Eu tenho uma gata. O nome dela é Fedora, é linda, serena, manhosa, delicada e, quase não mia. Ela é extremamente sensível.
Quando a conheci era difícil interagir com a Fê, parecia ser muito arisca, antissocial, muito na dela. Alguns a chamariam de autista.
Pois bem, depois de alguns meses de convivência eu hoje tenho uma relação toda especial com a Fê, ela é o meu xodó aqui em casa.
Pergunto: A Fedora mudou?
Não. Quem mudou fui eu. Abri os meus olhos, a minha alma, me permiti adentrar no mundo tão particular da Fê e, logo passei a compreender à sua maneira de interagir com todos em casa. Ela de fato não é falante como, por exemplo, o Bob, o outro felino da casa que já foi tema de post neste acervo. Mas ela fala de igual modo de outras maneiras.
Pensando nisso tive a certeza de que as relações interpessoais não diferem da minha com a Fedora. Quando não ficamos presos ao clichê da primeira impressão é a que fica, podemos avançar em uma relação.
Deixamos às armas em algum cômodo e então apresentamos a nossa face mais natural, sem subterfúgios.
Felinos ou não, a comunicação continua sendo imperativa. Sem ela nos tornamos uma ilha, isolada e perdida, algum arremedo de ‘Lost’ sem dúvida nenhuma.
Na vitrola a maravilhosa ‘Let It Be’, e pensar que a igreja católica perdoou os Beatles. Mas por que afinal? Ah... deve ser porquê eles contribuíram de algum modo para tornar este mundo um pouquinho mais humano.