Poderiam
ser os irmãos Gallagher de Manchester... Que nada eles são os irmãos Frugiuele,
João e Antônio aqui de São Paulo jogando um pouco de veneno na onda trash
brazuca.
Valeu
a espera! O Suede fez um show energético na edição deste ano do Planeta Terra.
Do inicio ao fim, Brett e cia fizeram um show impecável tocando seus hits e
aproveitando muito bem o pequeno tempo dado a eles pela organização do
festival, apenas 60 minutos. Da primeira canção do set “She” até a última “Beautiful
Ones” a banda manteve a adrenalina, o ritmo e sobretudo o astral lá em cima.
Brett Anderson deixa qualquer vocalista desta bandas novinhas no chinelo, é
puro carisma em palco e, não precisa falar pelos cotovelos para conquistar até
mesmo os teens da nova geração. Resumindo: Foi uma noite memorável, berrei,
cantei, pulei, agarrei Brett e fiz tudo que podia ser feito para aproveitar
este encontro.
O
Suede fará show em São Paulo no próximo dia 20 de outubro. Com atraso de quase
duas décadas, mas enfim estará lá ao vivo tocando entre outras o seu primeiro
hit “Animal Nitrade”. Do estranhamento da primeira vez a uma paixão
avassaladora essa é banda que me acompanha a pelo menos 15 anos – muitas
histórias pra contar e outras tantas pra esquecer.
Mudando de papo:
Acesso
as rede sociais, saio das redes sociais, a impressão é sempre a mesma – um
marasmo, um vazio oco, nada me interessa por aquelas bandas, fico então cá no
meu cantinho virtual, pelo menos aqui ninguém precisa me agradar, e se quiser falar
mal pode ficar à vontade, por essas bandas não existe censura. Pessoal o Brasil
é um fosso sem ponte e sem previsão alguma de construí-la um dia. Isso é muito
triste, me dá vontade de ir pra marte com o Bowie.
Honestidade
é artigo raro neste nosso mundo. Tudo bem, até porque o seu caráter não depende
da ausência do caráter alheio. Missão é missão, sempre ouvi isso e hoje sinto
na pele a dura realidade de ser um servo, alguém que NÃO irá salvar o mundo, NEM
melhorar o caráter de ninguém, mas... sim, os sonhos, isso é perfeitamente
possível, chegar e dizer no deserto:
-Olha
pessoas, vocês podem sonhar com uma realidade diferente, será difícil é uma
casinha, tijolo por tijolo, sonho e esperança são construídos assim, dia após
dia...
Honestidade,
virou palavra obsoleta em todas as esferas. Azar.
Em
algumas noites eu simplesmente desisto de tentar pensar em minha vida de uma
maneira diferente. Não existe o, mas, o se, o talvez, isso são lamurias que não
poderão mais alterar as rotas... perdidas.
Em
algumas noites eu olho as estrelas e meus olhos chegam a marejar, pois alguém,
distante, poderá naquele instante enxergar a mesma luz, o mesmo céu, definitivamente
o alcance da vida não pertence a nós.
Em
algumas noites eu simplesmente alimento a minha mente com poesia; visuais,
sonoras, literárias... imagéticas.
Alguém
por favor, me diga que eu não passo de um sonhador, um romântico incorrigível, um
às fora do baralho, por vezes solitário, noutras cercado por seres iluminados,
coloridos...
A
loiraça Colleen Fitzpatrick já comandou os vocais de uma banda de rock. Foi
durante os anos 90 quando fazia barulho à frente dos Eve’s Plum. Depois disso
mudou seu nome artístico, passou a ser conhecida como Vitamin C. (faz sentido!)
Bom,
o que vale aqui é saber que encontrei essa regravação feita pela banda para um clássico
produzido na era disco dos anos 70 – “If I Can't Have You” gravada pela cantora
Yvonne Elliman e que foi incluída na trilha do longa “Saturday Night Fever”
(EUA, 1977).
A
canção é de autoria dos irmãos Gibb (Bee Gees), e terminou distraindo o meu
final de domingo depois de uma semana atormentada, mas como não há mal que dure
para sempre...
Um temporal antes, a devoção depois. Os corações foram acessos pela poesia catártica do inglês que preferiu se refugiar em São Francisco na Califórnia, e assim viver distante da família real britânica.
Era domingo, a igreja estava tomada e os fieis compareceram em grande número. Tudo quase perfeito apesar de muita coisa estar fora de seu devido lugar, afinal o show é no Brasil, o eterno país do improviso.
