Notável trabalho de Arnaldo Antunes. Um espelho do mundo conectado, célere, efêmero, a sociedade da comunicação, ou como preferir a sua melhor definição.
Se os teus olhos sentiram-se desconfortáveis, e sua alma angustiada...
Existem livros. E agora existem livros que são a síntese de outros livros. Bem, a proposta de "90 Livros Clássicos para Apressadinhos" é bem-humorada quanto ambiciosa: contar a história de 90 livros importantes por meio de apenas quatro quadrinhos, isso mesmo, quatro quadrinhos para cada história.
A “proeza” é responsabilidade do escritor e cartunista sueco Henrik Lange, que se debruçou sobre livros do porte de "Ulisses", "Em Busca do Tempo Perdido", "1984" e "O Retrato de Dorian Gray" e os adaptou para o formato.
A mais desafiadora talvez seja a adaptação da "Bíblia Sagrada". Mas Lange até que se saiu bem: não só pelo surpreendente poder de síntese, mas, sobretudo por saber narrar a história com muito bom humor.
Outra obra inquietante é “Genesis” do cartunista norte-americano Robert Crumb. Nada aqui é digamos politicamente correto, mas e daí? Vale pelas idéias dissonantes da grande mídia, e pelas dúvidas que são lançadas com humor e sagacidade.
Ainda falando de “literatura”, eu juro que não me interessa saber o que as pessoas estão lendo por aí, cada um é livre para ler o quiser e suportar ler, mas confesso que fiquei intrigado ao ver nas mãos de uma moça no metrô o livro com o título: “O que Aprendi com Bruna Surfistinha – Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha)”.
Pois é, o mercado literário está soprando para todos os cantos, a autoajuda é mesmo uma praga que dissemina aos ‘práticos’ de plantão a doce ilusão de conforto. Será mesmo?
Olha, depois disso eu prefiro ficar com a pena esvoaçante de “Forrest Gump”. Eu ainda acredito que a literatura é como uma garrafa jogada ao mar, ou se preferir uma pena que voa...voa...e vai além, muito além do que qualquer um de nós possa imaginar.
Não existe limites que sejam instransponíveis, não há medo que não possa ser vencido. As letras estão voando lentamente... Vagarosas... Aonde irão pousar?
É inquietante, tenso, em alguns momentos desolador o clima gerado ao espectador durante a exibição do longa “Entre os Muros da Escola”, isso para dizer o mínimo.
Roteiro coeso que levanta de uma só vez encruzilhadas socioeducativas da França, mas que poderia ser aqui de São Paulo, ou, de qualquer outra cidade do mundo globalizado.
Se tivesse que definir a película de maneira breve e direta, apenas diria:
É um soco no estômago!
Mas no estômago de quem cara pálida?
Da sociedade pós-industrial consumista e capitalista, que não sabe o que fazer na Europa com os imigrantes árabes, africanos, asiáticos e vindos do leste europeu. O mesmo vale para os latinos americanos na América do Norte e para os bolivianos e paraguaios na América do Sul.
A relação escola x aluno aqui é bem delineada, sem música melodramática de fundo, sem artefatos fantasiosos como nos longas hollywoodianos sobre o tema professor/aluno. Não há espaço para heróis e bandidos, apenas uma polaróide contundente sobre o tema.
As cadeiras vazias na tomada da cena final traduz quase tudo: Há um vazio latente nos sistemas educacionais do mundo atual.
Pegue um aluno de sua sala de aula e lhe peça um autorretrato, talvez a partir daí surja alguma novidade, alguma esperança distinta do tradicional modelo ‘vigiar e punir’.
Entre os Muros da Escola
titulo original: (Entre les Murs)
lançamento: 2007 (França)
direção: Laurent Cantet
atores: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille