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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Noturno


Se hoje sou deserto
É que eu não sabia
Que as flores com o tempo
Perdem a força
E a ventania
Vem mais forte...

Recentemente assisti ao um documentário sobre a música popular brasileira, nele Fagner em determinado momento conta como sempre lutou contra a expropriação do trabalho do artista, no caso dos músicos. Certa vez foi convidado para participar de uma homenagem a Luiz Gonzaga, tudo ok. 

Chegando no local da homenagem encontrou alguns artistas da linha sertaneja comercial e que não tinham nenhuma ligação com o velho Lua, enquanto outros outros artistas que haviam compartilhado suas carreiras com o Rei do baião haviam sido sumariamente excluídos do evento. Não teve dúvida, foi fuçar a real razão daquela escalação injusta e encontrou o verdadeiro interesse:

O produtor do evento havia limado os artistas representativos do baião para colocar em seu lugar os sertanejos que eram produzidos por ele, um absurdo! A coisa azedou e Fagner saiu esculhambando com tudo e todos pelos camarins, fazendo bastante barulho, e levando consigo uma parte dos artistas antes de ir embora.  

Merece muito respeito por sua obra e coragem nos bastidores, pois não é todo artista que possuí essa coragem de buscar justiça em seu meio. Geralmente o dinheiro cala as divergências e encobre as reais diferenças, inclusive as qualitativas. 

Vitrola: Raimundo Fágner – Noturno

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Eu não tenho tempo



Eu não tenho tempo
Eu não sei voar
Dias passam como nuvens
Em brancas nuvens
Eu não vou passar
Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
Eu não sei voar
Eu tenho um sapato
Eu tenho um sapato branco
Eu tenho um cavalo
Eu tenho um cavalo branco
E um riso, um riso amarelo

Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
De me ouvir cantar
Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
De me ver chorar
Eu não tenho medo
Eu não tenho tempo
E eu não sei voar

E o tempo voa como um solo de guitarra...

Trilha Sonora
Artista: Zeca Baleiro/Fagner
Música: Não Tenho Tempo