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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Canção do vento e da minha vida



Desta vez alguns poetas me acompanham para celebrar a data, para me ajudar a tentar entender o que me aconteceu nos últimos 45 anos...
A ação do tempo sempre me mobilizou, encantou e ao mesmo tempo assombrou:
“O tempo traz
o que você não esperou
nem percebeu
que não volta mais
viveu, passou, /morreu”,
diz Guilherme Arantes em uma de suas mais recentes canções.
Existem alguns séculos separando Guilherme, eu e o poeta Manuel Bandeira,
mas quando leio o poema de Bandeira, logo arregalo os olhos, parece-me tão atual!
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
 
O vento varria as luzes,
O vento varria as músicas,
O vento varria os aromas...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De aromas, de estrelas, de cânticos.
 
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
 
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
Manuel Bandeira
O vento que varria os meses, e varria o lindo sorrir, varria às vezes a esperança...
É neste instante que o outro poeta do século passado entra em cena e canta com sua dramaticidade ímpar que me encanta, pois sei sim que sou um ser dramático por natureza:
“Please wait
Don't lose Faith”…
Morrissey me presenteia com sua singularidade poética,
e assim recebo os presentes atemporais, as mensagens de fé e esperança em mais um natal Cármico.
Obrigado meus queridos amigos...
Vitrola: Morrissey - I know It's Gonna Happen Someday
 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desesperança



Somos todos atores nessa vida
não é preciso esconder
lá estão os rostos amanhecidos
um a um
eu posso ver o desanimo
o pesar em cada olhar perdido no vagão
dentre em breve
durante oito horas
todos parecerão felizes
mas alguns irão chorar no banheiro
suas mágoas
frustrações
desencantos
angústias
enquanto a maioria continuará a fingir
que é feliz...

Somos todos atores nessa vida
já não consigo esconder
tanta inquietação

Encontro os mesmos semblantes caídos
no retorno para casa
a desesperança 
com o amanhã
parece crescente
nem mesmo a sexta-feira
nos dá consolo

então brutalmente me veem a letra do poeta:

“- Ah, como dói viver quando falta a esperança!”

Trilha Sonora
Artista: Artic Monkeys
Música: Cornerstone