Ele
crê na força do capital, confunde sonhos com consumo, esforço com vantagem a
qualquer custo.
Ela
não crê em nada além do milagre que o cartão de crédito dele pode operar nas alamedas dos seus shoppings preferidos, ou, em cada viagem a Cancún.
O
filho deles não sabe o que é fé, e nem desconfia que vive em um lar artificial.
Na escola resolve seus problemas na base da truculência, na mão mesmo, pra que
dialogar?
Real
ou irreal, aqui ao lado alguém que acreditava em tudo isso acaba de puxar o gatilho
que estava apontado na direção de sua própria cabeça. O estampido foi seco. O
som já desapareceu, mas o sangue terá que ser limpo.
E
assim felizes no submundo da aparência eles seguem seu vídeo game cotidiano, fingindo que na vida os problemas às vezes não passam de um simples engano.
Uma trinca capaz de fazer pedaços da mente de qualquer pastor bem-intencionado.
Ora, se Ian Curtis era mesmo atormentado? E quem sabe ao certo dessas coisas? Você? Eu? Não julgo.
Aprecio sua obra, sua visão de mundo, e compreendo que Ian estava cercado de problemas pesados. Cantar em uma banda de rock era circunstancial para ele, tanto que próximo do inicio da primeira turnê norte-americana do Joy Division, Ian simplesmente desistiu de tudo, inclusive da própria vida.
Ian Curtis foi cremado e as suas cinzas foram enterradas em Macclesfield, com uma lápide com a inscrição "Love Will Tear Us Apart" ("O Amor Vai Nos Destruir"). O epitáfio, escolhido por sua esposa Deborah, é uma referência à canção mais conhecida do Joy Division.