Falar de amor pode até ser clichê, mas em “Apenas o Fim” (2009) o amor é quase um atestado de idoneidade entre dois jovens universitários da classe média carioca.
Em plena faculdade Antônio (Gregório Duvivier) é procurado por sua namorada (Erika Mader), que lhe avisa que pretende fugir de casa e recomeçar a vida em outro local. Ele tenta convencê-la do contrário, sem sucesso. Os dois concordam em passar a próxima hora juntos, relembrando momentos do passado e imaginando o futuro.
Primeiro filme dirigido por Matheus Souza, “Apenas o Fim” é composto pela simplicidade. Uma única locação, o campus da PUC no Rio de Janeiro, pouco dinheiro investido para um longa, boas idéias e longos e divertidos diálogos que podem esconder aspirações maiores que apenas entreter o público em uma sala de projeção de cinema.
Cheio de referências ao universo pop de uma geração, como "Cavaleiros do Zodíaco", "Power Rangers" e Backstreet Boys, o cineasta e roteirista afirma que o filme é para ser visto por todos.
E lá pelas tantas quando parece que o filme vai murchar, surgem frases que comprovam a estirpe de um bom roteiro:
- Você é uma fraude, sabia? Uma fraude!
Bem bonitinha, mas uma fraude.
- Você foi feliz comigo de verdade?
- Não. Mas a culpa é minha!
- O que você mais gosta de mim?
- Eu gosto do jeito que você toca flauta com o nariz.
- Você não é tão diferente assim, preciso te informar isso.
- Boa parte desse monstro que sou hoje é culpa sua.
- Eu sou aquela vontade que dá, de repente, de tomar Fanta Uva.
- Você é o Menthos.
- Qual o homem mais bonito do mundo pra você?
- Chico e o Johnny Depp.
- Não pode ser outro?
- Você vê filmes demais. Vai acabar me amando pra sempre.
- A gente se perdeu no momento em que a gente se encontrou.
- Vocês mulheres tem uma visão completamente equivocada do que nós pensamos sobre as mulheres. Qual a mulher que a gente mais respeita? Não é a nossa mãe que mostra o peito pra gente logo no primeiro encontro?
- Descobrir que a vovó Mafalda era homem
foi traumático para toda uma geração.
- Eu vou sentir falta das suas mãos quentinhas.
- E eu do seus pés, sempre gelados.
- Você acha que iria gostar de mim se eu não fosse tão complicada?
- Acho. Gostaria sim.
- A única diferença entre a arte e a terapia
é que se eu deixar de escrever um dia, não pago a sessão.
- Você é meu chicletinho mastigado.
- O único lado bom de morrer de amor
é que você continua vivo.
- Você acredita em Deus?
- O problema não é saber se ele existe ou não.
É saber quando ele tá blefando.
- Desculpe. Eu não sei o que é ficar cansado de você.
- O que você acha mais importante: amor ou sexo?
- A primeira opção. Mas qual foi mesmo a primeira coisa que você falou?
- Se você ficasse eu faria de tudo para eliminar todos os meus defeitos,
mesmo não sabendo direito quais são.
E já no final do filme uma revelação devastadora:
- Isso é só o fim. O que importa já foi feito.
- E agora? Agora é o resto das nossas vidas.
Daí sobe a música dos Los Hermanos, Antônio então senta-se e assisti a namorada partir enquanto a melancolia vira arte.
Pois é...
-Você me ama?
- Falar sobre amor é clichê.
- Falar que falar sobre amor é clichê é que é clichê.
Na dúvida é melhor assistir de novo, porque em "Apenas o Fim" Matheus Souza conseguiu ir além do mero entretenimento.
Trilha Sonora Artista: Los Hermanos Música: Pois é
Eu fecho os meus olhos e vejo Suzanne Vega cantando Luka. Uma história de surras, torturas, violência em pleno seio familiar. Suzanne Vega alcançou o estrelato com esta canção de melodia doce e, letra melancólica e ácida sobre espaçamento infantil. Muita gente nem percebeu e achava que se tratava de uma canção romântica. Isso é bem genial nela, bingo!
Corria o ano de 1987, já faz um certo tempo é verdade, mas a canção sobreviveu ao tempo, e Suzanne continua sendo uma grande artista.