Na abertura vários vídeos de artistas que inspiraram o anfitrião da noite. Então às 21h04 o cara pisa o palco vestindo jeans e uma camisa bege de colarinhos grandes: Delírio!
Um show de Morrissey em pleno domingo à noite faz realmente você lembrar de algum ritual religioso. O telão não funcionou, o som era deficiente, não havia ar-condicionado, a acústica do local era péssima, mas e daí? O cara lá na frente cantando era Steven Patrick Morrissey, 52, em plena forma física e artística.
Não custou para que todos estivessem cantando os hinos do “reverendo” Mozz. O show é simples esteticamente, e isso não quer dizer que o cenário seja feio, muito pelo contrário. Em tempos de mega shows aqui e ali, onde quase sempre a música é relevada a terceira importância, Morrissey destoa. O que importa é cantar suas músicas deixando o foco ao que no final das contas mais interessa:
First Of The Gang To Die, You Have Killed Me, Black Cloud e When Last I Spoke To Carol. As inevitáveis Everyday Is Like Sunday, Speedway, You're The One For Me, Fatty.
Os sucessos inesquecíveis dos Smiths, o turbilhão emocional de I Know It's Over, How Soon Is Now?, o hino de amor da juventude ‘perdida’ dos anos 80– There Is A Light That Never Goes Out, cantada em coro pela plateia, e mais no final a delicadeza comovente de Please, Please, Please Let Me Get What I Want.
Depois de 1 hora e meia Mozz disse adeus ao som de One day goodbye will be farewell,
Always be careful
when you abuse the one you love
The hour or the day no one can tell
But one day "goodbye" will be "farewell"
And you will never see
the one you love again
You will never see
the one you love again
E tomara que essas palavras não sejam uma profecia de Mozz e que logo ele retorne por essas bandas, para mais uma vez salvar nossas vidas, pelo menos por um domingo no ano.
Depois do show não teve jeito, nada de carne, apenas uma salada antes de dormir.
Trilha Sonora
Artista: Morrissey
Música: Please, Please, Please, Let Me Get What I Want
Astral lá em cima. É domingo, não está aquele sol dos infernos lá fora (graças a Deus), e o outono está cada vez mais perto. Hoje tem Morrissey em São Paulo, isso se a quota de ingressos para vegetarianos for toda vendida é claro (rsrsrs).
Este som é de uma trupe inglesa que gosta de mesclar musica eletrônica, indie rock e hip hop entre outras experimentações. E que a semana seja ótima, apesar de viver no Brasil – o país onde ninguém pode falar mal de nada, já que a natureza é prodiga, as pessoas são “alegres”, e tudo é divino e maravilhoso....
Pois é, quinta-feira pode quem sabe ser um dia bom! E assim vou olhando a paisagem simples que beira a ferrovia, a mesma sensação de vinte anos atrás, o mesmo cheiro, a mesma nota, e tantas outras histórias para contar.
Aquele beijo na manhã de céu azul e temperatura amena, tendo como testemunhas apenas um jardim florido por acácias e um gato no parapeito da janela, já finito. Não o viverei novamente, a não ser em meus sonhos quase nunca cristalinos.
Eu estava em Paris, mas ouvia algumas vozes da ilha do outro lado do canal da Mancha. Eram vozes de ressureição, de louvor, de uma irmandade refeita. Lembrei dos amigos que nunca mais verei, pensei nas pessoas que conheci um dia, sofri pela dureza que é nem sempre acertar neste caminho que chamamos vida, mas não me queixo, a vida é o que pode ser.
Eu podia ouvir nitidamente
que um erro não poderia pesar eternamente
e que a vergonha pelas insanidades que são ditas em meio a fúria
seriam zeradas em um belo dia de sol.
Eu continuava em Paris, mas minhas lembranças passeavam pela terra da rainha, é verdade, não acho justo que o povo sustente parasitas, ainda mais quando temos uma crise lá fora. Mesmo assim me deu vontade de alugar uma bike e sair pedalando e cantarolando o Blur pra cima e pra baixo até o anoitecer ligeiro do inverno europeu.
O duo californiano Girls, “do delicado/atormentado” Chris Owens, lançou recentemente o álbum “Father, Son, Holy Ghost”. A faixa que escutamos agora é a bela “My Ma” com direito a guitarras anos 70.
O som é denso, como densa no frigir dos ovos é a própria vida. Uma balada que não possuí muito a atmosfera de São Francisco, não pelo menos para os turistas. Por hora, viajarei no solo dessa guitarra com sonoridade rasgada.