Andavam lado a lado pela avenida enfrentando a chuva fina, o frio e o vento cortante. O colorido dos cachecóis, e da maquiagem das garotas, dos casacos misturavam-se ao monocromático inverno.
Tudo que ela queria no fundo era ganhar aquele menino, mas ele não era manipulável ao seu gosto padrão. Pelo bulevar o que se viu então foi uma garota linda flertando com um sonho e, alimentando uma imensa solidão com o perfume da dor.
A banda mineira Pato Fu solicitou aos fãs que enviassem fotos de bebes (filhos, sobrinhos, netos) para criação do videoclipe da canção “Rock’n’Roll Lullaby” cover do sucesso de B.J. Thomas na década de 70 e terceiro registro em vídeo do mais recente disco do grupo “Música de Brinquedo” (2010).
O resultado foi batizado de Projeto Babystar, poderia ser também, ‘fofurastar’ que estaria de ótimo tamanho.
O clipe é uma mistura de linguagens em animação, desenho e fotografia (a dos bebes) um mais fofo que o outro. Acho bacana este tipo de iniciativa de artistas que sabem usar de maneira critica os atuais recursos de divulgação de trabalho, além do que, terminam por envolver seus simpatizantes e ganhando um olhar diferenciado mesmo de quem de repente não seja um entusiasta do seu trabalho artístico.
Vale conferir, no final as fotos dos bebes que por falta de espaço no clipe ficaram de fora. Muito legal!
Eu sou bem desengonçado, logo, dançar sempre foi divertido pra mim e hilário para quem está por perto. Acho que isso é o melhor que eu consigo para dizer que eu não sei dançar.
Um dia desses estava sentado ao lado de Marina Lima, mas não percebi. É bem a minha cara, tímido, distraído, meio aéreo.
Quando ela levantou da poltrona e pediu licença para sair foi que percebi. Fiquei com cara de bobo, babando, eu adoro a Marina e ela há uns dois anos está morando em sampa. Tomara que eu tenha uma segunda chance para quem sabe um dia puxar um papo com ela...
A 7º Virada Cultural de São Paulo cravou lá seus momentos épicos. Era sábado à noite e mais uma vez a cidade estava passeando pelas ruas do centro. Certamente isso é o melhor da virada, é muito legal olhar aquele mar de gente perambulando pelos palcos das atrações do evento. Não faltaram as barraquinhas de pasteis e o palco dito “brega” no Largo do Arouche.
E foi lá que me reencontrei com um mago do pop rock nacional, o britânico mais brasileiro da historia da nossa música: Ritchie!
Um dos discos que mais contribuições técnicas trouxe ao nosso rock foi exatamente “Voo de Coração” (1983) o primeiro solo de Ritchie.
Para além de um belo registro fonográfico havia as canções pop que pareciam perfeitas “Menina veneno”, “A vida tem dessas coisas”, “Pelo Interfone”, “Casanova” e “Voo de coração”. Todas foram devidamente encenadas por Ritchie e sua banda num show retrô redondo, empolgante. Tive certeza da minha felicidade de escolha quando Ritchie brindou-nos com a balada “Voo de Coração” – o Arouche inundado por uma luz intensa parecia ainda mais bonito, talvez porque está canção seja um retrato do pop maiúsculo do inglês/carioca:
No canto da sala o seu holograma você parece sorrir
Você me pisca o olho, você me manda um beijo
Parece estar mesmo aqui
Mas eu só, no apartamento, escrevendo
Memórias no velho computador
Nas asas do tempo, vertigem do momento
Voo de coração, meu amor,,,
Sinceramente, na semana do U2 Ritchie foi o cara, e foi de goleada!
Uma manhã inteira ouvindo as histórias da minha avó, 89 anos, mente lúcida sorriso aberto. Às vezes tão pouco é tanto...
Me veio à mente “True Color” porque a Cindy passou aqui por sampa no final de semana e, eu e a Dona Raimunda colocamos a conversa em dia. Foi um momento de alegria, raro, mas profundo.
O nome dela é Rio… diz a letra dos “novos românticos” ingleses.
Não dá pra discordar que os videoclipes do Duran Duran eram quase perfeitos: locações em lugares paradisíacos, mulheres bonitas, vestimenta top para os garotos da banda. Além do mais a música dos caras era bem representativa da fusão eletrônica/orgânica.
A sabedoria aos 96 anos de idade. Uma das vantagens de manter os pés na estrada é a de conhecer pessoas que provavelmente não conheceria, caso estivesse preso em um escritório na caótica São Paulo (que eu amo diga-se de passagem). Assim sendo a figura da Dona Leonor é factual, ou melhor, visceral.
