Penso que um educador precisa surpreender o seu aprendiz,
e isso é sempre difícil por tratar-se de uma relação a dois, mestre x aprendiz.
Esta cena de “Mr.Holland Opus” é muito bacana: Gertrude Lang quer abandonar
suas aulas de clarinete, mas Mr.Holland tenta apoia-la revelando que a música
pode ser algo divertido, alegre, relaxado...
É quando acontece a troca e entra em cena a sensibilidade
:
Me diga uma coisa, pergunta Holland a aluna:
H-Quando você olha no espelho do que gosta mais?
G-Do meu cabelo.
H-Por quê?
G-Meu pai sempre dizia que o fazia se lembrar do pôr-do-sol.
H-Toque o pôr-do-sol.
Esse é o tipo de apropriação, de territorialidade de um
professor que atinge em cheio a emoção motriz de um aluno, o desperta não
apenas para aquela disciplina, mas enfim para um sentido maior em sua vida.
Mr.Holland Opus é um filme sensível, que mostra que
Educação não é só livro caderno e formulas, mas é formar e transformar seres
humanos. Esse professor de música toca a vida das pessoas de forma diferente e,
isso vale para a sala de aula ali do colégio da esquina.
Talvez
daqui um tempo seja isso que eu vou dizer ao meu filho(a)...
O
que mais me causa apreensão neste momento é a percepção de um mundo em constante
transformação, isso não representa obrigatoriamente algo bom, pode bem ser
exatamente o contrário... O mundo anda um bocado complicado vamos combinar, não
faço parte do coro dos contentes, não acredito nesta ditadura da “felicidade”
vendida de maneira asquerosa pela publicidade. Então sei bem que educar um
filho para a vida hoje em dia passa por essa compreensão e seus dilemas filosóficos.
Mas
ainda é cedo para sofrer pelo futuro breve, ainda preciso aprender a trocar
fraldas, dar banho no bebê, segurá-lo com firmeza e carinho... Isso tudo é
muito poético e real para mim...
A vida aqui continua mesmo sem aqueles mágicos
truques vocais que você tanto adorava nos fazer durante seus shows. Por sua
influência eu (Jonathas) me tornei uma espécie de missionário da arte e
cultura, num país que você parecia tanto adorar, mas onde infelizmente os políticos
parecem odiar educação, arte e cultura.
Não importa, não escrevo essas linhas para me
lamentar, mas apenas para agradecer tanta inspiração advinda de ti meu amigo.
Teu trabalho abriu meus olhos para a sensibilidade, e se me faltava espaço para
voar e sonhar, agora sobra provações para insistir e amar a cada dia ainda mais
a poesia, a música, a pintura, a música, o cinema, a fotografia, enfim, amar e
perdoar os homens, porque na essência todos nós somos feitos mesmo é de sonhos... e
eles não envelhecem nunca.
Onde estiveres
Muito obrigado.
Freddie Mercury - The
Official 65th Birthday Video
"Um
país se faz com homens e livros" (Monteiro Lobato)
E o contrário como devemos chamar? Que tal Brasil!
Missionários da arte e da cultura precisam ser
pessoas muito especiais, pelo menos no quesito paciência. O que consola é
sonhar, isso nenhum político, nenhuma burocracia, nenhuma sacanagem pode tirar
de nós, nunca!
Renato Russo cantava, “O Brasil é o país do
futuro...”, Cazuza pedia para que o país mostrasse a sua cara e, eu apenas
suspiro: Um dia as pessoas acordarão de um longo e profundo sono e aí a coisa
será diferente. Sem leitura um país não cresce e muito menos reconhece a si próprio.
Eu
gostaria muito de estar no céu, mas o contrário me aborrece neste instante.
Como é duro aturar pessoas prepotentes, pessoas fracas, pessoas covardes,
pessoas obtusas, gente que só reclama da conjunção solar e da vida, mas não deixa de repetir o seu mantra preferido:
ganhar,
ganhar, ganhar, ferrar os outros, ferrar os outros, ganhar a todo custo...
Pro
inferno eles, porque eu, bem, irei sobreviver ouvindo o Robert Smith
cantarolando Just Like Heaven.
Por algum motivo a música de Brett me fez recordar dessa estória:
Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava.
Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
Fico cá pensando com os meus botões: Será que os executivos (aqueles seres engravatados que fecham contratos e geram lucros às empresas, além de acumularem vasta milhagem aérea) não ficam por vezes entediados?
Claro que não! Eles adoram ouvir uma daquelas palestras “motivacionais”, aliás, parece que no salão imperial de convenções do inferno rola uma dessas babaquices a cada duas horas com convidados ilustres, o último por sinal foi Steve Jobs.
Na estrada é fácil perceber quem é quem, sobretudo nos hotéis.
