elvis Costello
Música: She

quarta-feira, 25 de maio de 2016

domingo, 8 de maio de 2016

Das Cinco às Sete


Houve um dia
Aconteceu uma vez
Sabe aquele encontro acidental
Daqueles que assistimos no cinema
Às vezes entregues e embasbacados
Noutras incrédulos e duros na queda:

-Isso é apenas poesia
-É arte somente
-é um charme discreto para tapiar a vida...

Sim existe esse dia
O do acaso
Desses encontros às cegas
Do romance trôpego
Irreal, sedutor
Do imprevisível amor
Do inevitável destino:

Ele avista ela
Seus olhos se cruzam pela primeira vez
Então ele atravessa a rua
E tudo acontece
A vida gera um novo milagre
Uma espécie de magia
Um ponto de partida

E ouvimos então a melodia de Mahler
Que nos enche de esperança
Marejando os olhos e a alma
Nos fazendo sonhar frente a grande tela
Desejando aquilo para a nossa
Tão miúda e frágil vida cotidiana

Sofrida
Sem fé
Sem paz
Sem graça...

Mas não, isso é o cinema
É a ilusão simbólica 
Uma hora tudo acaba
E a nossa vida recomeça de onde paramos

sem encontros das 5 às 7
sem emoções
sem o afeto
sem as palavras
sem vislumbres do céu

Mas sempre tem o porém
O real não dito
O olhar que não foi perdido
O pequeno gesto da criança
O sorrir sem medo
Mostrando os dentes
Desafiando essa vida sem filtros
Com a mesma gana
De quem
Só come uma vez no dia
pois é assim que prosseguimos carregando aquele olhar

Aquele encontro
Aquele acaso
Aquele amor
Pra sempre

Aqui dentro
No silêncio de uma madrugada
Antes que o sol desperte
E ascenda em nossos olhos
o próximo amanhecer.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Derradeiro Acorde



Foi como olhar pela última vez a imensidão
chamada oceano
a beleza apelidada de Paris
é como tecer a dor de não ver e sequer
poder imaginar mais
teus olhos encantados
deslumbramentos à minha mente
é o último suspiro
é o derradeiro acorde do seu sax...
então: descanse em paz maestro!

Vitrola: Gato Barbieri - Last Tango in Paris

sábado, 15 de agosto de 2015

Ela


Ela irá surgir e desaparecer
com a mesma rapidez de um raio que cruza os céus
ela me encanta com seus olhos esverdeados
ela me leva para lugares que nunca sonhei em conhecer
e que talvez nunca venha a conhecer...

Ela me conduz a sensações humanamente inatingíveis
tudo nela é ímpar, lindo e humano
até mesmo a sua solidão
é passível de louvor
e ela não sai da minha mente,
pois ela é linda,
é simplesmente assim
e nada mais...

Vitrola: Elvis Costello – She


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Ausente


Uma cena que de tão singela comove...

Às vezes eu sou a avenida vazia na manhã da metrópole
quase um deserto 
e as vitrines da Tiffany’s parecem igualmente ausentes
avisto apenas a profundidade daquela avenida
ficarei mesmo aqui pela metade
o sol já acordou de mansinho
enquanto eu caminharei sem rumo
até chegar em casa...

(Sobe música)

Vitrola: Breakfast at Tiffany's Opening Scene




sexta-feira, 3 de julho de 2015

Roma






Há uma luz eternal pairando por Roma…
Entre o vídeo e a foto estão o abismo,
que por vezes parece essa vida...

Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça

Vitrola: Ennio Morricone - Le vent, le cri

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Birdman, Morrisey e Eu


Ontem à noite assisti “Birdman (EUA/2014) - (A Inesperada Virtude da Ignorância)” dirigido por Alejandro González Iñárritu e com elenco capitaneado por Michael Keaton, Zach Galifianakis, Edward Norton, Naomi Watts, Emma Stone, entre outros.

Para além da crítica avassaladora que o filme traça sobre o mundo do entretenimento o que inclui, sobretudo o próprio cinema, “Birdman” é uma aula sagaz de narrativa cinematográfica, de como é sim possível ainda realizar filmes inteligentes, embora esse definitivamente não seja uma película dedicada as massas, uma consequência inevitável da estética pobre gerenciada nas últimas décadas pelo mundo coorporativo do entretenimento em relação a tudo, teatro, cinema, literatura etc.

Algumas “coincidências” também chamam a atenção durante a exibição na tela desta obra, como por exemplo a escolha de Michael Keaton para o papel central - vivendo na tela o ator Riggan Thomson, preso a sua personagem de maior repercussão em sua carreira (O homem pássaro), e Keaton entende um pouco sobre o assunto  - basta mencionar a palavra “Batman” e tudo passará a fazer certo sentido.

Humor negro, situações conflitantes, metáforas hilárias, e uma boa dose de sonhos em alguns instantes compõe o arcabouço estético deste filme, e como é impossível dissociar a sua própria vida daquela telona à sua frente, eu enxerguei porções generosas de “Birdman” dentro do meu próprio ego, pois é fácil estar preso a sua persona mais popular durante a vida, o difícil mesmo e libertar-se disso e fazer o longo retorno a sua essência, algo que provavelmente ficou perdido em nossa infância.

Birdamn, Morrisey e eu – devemos mesmo fazer parte da mesma sala de aula de outrora e, isso vale a todos pois somos todos iguais nesta noite, pelo menos enquanto assistimos as acusações e peripécias de Iñárritu e seu incrível Homem Pássaro.


Vitrola: Morrissey - Please, Please, Please, Let Me Get What I Want

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Aquele Abraço


Leona Cavalli, atriz brasileira, Ethan Hawke, ator norte-americano e mais o Sr. Glenn Frey (ex-Eagles) que faz o som  deste post –  ficam mais experientes nesta data.

O som de Glenn me faz recordar uma noite chuvosa do inverno parisiense... portanto, são Boas lembranças!  A todos aquele abraço!

Vitrola: Glenn Frey - The One You Love