Ouvia esta canção ao lado de uma querida amiga. A gente tinha bons motivos para acreditar que a dor da juventude doía mais em nossa própria carne.
Sinto saudades daquelas tardes de conversa, de poesia, música, histórias alegres, outras bem tristes. Era a mistura de incertezas, olhares profundos, palavras fortes, sentimento genuíno, transparência...
Eu não sei por onde anda a Paula, mas existem momentos na vida da gente que nunca serão esquecidos. Essa é uma certeza que eu guardo comigo.
Eu digo boa noite “todos os dias” (sentiram o drama) para um sujeito que eu ainda não sei o nome. Pacato, singelo e, muito educado. Será que ele é bem pago por sua educação? Provavelmente não. Ele deve ser visto “apenas” como o guardador de carros da academia, o vigia, o segurança improvisado, ou, qualquer coisa que o valha.
Isso incomoda.
Na rua de cima mora uma família de cinco pessoas. Todos adultos. Cada um tem o seu carro próprio, e isso pra eles é o máximo! Eita classe média deslumbrada!
Eu particularmente acho o filho mais novo um porre de pedante, além do que, o cara sempre sai a mil por hora e qualquer dia desses ainda mata alguém na rua.
Nojento não? A relação: o que somos com o que temos. Não curto isso.
Eu ainda prefiro mil vezes o sujeito sem nome educado, que não possuí nenhum carro e, é magro, do que a família “rodas” com seus cinco automóveis e prá lá de 1 tonelada bem dividida, já que todos sem exceção são obesos.
A vida é isso?
Preferências, eu gosto desse e não gosto daquele, gosto disso e não suporto aquilo?
Certamente nossas escolhas e preferências são pessoais e dizem algo sobre nós, talvez muito.
Por algum motivo, fútil, eu me lembrei de um livro de Jean-Paul Sartre (1905-1980).
O titulo é Náusea, “La Nausée” (1938) que conta a história de um escritor frustrado e suas peripécias. Bem, eu não sou Antoine e, também não pretendo escrever livros, mas vez ou outra sempre bate aquela pontinha de dúvida: Será que eu faço mesmo alguma coisa certa nesta vida? (nossa que drama!).
Melhor mesmo é ouvir o gospel do Queen “Somebody to Love” um clássico que manda qualquer frustração aparente pro espaço.
No último domingo o show de Norah Jones foi um bálsamo para os ouvidos mais exigentes. A ‘pequena notável’ é uma moça muito simpática, até certo ponto tímida sobre o palco, mas canta como poucas.
O céu carrancudo de São Paulo até deu uma trégua quando Norah apareceu no palco vestindo um mini vestido vermelho e um par de botas marrom. Sua banda é impecável, do rock ao pop, do country ao jazz com direito a toques da tradicional ‘Asa Branca’ de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Tudo meticuloso e com um sabor irresistível de alegria.
Foi um show memorável, apesar da ‘turma’ que foi ao show errado quase ter estragado o clima pacifico da ocasião. A tarde de primavera foi regada a bons sons e, a doçura encantadora de Norah Jones.
Ellen teve enfim o seu dia de glória. Estava impecavelmente ornada por um vestido Givenchy. Desfilava pela rua trajando uma elegância insuspeita. Oscilava como o pendulo do relógio, ora ouvia suspiros de encantamentos, ora recebia olhares de inveja da farta massa feminina daquele elegante endereço em bairro nobre.
Foi aí que surgiu a sua única dúvida do dia, e quem não as tem?
Passando por ela um jovem loiro de corpo atlético, olhos esverdeados e sorriso maroto, não resistiu ao vislumbrar Ellen e soltou:
- Nossa! Com todo respeito, mas que coroa gostosa...
Ellen franziu a testa, resistiu e não olhou para trás, embora uma duvida ainda rondasse sua mente:
-Isso terá sido um elogio, ou um gracejo beirando o insulto?
Dessa incerteza Ellen até hoje abre um sorriso e sempre prefere ficar com a primeira hipótese, pois afinal naquele dia de glória nem mesmo a fina chuva do final da tarde borrara a sua maquiagem fina importada.