Evidentemente que os executivos sempre estão acomodados nos hotéis e quartos mais confortáveis, afinal eles geram $$$$$ para as empresas, pelo menos é o que dizem. Em contrapartida quem trabalha com cultura e depende de órgãos públicos para acomodação terá sempre aquele hotelzinho com um quartinho esquecido do fundo do corredor e sem muito conforto óbvio, não temos esse direito. É como comprar um bilhete premiado! Batata! ACERTEI!!!!!!!
Talvez nós, professores, arte educadores, produtores culturais e toda sorte dos que não se conformam frente à situação socioeducativa absurda deste continente apelidado de Brasil, não consigamos traduzir nossos esforços em $$$$ as empresas, ao governo, a própria sociedade, tão imbecilizada pelo consumo frenético.
É bem provável que aquele semianalfabeto que se especializou em burocracia e outras artes de empulhação seja mais ‘qualificado’ para gerir um projeto social, cultural ou educativo e, até possa vez por outra almoçar junto com os senhores executivos e seus ternos de grife, gravatas italianas de seda, cabelos impecáveis, sorriso branco e argumentos previsíveis sobre produção, economia, marketing e tudo mais sobre a vida neste jogo de esconde.
Não me pergunte nada sobre “cultura” motivacional empresarial, nem tampouco sobre autoajuda, passo muito longe disso tudo. Pra dizer a verdade apenas lamento que o mundo cada vez mais dê importância desigual a valores dispares. Não à toa ficamos cada vez mais reféns de toda uma laia que admira nomes como Fausto Silva, Max Gehringer, Roberto Justus, Bernardinho, só pra citar alguns que poderão facilmente um dia ser palestrantes no salão de convenções citado no inicio do texto.
Ah! O tema da palestra: Com Destino Ao Sucesso.
Não poderia ser outro né.
Controlando
A minha maluquez
Misturada
Com minha lucidez...
Não é todo dia que a gente consegue expressar algo minimamente inspirador, aliás, nem sei se de fato eu consigo essa verbalização textual, sou bem crítico em relação as minhas capacidades. Então por um acaso feliz me caiu na tela essa banda, Tribes e, essa canção, When My Day Comes...
Puxa vida, às vezes, ou sempre (sei lá eu) o cosmos conspira ao seu favor. Não fui atrás de muitas informações sobre o grupo, isso não importa muito neste instante.
Gostei do som das guitarras rasgando um agudo hipnótico, certo frenesi, me deu vontade de dançar. Achei a voz do cantor interessante, também em agudo, longe de perfeita, é suja, vibrante, entusiasma e isso já me basta.
Inevitável traçar este paralelo entre a banda do Reino Unido e a minha inspiração, ou, a falta de, para escrever, ou apenas rascunhar pensamentos, impressões sobre o cotidiano.
Andei lendo um bocado por esses dias, adoro quando tenho este tempo, essa disposição, a vontade e disciplina de aguçar minhas curiosidades, envenenar-me mais um pouco de algo que não conhecia ainda.
Nestes períodos tendo a ficar mais calado do que já sou (se é que isso de fato seja possível), e aí tome percepções diárias.
Vejo pessoas doces, que por alguma insegurança ou pela pressão do trabalho, ficam retraídas, renegam seu próprio brilho e ocultam tanta beleza dentro de si, mas tudo está lá pulsando, querendo ganhar as ruas, o mundo, ou talvez, apenas a sua própria sombra.
Olho para as ruas laterais e transversais de onde escrevo agora, e não consigo compreender como essa cidade tão pequena pode ter tantas, eu disse TANTAS, lojas de carros – novos, usados, recauchutados, sei lá mais o que – num perímetro de no máximo 2Km.
Então o ‘metido’ e ‘pedante’ aqui entra em ação e pensa:
Quem dera fossem todas essas lojas de automóveis, livrarias. Sim, lojas de livros, grandes, médias, ou até pequenas, como a charmosa ‘livraria da esquina’ da personagem de Meg Ryan (Kathleen Kelly) no filme (You've Got Mail, 1998) ‘Mensagem Para Você’...
Mas como posso ser tão tolo assim? Viajou? Bebeu? Cheirou? Perdeu a razão Jonathas Nascimento?
De repente eu me tornaria uma espécie de Joe Fox (Tom Hanks) do mesmo longa, mas quem em sã consciência trocaria carros por livros neste país que adora ocupar-se tanto com a educação, a cultura e as artes do seu povo.
É... acho melhor eu pensar noutra coisa, afinal a noite está caindo bela e estrelada no céu do interior paulista.
Logo mais os donos de todos os carros reais e imaginários desta pacata cidade irão se divertir queimando combustível ao redor da praça principal, numa procissão sem velas e santos.
A felicidade como se vê é apenas uma questão de esquadrinhar espaços na vida.