Do que seria feito este mundo sem os sonhadores? Autênticos arquitetos das esperanças humanas.
Poderia iniciar assim uma homenagem a Leon Cakoff (1948/2011).
Mas a sala de cinema hoje parece vazia, a Mostra Internacional de São Paulo está honestamente contida, a praça do Cinema Paradiso ficou desamparada...não há ninguém nas ruas.
Todos cultivamos nossos próprios sonhos, mas algumas pessoas parecem nascer com a delicada missão de colocar emoção, sorriso, sentimentos nos olhos alheios, de estranhos, amigos, familiares.
Leon partiu, parece que sua instrução era deixar-nos confortáveis em salas escuras, confundindo a vida real com aquela magia repaginada que só os filmes podem nos condenar a sentir. Pessoas assim são imprescindíveis, porque sonhar é mover moinhos, e viver é bem mais duro que isso.
Às vezes é uma vida inteira que passa lá na tela, e outras tantas presas ali nas cadeiras...
A recente polêmica do fechamento do Cine Belas Artes em São Paulo, traz de novo à tona esta bela cena do cinema.
Não quero julgar o mérito da questão, apenas lembrar que muito de nós viveu momentos inesquecíveis em salas escuras, que na verdade contem um brilho tão intenso que nem percebemos que ali habita certo breu.
A reação da população foi feroz, e com isso o Belas Artes poderá até ser tombado, tomara.
Neste momento Totó ressurge logo ali à minha frente...