“Meu filho a vida não deve ser nem triste/nem alegre/apenas viva/lute por aquilo que vale a pena”.
Lembrei da metáfora do bambu: Eles possuem os seus nós, mas crescem acima das emendas. Pode vir sol, chuva, vento, tempestades, eles vergam é verdade, mas não caem.
The Killers para celebrar a lucidez da Dona Leonor. Quem vive apenas procurando ‘felicidade’, esquece que a vida é simples.
Entre em campo e jogue meu filho, o resto... Bem, o resto...
Like a break in the battle was your part, o-o-oh, o-o-
Não tinha muito como fugir do olhar e da voz marcante de Chrissie Hynde, a paixão era questão de tempo, muito pouco neste caso.
Esta é uma das baladas que ainda hoje quando escuto sou capaz de sentir a mesma alegria das primeiras audições. Aqui no Brasil muita banda de pop rock imitou os Pretenders, de São Paulo ao Ceará, do Oiapoque ao Chuí.
Era uma vez um garoto esquisito que adorava cantar, dançar e compor...compor... Compor compulsivamente. O rapazinho cresceu e parece ter voado para outras galáxias...
Eis Prince e todo seu suingue sangue bom...
Virou símbolo, depois voltou a certa realidade...
Mas sujeitos como ele definitivamente não vivem neste mundo...
João Gilberto e outros músicos já diziam aos quatro cantos que o banheiro era o melhor lugar de uma casa para tirar um som.
Os ‘garotos’ do Housemartins parecem ter levado ao pé da letra essa premissa, pelo menos para registrar parte deste vídeo na década de 80.
Como curiosidade, além do som rápido, rasteiro e divertido da banda do Reino unido, vale lembrar que no contrabaixo elétrico está nada mais nada menos do que Mr. Normam Cook, hoje mundialmente conhecido pela alcunha de Fatboy Slim – um dos magos da música eletrônica.
Ele passava diariamente em frente aquela casa sem cor e, prendia o seu olhar a menina que o fitava por de trás da cortina na janela lateral do quarto de dormir.
Florisvaldo era tímido de nascença, molecote franzino, de traços afeiçoados e de olhar perdido. Não precisava de muito para corar feito uma tinta vermelha fresca, e aquela janela era o maior prazer de suas manhãs. Quem é ela? Será que eu pego?
Até o dia em que descobriu que flertava com uma boneca de cera, empalhada, de olhos vidrados na direção da rua por onde caminhava logo cedo a caminho da escola. Era uma boneca cega para os seus sentimentos de menino.
Sorriu de leve, não sabe se de alívio ou por piedade, mas só sei que ele sorriu a vida como ela é.
Bem... Este é um site sobre música pop – que resume bem o meu pequeno mundo. Não citar aqui várias vezes os noruegueses do A-ha seria uma espécie de sacrilégio.
O single em questão é “You Are The One” uma das melhores canções composta pela banda. É pop da primeira virada de bateria até o seu último acorde de sintetizador.
Eu confesso que sofro da síndrome de transparência – falo e escrevo o que penso, sempre que possível é claro – e revendo este clipe do A-ha fico tentado a dizer que nos anos 80 a vida parecia mais sincera (será?), mais romântica (talvez), e eu sei que as incertezas não resistirão por muito tempo, quem sabe uns três minutos e pouco...
Mas... olhando o clipe original de “You Are The One” (não esse) e vendo lá as Torres Gêmeas, os garotos brincando de fazer música pop em Nova Iorque com este hit tão sonoro e esteticamente pop, a tentação citada lá em cima torna-se quase real!
Também é verdade que o vocalista Morten Harket cantava muito melhor com a ajuda dos recursos de um estúdio do que ao vivo (o registro de 1991 é a prova definitiva).
Dizem que temos saudades daquilo que não vivemos, então às coisas ficam menos complicadas para mim, porque eu não curtia muito o A-ha nos anos 80, não pelo menos da maneira como curto agora.
Em Wall Street (Poder e Cobiça/1985) o diretor Oliver Stone retrata sob seu ponto de vista o que existe de mais fétido por trás da aparente grandeza do mundo corporativo. E todas as pessoas com um pouco mais de sensibilidade e, muito menos ganância na pior derivação possível da terminologia, deveriam pelo menos uma vez na vida agradecer a Stone por nos ensinar através de Bud Fox que a vida não pode ser baseada na força desleal da grana.
Pois esse som do Everything But the Girl é exatamente para confrontar alicerces sensoriais...
Melhor ouvir uma bossa do que a vã gritaria dos pregões da bolsa... azar de quem prefere o contrário...